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Aprofundando filtro social do vestibular, MEC quer Enem nos três anos do ensino médio

Essa ideia que tornaria o ENEM ainda mais elitista é do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que prejudicou milhares de jovens com os erros de notas não corrigidos. Distancia entre alunos de escolas públicas e particulares aumentaria com a medida.

quinta-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Luis Fortes/MEC / El País

O Ministério da Educação (MEC) quer alterar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no formato atual após ser incapaz de dar a prova e prejudicar a milhares de alunos. A ideia são provas aplicadas nos três anos do ensino médio, que, juntas, comporiam a nota do estudante para disputar vagas no ensino superior.

A medida promete aprofundar ainda mais o filtro social do vestibular. Os jovens das escolas públicas, em 3 anos de prova, estariam ainda mais distantes do ensino particular. Isso sem falar dos prejuízos psicológicos para uma juventude que sofre em massa com depressão e ansiedade. A medida aprofundaria as desigualdades de oportunidades para a nova geração. O vestibular que pretensamente é meritocrático, mas que afinal de contas, recompensará ainda mais somente o privilégio material de alguns em detrimento dos demais.

A ideia é começar a aplicação para alunos do 1° ano já em 2021 e ampliar de forma gradual. O governo quer incorporar as provas do "Enem seriado" ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que hoje testa o rendimento dos estudantes do 5º e 9º do ensino fundamental e do 3º do médio. O sistema aplica provas de português e matemática. Em 2019, houveram avaliações amostrais de ciências e questionários dirigidos a profissionais da educação infantil.

O Enem continuaria existindo, mas para um público residual: quem já terminou há tempos o ensino médio e quer disputar uma vaga em universidades e para os estudantes que perderem provas do exame seriado. Haveria, portanto, o "Enem geral" e o "Enem seriado".

“O melhor Enem de todos os tempos”, como disse o arrogante e incompetente Ministro da Educação, Abraham Weintraub, se transformou na maior e mais absurda crise na história do exame. Inúmeros erros durante todo o processo que colocam a credibilidade da prova em cheque e uma atuação irresponsável e negligente do governo que pode atrapalhar o futuro de milhares de estudantes brasileiros.

A crise do Enem chegou num patamar sem precedentes deixando em desespero milhares de estudantes que realizaram o exame. É inadmissível a continuidade de Weintraub no cargo. Desde que assumiu tem sido um inimigo da educação pública e da ciência e teve como resposta massivas mobilizações estudantis em 2019. O Fora Weintraub é o mínimo diante dessa situação, não porque consideremos que a saída dele resolva os problemas de conjunto, já que se trata de um projeto de ataque à educação do governo Bolsonaro.

Essa crise evidencia um problema histórico e estrutural da educação superior brasileira, que antecede este governo e que marca a vida da juventude: o acesso ao ensino superior. Todos os anos milhares de jovens sofrem com a preparação exaustiva para passar nos vestibulares. Junto a esses, outros milhares sequer terminam os estudos ou nem imaginam a possibilidade de entrar numa universidade, menos ainda pública. Existe um obstáculo elitista, racista e excludente, o vestibular que funciona como um filtro social, que mesmo com a implementação das cotas raciais e sociais, faz com que a grande maioria da juventude negra e pobre fique de fora das universidades.

Informações do Jornal O Globo




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