Política

DIREITO AO ABORTO

Arthur Lira assume compromisso com frente anti-aborto para endurecer legislação

De acordo com parlamentares reacionários da Frente anti-aborto e da bancada evangélica, o presidente da Câmara assumiu o compromisso de atacar os já restritos direitos das mulheres pelos seus próprios corpos. Figuras como Chris Tonietto (PSL-RJ), líder da frente anti-aborto e conhecida por propostas como a criminalização do aborto até em casos de risco de vida da mulher ou estupro, guarda muitas expectativas para que mais mulheres morram por abortos clandestinos no Brasil.

sábado 13 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil

Durante as negociações que garantiram a divisão de cargos e favores entre os deputados do centrão e das frentes temáticas, lideranças conservadoras e obscurantistas ligadas à igrejas católicas e evangélicas afirmam que Arthur Lira assumiu o compromisso de avançar contra a já frágil legislação que abre exceções para o aborto, que deveria ser um direito universal, seguro e gratuito.

Carla Zambeli, outra figura execrável do bolsonarismo, após três dias da posse de Lira como presidente da Câmara, apresentou um projeto de lei (PL 232/2020) que coloca nas mão da polícia o direito ao aborto, fazendo necessário um boletim de ocorrência com exame de corpo e delito controlado pela instituição que se destaca por recorrentes casos nos quais destrata casos de estupro e violência doméstica.

Segundo consta no documento “Termo de compromisso com a defesa da vida”, redigido no dia 20 de janeiro, assinado pela já citada deputada bolsonarista, Chris Tonietto, “o constitucional e sagrado direito à vida precisa ser defendido a todo custo e a todo tempo por todos e para todos, os nascidos e os não nascidos”. Deputados conservadores afirmam que o termo foi abraçado por Arthur Lira.

A mesma deputada apoiada pelos setores mais conservadores da Igreja Católica, foi autora do PL 2893/19 que pretendia criminalizar abortos em caso de estupro e os que colocavam a vida das grávidas em risco. “Não se pode assassinar um bebê no ventre de sua mãe”, afirma a bolsonarista que deseja condenar mulheres à morte com os abortos clandestinos, que continuam a ser realizados.

A bancada reacionária cristã, assume a inquisição anti-aborto porque busca controlar o corpo e vida das mulheres para que sejam submissas ao patriarcado, e a dupla jornada de exploração do trabalho, doméstico e salarial . Internacionalmente a direita conservadora, a qual o bolsonarismo integra, se vê isolada com a aprovação do aborto legal, em vários países do mundo. Em especial na Argentina, onde as mulheres saíram às ruas para garantir o direito ao aborto levando seus “pañuelos’ verdes.

Veja mais: Letícia Parks: "Contra o bolsonarismo e por nossos direitos, nos inspiramos nas argentinas"

A legislação é contra o aborto no Brasil, considerado crime em geral, e somente legal em casos excepcionais, mantendo assim os corpos das mulheres sob controle do Estado. Aproveitando-se de já ser ilegal, mulheres reacionárias como Zambeli e Tonietto querem criminalizar até as exceções. Para se contrapor com os reacionários que desejam acabar até mesmo com a exceção e aumentar a criminalização e mortes de mulheres em abortos clandestinos, é necessário acabar com toda a criminalização do aborto, para que ele seja totalmente legal, seguro e gratuito.




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