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Após meses de pandemia, a USP continua deixando moradores do CRUSP em condições precárias

A reitoria da USP oferece uma marmita insuficiente aos moradores do Conjunto Residencial, muitos desses diretamente estão em situação de insegurança alimentar ou passam fome

quarta-feira 11 de novembro| Edição do dia

Foto: Marcos Santos/USP imagens

Não é de hoje que a USP, “universidade de excelência”, demonstra não se importar com seus estudantes e trabalhadores pobres, que são em sua maioria negros.

Em plena pandemia a reitoria demitiu todos os trabalhadores terceirizados do bandejão da Faculdade de Saúde Pública, também cortou em 25% a verba destinada a empresas de terceirização, que obviamente fez com que os donos dessas empresas, muitas vezes vinculados com professores que fazem parte do Conselho Universitário e do próprio establishment da Reitoria, demitissem mais e mais, além de incentivar a demissão de vários terceirizados do grupo de risco após a morte de 2 trabalhadores da segurança.

A reitoria também é responsável por todo desmonte do HU nos últimos anos, que incluem a demissão de centenas de funcionários com o PDV, fechamento do pronto socorro infantil, cortes ao orçamento, dentre muitos outros. Durante a pandemia a reitoria tardou em oferecer EPIs suficientes, além de não oferecer testes massivos e mais leitos.

Já em relação aos estudantes que moram no CRUSP, segundo pesquisa feita por Tânia Araujo, doutora em saúde pública e ex-moradora do CRUSP, e Daniel Vasconcelos, Doutorando em geografia e morador do Conjunto Residencial, dos 84 entrevistados (24% dos que passam a pandemia na moradia), 85% estão em situação de insegurança alimentar, com 50% afirmando fazer apenas duas refeições diárias, e 25% ter passado ao menos um dia inteiro com apenas uma refeição. A maioria dos participantes eram mulheres, negras e jovens.

Com a pandemia a dinâmica de alimentação na USP mudou, os bandejões fecharam e os moradores passaram a receber marmitas como estas:


Arquivo pessoal: Intercept

Marmitas que apresentam problemas nutricionais, com um cardápio mais do que repetido, sempre com muito arroz, pouco feijão e falta de alimentos essenciais, como leguminosas frescas, além de que a versão vegetariana da marmita tem apenas o PVT como única opção. Só que mesmo com tantos problemas a USP diz que a nutricionista da empresa contratada garante a qualidade nutritiva.

Veja também: Alunos do CRUSP recebem frutas estragadas em marmitas

Ademais, os moradores têm que lidar com problemas como goteiras, infiltrações, má estrutura dos prédios, máquinas de lavar quebradas, pias sem torneiras e falta de fogões em boa parte das moradias. Este fator, além da falta de dinheiro, é o que leva os cruspianos a terem que ficar dependentes das parcas marmitas que a reitoria dá.

Em um cinismo sem tamanho o reitor da USP, Vahan Agopyan, coloca a culpa dos problemas do CRUSP nos próprios moradores, dizendo que “um dos maiores problemas enfrentados pela equipe de zeladoria e manutenção do Crusp são os atos de vandalismo, depredação e furto em relação às instalações e equipamentos do Crusp”.

Frente a esta reitoria elitista e racista precisamos questionar a estrutura de poder da universidade e lutar pela dissolução deste órgão tão excludente, que decide tudo que os estudantes, professores e trabalhadores da USP deveriam decidir. Somente com os três setores dirigindo a universidade, esta poderia estar a serviço da população pobre e trabalhadora, ao invés de servir aos interesses de empresários, como os da Avon ou Boticário.

Contra o elitismo e a precarização, lutamos pelo fim do vestibular, esse filtro social e racial, que impede que nossos jovens possam ter aceso ao ensino superior em nosso país.




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