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CONSELHO UNIVERSITÁRIO USP | Após mais de um século de racismo Luiz Gama é reconhecido como doutor honoris causa pela USP

terça-feira 29 de junho | Edição do dia

Na reunião do Conselho Universitário da USP foi concedido o título de honoris causa para Luiz Gama, sendo o segundo negro a obter este título na USP.

Luiz Gama (1830-1882) foi uma figura fundamental do movimento abolicionista apoiando-se nas leis vigentes para alforriar as negras e negros. Gama foi um gigante na luta abolicionista porque, apesar de se apoiar na justiça, sabia do seu inerente caráter racista que garantia os interesses da elite política, dos ricos e poderosos. Ele sabia da importância e legitimidade da violência do oprimido contra seu opressor e expressou isso na frase:

"Escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa"

Babi Dellatorre, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário, remarcou a necessidade de combater o racismo hoje

"É importante o reconhecimento de Luis Gama mas é necessário relembrar aqui que enquanto era vivo Luis Gama foi impedido de estudar na Faculdade de Direito da USP e hoje muitos jovens negros ainda são proibidos de outra forma de estudar na USP pelo filtro social do vestibular e depois pela falta de permanência estudantil. Nada foi concedido aos negros, tudo foi fruto de muita luta desse povo que é maioria no Brasil. Assim como as cotas nesta universidade, a última a adotar o sistema de cotas, foi luta do movimento negro dentro e fora da USP que conquistou. E também é necessário aproveitar esse momento para encarar o racismo no presente e esse conselho deveria se posicionar também contra a demissão das negras e negros desta universidade que trabalham nos postos mais precários de trabalho, como terceirizadas. E votar a reincorporação imediata dessas funcionárias ao quadro de funcionários da USP com igual salário e direitos."




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