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Alta da conta de luz, apagão no Amapá e privatização da Eletrobras: o que esperar em 2021

O apagão no Amapá e agora o aumento das contas de luz não são impeditivos para os planos privatistas de Bolsonaro, que já anunciou prioridade em vender a estatal de energia Eletrobras. Quem paga a conta é a população trabalhadora.

quinta-feira 3 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica

Neste final de ano o tema da energia elétrica no Brasil está em alta, assim como os valores nas contas de luz dos consumidores brasileiros, agora com o anúncio do retorno da bandeira vermelha. Não só por este motivo, o apagão no estado do Amapá chamou atenção nacional para as precárias condições de vida dos moradores em meio a uma pandemia, abandonados pelos governos; além da recente divulgação do calendário de privatização de 2021 do governo Bolsonaro que prevê a venda da estatal Eletrobrás.

O Brasil é internacionalmente reconhecido por utilizar hidrelétricas como principal fonte de energia, sendo estas responsáveis por produzirem cerca de 70% da energia disponível para consumo no país. Possuindo 12% da água doce superficial da Terra, o Brasil é o país com uma das maiores redes fluviais, justificando a presença de diversas hidrelétricas em solo brasileiro, incluindo a de Itaipu, considerada a maior do planeta.

Mesmo com essa riqueza fluvial, o governo atualmente alega dificuldade na produção e fornecimento de energia para consumo, acusando a falta de chuva que diminui o nível dos reservatórios de algumas usinas hidrelétricas. Desde outubro deste ano o governo começou então a acionar usinas térmicas para poupar as hidrelétricas, chegando a importar energia e causando um consequente aumento do custo de funcionamento.

Quem paga essa conta com preços mais altos são os consumidores e a população, e isso fica ainda mais claro com o caso do Amapá. Foram 22 dias com o estado inteiro no escuro. O governo e a concessionária responsável pelo fornecimento de energia já estavam cientes há dois anos dos riscos de apagão que o estado corria e mesmo assim não se prepararam nem evitaram o ocorrido.

Os setores mais pobres foram especialmente abandonados no Amapá, sofrendo com o apagão e com as enchentes que destruíram casas e pertences. E foi em meio a essa crítica e dramática situação que o diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou seus planos de aumentar a tarifa no estado.

A crueldade capitalista não tem limites. Agora com o anúncio do aumento da tarifa com a bandeira vermelha, novamente quem mais irá se prejudicar é a população mais pobre que não bastasse sofrer com o aumento do preço de alimentos, agora sofrerá com as contas de luz.

Veja mais: Com o aumento dos alimentos, querem que paguemos o custo da crise

É em meio a toda essa situação que o governo Bolsonaro, com o ministro da Economia Paulo Guedes, anunciou nesta quarta-feira, 02, o calendário que prevê privatização de oito estatais, incluindo a Eletrobras, já há muito tempo na mira dos capitalistas e do projeto privatista do governo.

Segundo o próprio presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, o “incidente” que deixou o Amapá sem luz durante três semanas não é motivo para interromper o processo de privatização da estatal, fazendo coro com os planos de Bolsonaro que quer retomar a privatização já no início de 2021.

O que reservam para a população brasileira no próximo é a privatização e a garantia dos lucros dos empresários, mesmo que isso signifique a piora dos serviços, o aumento das tarifas residenciais. Não é a primeira vez que a privatização do setor de energia elétrica demonstra a ganância capitalista e o descaso com a população.

Vão completar 20 anos do chamado “apagão de 2001”, quando no último ano do mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil atravessou um risco iminente de corte de energia elétrica e diminuição drástica no consumo. Sob a mesma justificativa de poucas chuvas e baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas naquele momento, medidas de contenção do uso de energia foram tomadas pelo governo. O presidente FHC, conhecido em seus dois mandatos pelos planos privatistas de diminuição da máquina pública, privatizou empresas de distribuição de energia que diretamente tiveram relação com a situação que se desenrolava então.

Dentre outros motivos que produziram o corte energético de 2001, este é um episódio que demonstra os males do processo de privatização do setor de energia elétrica. De lá pra cá o que se vê foi o aumento da privatização de inúmeros setores vendidos para empresas multinacionais, junto com isso, vê-se também o aumento da demissão em massa de trabalhadores qualificados substituídos por trabalhadores com regime de contrato precário, além do aumento da terceirização no setor e das tarifas de luz.

Toda essa situação de 2001 e agora atualmente, escancaram a irracionalidade e modus operandi capitalista, em que o que importa é o aumento do lucro dos empresários interessados em comprar as estatais, é aumentar as tarifas e fazer a população trabalhadora pagar pela crise. É preciso colocar de pé uma luta contra a privatização que coloca os lucros dos empresários acima das vidas dos trabalhadores, defendendo a estatização de todo sistema de energia sob controle dos trabalhadores.




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