SAMARCO

Após 5 anos sem justiça para o povo de Mariana, Samarco retoma as atividades no município

Empresa responsável pelo rompimento da barragem que destruiu parte da cidade, deixou centenas de famílias desabrigadas e causou o maior impacto ambiental da história do país, despejando 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos no rio Doce, rio que abastecia 230 municípios de Minas Gerais, agora, volta às suas atividades, sem julgamento, sem reparação ao povo que perdeu suas casas e sem recuperação ambiental

sexta-feira 11 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Nesta sexta-feira (11) a mineradora Samarco retomou as atividades em Mariana, cenário do maior crime ambiental da história do país, quando a barragem da empresa conhecida como “fundão” rompeu, destruindo centenas de casas e bens de centenas de famílias, contaminando o rio Doce, principal fonte de subsistência de milhares de famílias no estado de MG e matando 19 pessoas, tudo isso com a ciência da empresa do alto risco de rompimento.

Mesmo assim, projeto que já era precário desde a sua fundação, que não utilizou os materiais necessários para a construção, mas sim os próprios dejetos de minérios, vivia sendo recauchutado, sem planejamento. Hoje, depois de 5 anos da tragédia, os moradores ainda não receberam suas casas de volta, a recuperação ambiental não foi concluída, a empresa não fez o mínimo esforço para reparar os danos gigantescos que infligiu ao povo de Mariana.

A empresa que barateou custos ao máximo para economizar com a segurança e com a vida das pessoas, que acabaram tendo suas vidas arrasadas, lucrou, somente em 2014, ano anterior ao rompimento, 2,8 bilhões de reais. Este foi o preço da privatização da estatal Vale, que é quem controla a Samarco e que hoje deixa o povo à mercê da sanha por lucro a qualquer custo do empresariado.

Agora, sem que fossem sequer julgados, a empresa volta a operar, saindo praticamente impune de toda a catástrofe que geraram, reiniciando até mesmo a extração de minério de ferro, segundo a prefeitura da cidade. O capitalismo e o seu modo de operação passam por cima da vida das pessoas em nome do lucro dos capitalistas, com o aval do congresso e do judiciário, que agem em diferenças instâncias, pactuadas, para defender os interesses dos empresários.

Veja também: Às vesperas dos 4 anos do rompimento em Mariana, Samarco recebe licença para minerar no local




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