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Retaliação política em Jundiaí | Após paralisação, rodoviários de Jundiaí sofrem perseguição e são demitidos

Funcionários das empresas Viação Jundiaiense, Viação Leme e Três Irmãos estão sofrendo retaliações após terem realizado uma paralisação. Além de demitir trabalhadores que paralisaram, as empresas estão perseguindo e demitindo aqueles que têm buscado organizar uma comissão de representação de empregados (uma vez que o sindicato, da Força Sindical, não está os auxiliando).

quarta-feira 25 de agosto | Edição do dia

Já são mais de 25 rodoviários demitidos por justa causa, em razão da perseguição que a empresa está realizando contra o direito de organização dos trabalhadores do transporte público rodoviário de Jundiaí, que no dia 8 de julho, realizaram uma paralisação exigindo melhores condições a partir de reivindicações discutidas em campanha de negociação coletiva. As empresas, porém, ignoraram as pautas dos trabalhadores e apresentaram três contrapropostas que não respondiam às reivindicações dos funcionários. Estes, portanto, recusaram as propostas em assembleia.

A partir desse momento, os rodoviários começaram a sofrer perseguições pelos seus superiores hierárquicos dentro das empresas, das garagens e dos terminais de ônibus; passaram a ser coagidos a assinar a pauta patronal e a ser demitidos. Na ocasião, os trabalhadores tentam denunciar a situação ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Jundiaí e Região (filiado à Força Sindical), porém não obtiveram auxílio, pelo contrário. Segundo relatam, o próprio sindicato desde o início buscou convencer os trabalhadores em assembleias a aprovarem a pauta proposta pela patronal, e além disso, em momento algum foi solidário com os demitidos, não organizando nada para coibir essas demissões.

Diante disso, os rodoviários estão buscando montar uma comissão de representação de empregados por empresa, para buscarem ter alguma voz perante o sindicato e a empresa. As eleições haviam sido marcadas para os dias 10 e 11 de agosto, entretanto não ocorreram porque três candidatos foram demitidos por conta da participação do ato do dia 8. Foi buscada a reintegração destes trabalhadores perante a justiça, entretanto o poder judiciário negou esse direito.

Após isso, os rodoviários candidataram mais dois trabalhadores, e assim que comunicaram a empresa que estavam se inscrevendo na chapa (chamada “Resistência”), esses trabalhadores também foram imediatamente demitidos, conforme relatam em vídeo na página “Movimento dos Trabalhadores do Transporte Público de Jundiaí” criada pelos rodoviários. Já há inúmeras denúncias no Ministério Público do Trabalho contra essas situações e foi solicitado que o MPT fiscalize a formação dessa nova comissão, que agora terá como data de eleição o dia 25 de novembro deste ano.

E a perseguição da empresa ainda vai além. “A empresa não permite que os trabalhadores que ainda são empregados mantenham contato com quem foi demitido. Inclusive, fizemos um ato na frente dos terminais, dois trabalhadores passaram apenas cumprimentando os que haviam sido demitidos, e foram demitidos logo em seguida”, relatam. Todos os trabalhadores que foram demitidos não estão conseguindo encontrar outro emprego na região porque estão sendo discriminados em todas as empresas.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com os rodoviários de Jundiaí contra essa absurda perseguição que estão sofrendo. É inadmissível a atitude da patronal, que tem agido de forma completamente arbitrária, contando com aval do judiciário, que tem se recusado a reintegrar os trabalhadores. Exigimos que o sindicato pare de se omitir sobre o caso e organize os trabalhadores pela imediata reintegração dos demitidos e nenhuma retaliação aos rodoviários que estão lutando por seus legítimos direitos.

Situações como estas se repetem em todo o Brasil. Os milhares de demitidos e toda a situação catastrófica que nossa população está passando são responsabilidade do governo Bolsonaro e Mourão e também desse sistema judiciário apodrecido, que deixa as empresas demitirem sem nenhum impedimento. Só a luta dos trabalhadores é o que pode dar uma saída para que não sejamos nós a pagarmos por essa crise. Seguiremos acompanhando o caso e colocando nossa mídia à disposição dos trabalhadores.

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