ARTHUR LIRA

Após acusações de agressão, deputado Arthur Lira disse que assunto não deve ser politizado

Após acusações de agressão feitas pela sua ex-esposa à Folha de São Paulo, o deputado Arthur Lira (PP-AL) disse, nesta segunda-feira (18), que não há contemporaneidade nem verdade. O deputado que concorre à presidência da Câmara, apoiado pelo governo Bolsonaro (sem partido), declarou também que esse assunto não deve ser politizado.

terça-feira 19 de janeiro| Edição do dia

Foto: Agência Câmara

Em entrevista publicada na semana passada pela Folha de São Paulo, Jullyene Lins afirmou que Lira a agrediu fisicamente e a ameaçou para que mudasse o depoimento sobre as acusações que ela havia feito contra ele.

O deputado Arthur Lira afirma ter sido inocentado pela Justiça das acusações da ex-esposa, que disse à Folha: "Você, a Folha e o Brasil sabem que aquele assunto foi julgado e arquivado por improcedência e [eu fui] inocentado por unanimidade. Esse assunto é requentado a cada eleição e não é um assunto que eu fique à vontade porque este assunto não deve ser politizado por uma pessoa exposta, como é qualquer político num momento desse".

Em 2006, Jullyene Lins apresentou queixa por lesão corporal contra o então deputado estadual à Polícia Civil. Em depoimento, afirmou que, após ficar sabendo que ela estava se relacionando com outro homem, depois da separação, Lira foi à sua casa e a agrediu com tapas, chutes, pancadas e foi “arrastada pelos cabelos, tendo sido muito chutada no chão”. Ela anexou fotos das lesões ao processo e o caso foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal).

Jullyene afirmou à Folha que o deputado a pressionou e a ameaçou para que ela mudasse o depoimento e, por esse motivo, alterou a versão da história, assim como todas as testemunhas. Além disso, disse que fez a denúncia “por vingança”. Em 2015, Lira foi inocentado do caso. "Me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou", disse. “Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que ‘eu posso fazer qualquer coisa com você’.”

O deputado do Partido Progressistas de Alagoas hoje lidera a pesquisa feita pelo Estadão para presidência da Câmara dos Deputados. O candidato defendido por Jair Bolsonaro ganhou 41 apoios públicos desde sexta-feira (15), saltando de 145 para 186 votos declarados na enquete, mas ainda longe dos 257 votos necessários em primeiro ou segundo turnos para se eleger presidente da Casa.

Por isso, a cautela do deputado em falar do caso, alegando ainda que “notícias requentadas nesse momento, no jogo baixo, não é para se tratar aqui. Tudo isso já foi resolvido há anos”. Lira também afirmou que “todo jogo baixo, todo jogo vil, nesse momento eleitoral, é rechaçado por homens e mulheres".

Se esquivando de comentar detalhes sobre o assunto, Lira negou as acusações e disse à Folha, nesta segunda-feira (18), "Não tem absolutamente contemporaneidade nem verdade nesses fatos. E, como mãe dos meus filhos, quero até preservá-la em respeito a eles”.

Jullyene foi casada por dez anos e tem dois filhos com Lira. Em outubro passado, ela solicitou à Justiça de Alagoas medidas protetivas contra o deputado. Conforme mostrou a Folha, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu enviar à Vara de Violência Doméstica do Distrito Federal acusações feitas por ela sobre Lira em uma ação de injúria e difamação de 2020.

Lira recebeu outra denúncia, em 2007, dessa vez por ameaça. Segundo a acusação, a ex-mulher afirmou que Lira disse à babá que "os seus dias estavam contados" e que iria buscar o filho menor, mesmo sem sua permissão. A babá confirmou a denúncia, e Lira foi indiciado no Tribunal de Justiça de Alagoas. O desembargador Orlando Monteiro Cavalcanti aceitou a denúncia, em dezembro de 2007, e proibiu Lira de manter contato pessoal, telefônico, por escrito, ou qualquer outro meio com a vítima, seus familiares, ou testemunhas do caso.

Lira teria se recusado a aceitar a ordem, dizendo ao oficial de justiça "eu recebo já essa merda". Depois disso, o desembargador o enquadrou no crime de coação no curso do processo e mandou prender Lira. Caso que também foi parar no STF, mas prescreveu, e o deputado não recebeu punição.

Em nota assinada pelo seu advogado, Lira afirma que o conteúdo das declarações de Jullyene Lins é “requentado” e que ele foi absolvido das acusações dela pelo STF. "O resultado deste processo é de conhecimento público, inclusive, por parte deste veículo de comunicação, de forma que, a repetição e veiculação da falsa acusação, atrai a responsabilidade penal e cível não só de quem a pratica, mas também de quem a reproduz, ante a inequívoca ciência da sua falsidade", disse a nota assinada pelo advogado Fábio Ferrario.

Em denúncia enviada ao Ministério Público de Alagoas, a ex-esposa acusou Lira de ocultação de bens – segundo ela, o deputado tem um patrimônio de R$ 11 milhões. Além disso, Lira, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro na eleição para a presidência da Câmara, responde a dois processos no STF. Um deles é sob a acusação de corrupção passiva, em denúncia feita em abril de 2018 pela PGR. Segundo o órgão, Lira teria recebido propina de R$ 106 mil do então presidente da CBTU (Companhia Brasileira de Transportes Urbanos), Francisco Colombo, em 2012. Em troca, teria prometido apoio político para se manter no cargo.

O valor foi apreendido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com um assessor parlamentar de Lira, que tentava embarcar para Brasília com o valor escondido nas roupas. Em novembro, a 1ª Turma do STF rejeitou um recurso do parlamentar e decidiu mantê-lo como réu.

O deputado também responde ao inquérito chamado “quadrilhão do PP”, por suposta participação em esquema de desvios da Petrobras. De acordo com a acusação, desdobramento da Lava Jato, integrantes da cúpula do PP eram parte de uma organização criminosa, com ascendência sobre a diretoria da Petrobras, e que desviava verbas em contratos da estatal. A denúncia foi aceita pela 2ª Turma do Supremo, em junho de 2019, mas a ação penal ainda não começou a tramitar.




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