ALTA DO ARROZ; GOVERNO BOLSONARO.

Alta nos preços e redução dos estoques: Governo Bolsonaro o grande culpado pelo Preço do arroz

O aumento de produtos como arroz que vivenciamos em meio a pandemia é fruto de uma política liberal praticada pelo Governo Bolsonaro em reduzir ao máximo os estoques.

sábado 19 de setembro| Edição do dia

Fonte da imagem: Agência Brasil

Não é segredo que a produção alimentar no Brasil serve em grande medida para exportação, o caso da soja é emblemático nesse quesito, através do agronegócio e das bancadas ruralistas o Brasil exporta esse tipo de grão para outros países como a China. Essa dinâmica implica que o país tem uma política que dar prioridade à exportação, seria como no ditado: “casa de ferreiro, espeto de pau”, por isso, a prioridade será sempre, através de o agronegócio dar prioridade a esse tipo de política.

Além disso, temos o fato do governo ter uma clara opção pela redução dos estoques o que implica numa lógica liberal de deixar a mão “invisível” do mercado agir. Ou seja, deixar que o próprio mercado se autorregule conforme defendem os economistas do corte liberal.

Ao consultarmos a página da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) vamos perceber a defasagem dos estoques públicos de grãos no Brasil. No caso do arroz para citarmos um exemplo, podemos observar na tabela abaixo o movimento desde a década de 1980, e da para perceber caramente a queda do estoque no qual saímos de um patamar de milhão de toneladas para mil no ano de 2020.

Fonte: CONAB, 2020.

Essa queda nos estoques conforme já frisamos em momento anterior é uma forma de garantir preços mínimos aos produtos agrícolas como suporte aos produtores, para que seja possível evitar que estes tenham lucro.

Em contrapartida quando vamos observar os estoques privados não percebemos esse mesmo patamar de decréscimo que constatamos no público:


Fonte: CONAB, 2020.

É importante observarmos também que essa dinâmica não se aplica apenas ao caso do arroz, mas a outros produtos como o café e a soja. Desde o ano de 2016 por exemplo, no Brasil não há uma política de armazenamento de feijão nos estoques públicos, o que implica na alta dos preços para a classe trabalhadora brasileira.

A soja é outro exemplo emblemático desse mesmo traço, sendo ainda mais profunda a política de não manter estoques porque o Brasil produz esse grão para exportação:


Fonte: CONAB, 2020.

Cabe o destaque que essa mesma política foi inclusive mantida nos governos petistas, se tornando inclusive um elo forte do governo na implementação de sua política neodesenvolvimentista e de aliança de classes, se aproveitando dos preços desses produtos para explorar para países como a China.

Na opinião de especialistas essa lógica aplicada sob o regime alimentar impacta negativamente na população mais vulnerável, sendo também um risco tendo em vista as possíveis intempéries da natureza, como as secas. Segundo José Guilherme Vieira da Universidade Federal do Paraná a redução desses estoques foi um erro porque não garantir a segurança necessário de que as pessoas irão se alimentar, além de servir como uma ferramenta de regulação do preço.

Contudo, o governo Bolsonaro tende a culpabilizar o auxílio emergencial de R$ 600,00 como o grande vilão do aumento do arroz, colocando que a culpa é do trabalhador que está comprando mais alimento para a família. Paulo Guedes também vai nessa mesma direção, afirmando inclusive que esse aumento seria bom para a Economia brasileira

Nem Paulo Guedes e muito menos Bolsonaro possuem preocupação com o dilema da classe trabalhadora brasileira. Culpabilizar o trabalhador ou pessoas que nunca tiveram renda pelo aumento do preço do arroz é agir de forma demagógica, e atestar o que já sabemos que no capitalismo tudo é mercadoria e quanto mais pessoas passam fome, melhor, porque isso acaba se tornando uma forma de deixar a mão invisível de o mercado agir.

Isso tudo ocorre em meio ao descaso do governo Bolsonaro frente a pandemia de Covid-19, o Brasil é um dos primeiros países em nível de contaminação e mortes. O negacionismo científico e a clara estratégia do governo em realizar uma imunização de rebanho vem causando um verdadeiro genocídio. E se não bastasse a classe trabalhadora ter que enfrentar mais esse desafio, se vê diante da dura realidade do aumento de itens da cesta básica como o arroz.

Bolsonaro não quer apenas matar as pessoas pela Covid-19, mas também de fome como observamos através da constatações sobre a política de estocagem, que não é fato do acaso, mas uma escolha política clara e consciente.




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