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Após teste negativo, Trump minimiza vírus em comício na Flórida

Os EUA do negacionista Donald Trump lideram o número de mortos no mundo pela pandemia, com quase 215 mil vidas perdidas no país.

terça-feira 13 de outubro| Edição do dia

Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Com o avião presidencial no cenário e ataques ao socialismo, Donald Trump voltou às viagens de campanha depois de dez dias isolado em Washington pelo diagnóstico de covid-19.

O presidente dos EUA retomou nesta segunda-feira (12) os comícios presenciais após o diagnóstico negativo para covid-19 do médico de Trump, Sean Conley. Em nota, o médico diz que os testes deram negativo por dois dias consecutivos, mas não diz quando os exames foram feitos.

Não é um consenso entre os especialistas o período em que uma pessoa que foi infectada pelo coronavírus pode transmitir a doença, mas estudos já mostraram que o contágio pode ocorrer por até três semanas seguintes.

Trump foi diagnosticado com Covid-19 no começo do mês de outubro e chegou a passar quase quatro dias internado. Além dele, outras dezenas de políticos aliados e funcionários da Casa Branca contraíram covid-19, o que aumentou a suspeita de que o evento de nomeação da juíza Amy Coney Barret tenha funcionado como um "superespalhador" do vírus.

O fato de Trump ter sido infectado por covid-19 não serviu de estímulo para que a maioria usasse máscaras de proteção. Muitos carregavam uma máscara facial nas mãos ou bolsos, mas a minoria usava. O presidente criticou orientações de saúde e sugeriu que as pessoas podem seguir uma vida normal.

"Agora, eles dizem que estou imune. Eu me sinto muito poderoso"

disse Trump. É nesse negacionismo que se fia o capacho Bolsonaro aqui no Brasil.

Comício

Arquibancadas são montadas em semicírculo atrás e ao lado de Trump, de forma que apareçam nas câmeras de TV. De um lado, uma grande bandeira dos EUA ficava pendurada. De outro, a mesma bandeira em azul, com uma das faixas em tom mais vibrante, um sinal de apoio ao movimento "Back the Blue", de apoio a policiais, em meio ao questionamento massivo do povo negro contra a repressão e a violência policial.

Ao lado de eleitores fanáticos, a maioria com bonés, cartazes e camisetas de apoio a ele, o presidente adotou sua retórica reacionária recorrente. Em uma hora de discurso, ele voltou a minimizar a gravidade do vírus e a acusar Joe Biden de representar a esquerda radical – o que não é verdade.

Biden tem negado as afirmações de Trump sobre um plano de retirar recursos da polícia e se diz favorável ao maior controle e checagem de antecedentes para compra de armamentos, e não ao fim da Segunda Emenda (direito constitucional de portar armas no país), apesar de serem demandas massivas do movimento Black Lives Matter.

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A Flórida é um dos Estados mais cruciais para a reeleição de Trump. Além de desde 1924 nenhum republicano ter chegado à Casa Branca sem vencer no estado, a Flórida é um estado-pêndulo, ou seja, ora elege democratas, ora republicanos. Há mais de duas décadas, quem vence na Flórida leva também a Casa Branca.

A escolha do presidente desse estado para fazer seu comício parte da tentativa de reverter a desvantagem de mais de 10 pontos percentuais para Biden a poucas semanas das eleições.

Os EUA lideram o número de mortos no mundo pela pandemia, com quase 215 mil vidas perdidas no país.

Fonte: Agência Estado/O Estado de S. Paulo/Beatriz Bulla, enviada especial




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