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As crises no governo Bolsonaro abrem caminho para a juventude e os trabalhadores contra-atacarem

As crises abertas no governo abrem o caminho para uma resposta da juventude e dos trabalhadores contra-atacarem Bolsonaro, Mourão, os militares e o conjunto das instituições golpistas do regime político. Não podemos esperar 2022, precisamos organizar nossa luta já.

Mariana DuarteEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

quarta-feira 31 de março | Edição do dia

A já anunciada reforma ministerial de Bolsonaro abalou os acontecimentos políticos do país nos últimos dias. Escancarando a crise profunda que se desenha no interior das diferentes alas do regime político, a ação que supostamente viria a conta gotas, resultou em mudanças drásticas em diversos postos ministeriais e resultou no pedido de demissão dos 3 comandantes das forças armadas, Edson Pujol, Ilques Marques e Antônio Carlos Moretti Bermudez.
Tal saída conjunta dos 3 comandantes, vem como resposta à demissão (ou renúncia) do general Azevedo e Silva do ministério da defesa, que, segundo um interlocutor do general, poderia estar vinculada às tentativas de Bolsonaro, no auge de seu negacionismo reacionário, de implementar estado de defesa em estados do país que estivessem sob a prática do lockdown.
Alguns meios vem noticiando que poderiam haver intenções golpistas ainda mais concretas por parte do presidente, que estaria com intenções de levar a cabo até as últimas consequências seu projeto e implementar um estado de sítio no país. Intenções estas que esse setor dos militares estaria contra e por isso as demissões e mudanças nos postos ministeriais.
Como já viemos analisando no Esquerda Diário, é importante ter claro que por mais que haja uma tentativa clara de afastamento por parte de alguns setores da ala militar do governo, não há de fato uma ruptura com Bolsonaro por parte dos militares, que seguem como parte de sua base de apoio. Entretanto, tais movimentações demonstram fissuras importantes no interior do regime político que, para aqueles que se colocam no desafio de enfrentar os ataques e a situação de calamidade social e econômica que vivemos, é importante de analisar, já que significam uma demonstração de divisões propícia para o chamado “contra-ataque”.
A verdade é que, havendo tentativa de implementação de um suposto estado de sítio ou não, o resultado da dança das cadeiras ministeriais e do afastamento dos três comandantes das forças armadas, demonstra mais elementos qualitativos de desgaste do governo Bolsonaro. Qualquer tentativa golpista que venha por parte do governo é mais fruto da sua fraqueza do que da sua força e pode levar inclusive a sua queda mais acelerada, especialmente se o movimento de massas se colocar em movimento.
Responsável pelas centenas de milhares de mortes, ao lado dos governadores e do conjunto das instituições políticas golpistas, o único que fez em seu governo foi atacar a população pobre e trabalhadora em função dos lucros e de uma subordinação cada vez maior ao imperialismo norte-americano. Transformou o país num grande párea do mundo, sendo o principal foco da pandemia do coronavírus em todo o globo.
Enquanto milhões amargam entre a fome, a miséria e o vírus, precarizou ainda mais as condições de vida, retirando direitos e se apoiando no que há de mais autoritário e execrável da política nacional, tudo isso ao lado dos militares, que agora, após meses e meses de privilégios, querem aparentar um descolamento do governo para evitar afundar junto neste naufrágio sem precedentes.
Como ficou claro a partir dos últimos acontecimentos, a reforma abre espaço para o fortalecimento do Centrão, que, como colocado em recente declaração de Diana Assunção, não é de forma alguma alternativa aos militares, já que sempre foi parte da aprovação dos mais duros ataques contra a população e se move por interesses materiais às custas das vidas e da fome dos trabalhadores.
A pergunta que fica, no marco das fissuras abertas, é, como pode a juventude e a classe trabalhadora, se aproveitar das evidentes crises que se aprofundam no governo para apresentar uma saída política independente de todas as alas da burguesia e desse regime político apodrecido?
Vimos como as principais entidades de massas dos estudantes e trabalhadores, chamaram dias de luta separados, nos dias 24 e 30 de março, como forma de enfrentar o governo. Fizeram chamados que na prática separavam a mesma luta entre estudantes e trabalhadores, e que infelizmente foram incapazes de se aproveitar das recentes crises no planalto para dar uma resposta a altura. Isso porque não se trataram de mobilizações unificadas e organizadas desde as bases das universidades e locais de trabalho, mas que se centraram, no caso da UNE em ações midiáticas.
Isso porque as suas direções, hoje compostas principalmente pelo PT e PCdoB, apostam todas as suas fichas na espera passiva pelas eleições de 2022. Alimentam expectativas de que a única saída só pode se dar pela via eleitoral no próximo ano e não através da força organizada, de forma independente da juventude, mulheres, negros, LGBTs e todos os setores oprimidos ao lado da classe trabalhadora.
Para derrotar de uma vez por todas Bolsonaro, Mourão, os militares e o conjunto dos golpistas que arrancam dia após dia nosso direito ao futuro, precisamos nos apoiar na aliança explosiva que se enfrentou com o regime militar em mais de uma oportunidade, resgatando todo o histórico de luta e de combatividade que o movimento estudantil ao lado dos trabalhadores pode ter.
Não será pela via de qualquer uma dessas instituições políticas deste regime golpista que virá a resposta para qualquer uma das nossas demandas. Assim como tão pouco através de alternativas que caminhem para uma via de conciliação entre as classes, como querem Lula e o PT.
É preciso questionar o regime golpista de conjunto, através da batalha por uma nova constituinte livre e soberana, que coloque abaixo toda a herança da ditadura militar. Isso só pode ser conquistado pela luta dos trabalhadores e da juventude, única força capaz de impor um verdadeiro programa de emergência de resposta a crise sanitária, que ataque em primeiro lugar os imensos lucros capitalistas.




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