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NATAL | Álvaro Dias propõe mudar nome da Bernardo Vieira e homenagear escravista e dono da Riachuelo

O prefeito da cidade de Natal, Álvaro Dias (PSDB), enviou um projeto de lei à Câmara Municipal com o intuito de alterar o nome de uma das principais avenidas da cidade, que atualmente leva o nome de um senhor de engenho escravocrata do período colonial no Brasil, Bernardo Vieira.

Emily VitóriaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

sábado 13 de março | Edição do dia

O prefeito Álvaro Dias (PSDB) cumprimentando o empresário, hoje falecido, Nevaldo Rocha

Bernardo Vieira de Melo foi um militar e governador da capitania que hoje é o Rio Grande do Norte, cargo concedido ao mesmo após sua atuação no comando da batalha contra o Quilombo dos Palmares.

Palmares foi uma sociedade alternativa como também um símbolo de resistência e de luta, onde a população negra se refugiava e se organizava a fim de lutar contra o sistema colonial e contra os senhores de engenho que os exploravam e os escravizaram. Além disso, Bernardo Vieira foi responsável por enfrentar os povos indígenas da região do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco que resistiam à colonização.

Diante dessa cicatriz da colonização que corta a cidade, Álvaro Dias deseja mudar o nome da avenida para homenagear o fundador do Grupo Guararapes, Nevaldo Rocha, falecido em 2020, trocando um velho escravista por outro mais “moderno”. O Grupo Guararapes, hoje dirigido por Flávio Rocha, filho de Nevaldo Rocha, controla a rede de lojas Riachuelo, que possui mais de 300 lojas no país e emprega aproximadamente 7 mil trabalhadores só no Rio Grande do Norte.

A empresa já foi condenada pelas precárias condições de trabalho de seus funcionários, por sofrerem com abusos físicos e psicológicos, jornadas exaustivas e baixíssima remuneração, caracterizando assim um trabalho análogo a escravidão. Foram sobretudo mulheres das fábricas de costura da Guararapes as vítimas dessa situação digna de uma burguesia brasileira que herda até hoje as práticas da colônia.

Flávio Rocha também foi um dos articuladores da reforma trabalhista, responsável pela flexibilização dos direitos trabalhistas em função do capital e que ataca o conjunto da classe trabalhadora.

É absurdo que no meio do colapso do sistema de saúde de Natal o prefeito Álvaro Dias esteja preocupado em homenagear essa figura asquerosa da burguesia brasileira.

É uma expressão simbólica de como Álvaro Dias entrega Natal para os empresários, em especial durante a pandemia, resguardando os lucros dos capitalistas às custas das vidas da população natalense. Garante que o Midway, as lojas e o Call Center da Riachuelo, as fábricas da Guararapes, sigam de portas abertas, expondo seus trabalhadores, mas garantindo os lucros dos Rocha e de outros escravistas representados pela Fecomércio e FIERN. A cidade é deles, da máfia dos transportes, das construtoras e redes hoteleiras interessadas no seu Plano Diretor.

Os Rocha são a expressão moderna da herança escravista que carrega a burguesia brasileira. Recentemente, Flávio Rocha parabenizou a governadora Fátima Bezerra pelo seu plano “RN Cresce+” que oferece inúmeras isenções e refinanciamento das dívidas desses capitalistas. Prova de que a conciliação petista mantém viva essa herança.

Governadora Fátima Bezerra (PT) ao lado de Flávio Rocha, herdeiro da rede Guararapes

Somente a força imparável dos trabalhadores poderá varrer da história esses senhores, suas estátuas e avenidas, à exemplo dos estudantes sul africanos em 2015 e ano passado com o Black Lives Matter nos EUA e na Europa, levando junto cada ataque do regime do golpe e seus representantes, como Bolsonaro e Álvaro Dias, e passando por cima dos conciliadores.




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