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Dia do Estudante | Arrancar Biden e o agronegócio da Amazônia! Fora Bolsonaro e Mourão!

Com o desmatamento da Amazônia e os ataques aos povos indígenas mais acelerados do que nunca, neste Dia do Estudante repudiamos toda a demagogia imperialista do Biden e a destruição promovida pelo agronegócio, grande aliado do governo Bolsonaro e Mourão. Arrancar essas mãos sujas de sangue e fogo da Amazônia, lutar pelo #ForaBolsonaroeMourão e defender que o conhecimento que produzimos esteja a serviço da classe trabalhadora e da população são tarefas essenciais para os estudantes nesse momento. .

Lina HamdanEstudante de Artes Visuais na UFMG

quarta-feira 11 de agosto | Edição do dia

2021 é oficialmente o segundo pior ano no desmatamento da Amazônia no Brasil, apoiado no incentivo de Bolsonaro e Mourão ao agronegócio, os ataques aos povos indígenas e a destruição de órgãos reguladores como o IBAMA e FUNAI. Isso significa que no período de agosto de 2020 até agosto de 2021, 8.712 km² de floresta foram derrubados. Em dois anos de governo Bolsonaro-Mourão, 48,3% das áreas protegidas foram devastadas e destas, as mais atingidas foram as terras indígenas. Estes dados absurdos, acompanhados pelos ataques de garimpeiros às terras Yanomami que aterrorizaram nos últimos meses e a repressão brutal à brava luta dos povos indígenas contra a PL 490, foram sendo anunciados enquanto outros escândalos se desenrolavam.

Estes escândalos foram ponto de apoio para a queda de Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro e Mourão, que não caiu pela força popular com mobilizações, mas na mesma toada que Ernesto Araújo, como alvo do imperialismo estadounidense agora sob comando do Partido Democrata, o que ficou evidente frente ao protagonismo do STF e o envio do celular de Salles aos Estados Unidos por Alexandre de Moraes, onde foi desbloqueado e teve informações retiradas pelo FBI. No lugar de Salles, entrou Joaquim Álvaro Pereira, que por anos integrou a bancada ruralista, com políticas de genocídio da população indígena e da mais completa destruição do meio ambiente e dos recursos naturais. Ou seja, ainda que não abertamente com o discurso negacionista da extrema direita, segue a mesma política que destrói a Amazônia e o meio ambiente em nome dos lucros capitalistas.

Mas qual o interesse do Partido Democrata e de Biden na Amazônia? Biden tenta se apresentar como “capitalismo verde” com supostas preocupações em defesa da Amazônia, quando na realidade busca exclusivamente maior intervenção na região por interesses econômicos e estratégicos, por um lado pela Amazônia enquanto fornecedora de matéria prima, por outro com o intuito de retirar o Brasil da linha de frente das exportações do agronegócio para a China – particularmente de soja e milho –, posto este que os EUA querem liderar e, para isso, precisam necessariamente atrapalhar os negócios brasileiros. Ou seja, trata-se fundamentalmente de uma disputa para decidir quem explora em primeiro lugar a matéria prima.

Já o reacionário Mourão, defensor da ditadura militar e vice-presidente do Brasil, é o chefe da Comissão da Amazônia, representante de um grande segmento de militares de alta patente que não tem qualquer interesse em diminuir os estragos ambientais. Pelo contrário, esses militares estão vinculados às madeireiras e aos latifundiários da região Norte e Centro-Oeste, e lucram fortemente com a destruição das florestas. Acordos ilícitos com a economia extrativista são de pleno conhecimento do Exército, que se beneficia com a expansão da fronteira agrícola sobre os limites amazônicos.
Pode te interessar: Mourão e o interesse militar de lucrar com a destruição do meio ambiente
https://www.esquerdadiario.com.br/Mourao-e-o-interesse-militar-de-lucrar-com-a-destruicao-do-meio-ambiente

Além do desmatamento, a floresta também é ameaçada por queimadas. Em um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research foi concluído que as áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 e uma seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña indicam atenção especial no combate ao fogo, especialmente no sul do bioma.

Este fenômeno tem impactado internacionalmente, como na Grécia e Turquia nas últimas semanas, e está inscrito nos fenômenos extremos vividos também na China e na Alemanha, com chuvas que inundaram cidades e metrôs, provocando mortes ou com temperaturas extremas como no Canadá. A indignação com a crise climática que parece se aproximar do colapso ganhou nova concretude científica nesta semana, quando foi lançado um novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que prevê o aumento da temperatura global em 1,5 graus Celsius em uma década e constatou que a atividade industrial já aumentou a temperatura global em 1,1 grau Celsius. Este aceleramento significa o aprofundamento dos fenômenos da crise climática, ameaçando cidades costeiras com o aumento do nível do mar que pode chegar de 55 cm a 1,88 m, a ampliação do derretimento do permafrost, com liberação de ainda mais gases que provocam o efeito estufa, a perda dos árticos e destruição desses ecossistemas, e aumento da frequência dos desastres capitalistas. É gritante a necessidade da redução da emissão de gases poluentes e completamente distinto do que afirma o relatório, que responsabiliza a humanidade de conjunto pelo aquecimento do planeta, este caos advém do modo de produção capitalista.

Muitas das consequências da crise climática em curso são irreversíveis, com impactos seculares e milenares e assim o capitalismo destrói o planeta e o futuro da juventude, que vai precisar destruir o capitalismo para seguir existindo. O capitalismo e sua relação predatória com a natureza gera lucro bilionário para a burguesia imperialista e crise ambiental para a classe operária e o povo pobre.

Leia também: Ondas de calor, variantes da COVID: o capitalismo destrói o planeta, destruamos o capitalismo!

A irracionalidade do sistema capitalista ficou atestada pela pandemia da COVID 19, seja pela sua própria origem, vinculada ao crescente desmatamento que destrói o habitat natural de espécies silvestres, promovendo focos infecciosos e propícios para o desenvolvimento de doenças na forma de produção e liberando patógenos, seja pelo trato negacionista da extrema-direita e demagógico dos que pretendem reformas cosméticas no capitalismo, custando milhões de mortes.

Enquanto o agronegócio avança na Amazônia, destruindo ecossistemas, poluindo e liberando patógenos, possui lucros históricos com a previsão de R$ 1,142 trilhão em 2021, no primeiro país na produção de soja, frango e carne, é o país da fila do osso e no qual mais de 50% dos domicílios passam por insegurança alimentar. É a irracionalidade capitalista nua, esta realidade somada a cenas como no Sudão, Mali, Congo, Benin, Síria, Haiti e Vietnã que seguem com menos de 1% do total de sua população vacinada, com cenas que podem parecer com o apocalipse - mas isso é capitalismo. Vivemos em um sistema econômico que destrói a natureza, explora e oprime e não em uma distopia.

As mudanças cosméticas do capitalismo verde e do Acordo de Paris não poderão barrar o desastre climático, apenas a força da luta de classes. Portanto nossa aposta contra Bolsonaro, Mourão e o agronegócio não pode estar na demagogia de Biden, ou de Lula, que apela a Biden sempre que pode, mas na força da classe trabalhadora e da juventude ombro a ombro, em defesa do planeta, os únicos aos quais realmente interessa proteger as florestas, parques e rios, já que como disse Adrien Cornet, petroleiro da refinaria Total na França, são estes que passeiam com seus filhos e o mais interessados.

A defesa da Amazônia não pode ficar na boca da Globo, que ajudou a eleger Bolsonaro em 2018 e hoje o desgasta e prostra o reacionário General Mourão, defensor da Ditadura Militar como a Globo já o fez, mas precisa se transformar em carne em cada local de estudo e de trabalho, sem nenhuma confiança no STF e no Congresso Nacional, somente na luta.

Para que nosso conhecimento esteja a serviço da defesa da Amazônia e do meio ambiente, não dos lucros capitalistas

Em todo mundo a juventude vem se levantando contra as consequências da crise climática, e os impactos no meio ambiente, enquanto os capitalistas se dividem entre os que negam a catástrofe ambiental para seguir sua criminosa política de destruição, ou aqueles que por trás de um discurso verde, querem apenas proteger seus lucros. Isso está diretamente relacionado a pensar o papel da produção de conhecimento, em especial das universidades como importantes polos de pesquisas. O projeto de educação de Bolsonaro e Mourão, é aquele representado por Milton Ribeiro, o ministro da educação de Bolsonaro no qual as universidades deveria ser para poucos. Por isso, aprofundam os cortes e ataques que já vinham sendo implementados desde os governos do PT, cujas consequências foram agravadas devido ao congelamento do orçamento em saúde e educação quando sob bombas e repressão se aprovou a EC 55 em 2016 no governo golpista de Temer.

Ao mesmo tempo, diferentes setores da burguesia, em especial do agronegócio, vem aprofundando cada vez mais o papel das universidades como pólos de produção de tecnologia a serviço dos seus interesses. Em diferentes níveis, esse setores buscam transformar o conhecimento das áreas de humanas em cursos cada vez mais técnicos, com menos espaço para a reflexão crítica, formando professores que atendam apenas aos parâmetros que foi impostos com o novo ensino médio, que vem sendo implementado de forma acelerada após um ano e meio de pandemia e ensino remoto.

É nesse sentido que nossa luta em defesa da Amazônia e do meio ambiente também passa por questionar que nossas universidades e nosso conhecimento esteja a serviço da burguesia e dos seus interesses de manutenção desse sistema que destrói o planeta. Defendemos que a universidade e o conhecimento que produzimos precisa estar a serviço da classe trabalhadora e da população. Por isso, nossa luta contra os cortes é parte de uma mesma luta contra a privatização de serviços estratégicos como a Eletrobrás e os Correios, contra os ataques aos trabalhadores, MP 1045 que foi aprovada pelo Congresso, e que acaba com o vínculo trabalhista da juventude, sem FGTS, sem férias e sem 13º, com redução do valor das horas extras no telemarketing. Lutando pelo direito a que toda juventude possa entrar e permanecer nas universidades, acabando com o filtro social e racial do vestibular.

Por isso, acreditamos que a UNE e as entidades estudantis, ao invés de defender que nossa força e energia nas ruas deve servir para pressionar o congresso a aceitar o impeachment que levaria Mourão ao poder, deveria ter no centro da sua política a orientação de que as entidades estudantis realizassem assembleias de base, construindo um comando nacional de articulação dos estudantes, para se aliarem a classe trabalhadora na luta por uma greve geral onde pudéssemos unificar a luta em defesa da educação, com a luta contra a privatização dos Correios, e por #ForaBolsonaroeMourao. Queremos que o movimento estudantil possa novamente voltar a fazer história e debata os grandes temas da realidade na qual vivemos, para ser um fator na luta contra esse sistema capitalista que destrói o planeta. Essa é a batalha que damos nas ruas, nas universidades e nos locais estudo e trabalho e convidamos todes a darem conosco.
O capitalismo destrói a Amazônia, destruamos o capitalismo!




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