Juventude

Estudantes USP

Aliança operário-estudantil: Por que a Faísca foi panfletar para as terceirizadas do HU-USP?

Nesta quarta-feira (02/06), estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e membros do Coletivo Faísca, Anticapitalista e Revolucionária, foram até o Hospital Universitário da USP (HU-USP) prestar toda a solidariedade para as trabalhadoras terceirizadas da limpeza, que não tiveram direito à quarentena e nas últimas semanas estão sendo demitidas. O descaso da empresa Higienix e da reitoria com essas trabalhadoras estende-se também para a vida de parte importante da população da ZO que depende do HU e agora encontrará um ambiente carente de limpeza hospitalar aumentando o risco de contaminação.

quinta-feira 3 de junho| Edição do dia

O começo de 2021 foi marcado por agudos processos de lutas na Universidade de São Paulo. Primeiro, a empresa responsável pelos contratos das terceirizadas da limpeza da Faculdade de Odontologia (FO-USP) tentou demitir várias trabalhadoras em meio à pandemia, jogando-as para a estatística exorbitante do desemprego. Depois, no Hospital Universitário da USP (HU-USP), a reitoria apresentou um plano de vacinação completamente insuficiente, e que não atendia nenhum dos terceirizados. Os trabalhadores responderam heroicamente nos dois momentos, paralisando suas atividades e conseguindo reverter as demissões indesejadas e conquistar a vacinação para todos do Hospital, um verdadeiro exemplo para toda a nossa classe.

Agora, o que esses dois eventos têm em comum? Em ambos, os trabalhadores estão sofrendo com o descaso da reitoria da USP que mostra seu lado mais desumano, não garantindo o básico que seria emprego e vacinas no meio de uma pandemia; as mulheres negras, maioria das terceirizadas no Brasil, são aquelas que mais sofrem com os ataques, escancarando, assim, o machismo e o racismo da nossa sociedade; e nesses episódios, e em muitos outros, a Juventude Faísca esteve ao lado das e dos trabalhadores, mostrando que, quando estudantes e trabalhadores se unificam contra aqueles que nos atacam, ninguém pode nos parar!

A aliança operário-estudantil é algo que faz parte do DNA do Coletivo Faísca, sendo uma pedra angular do nosso programa para a Universidade. E foi justamente com o objetivo de manter essa chama acesa, de aprofundar as relações entre nós, estudantes, com as terceirizadas, cujo tratamento sistemático é o do descaso e da indiferença, de prestar nosso apoio e solidariedade, além de poder ouvi-las, que fomos até o HU, levando as nossas ideias revolucionárias condensadas em um panfleto que anexamos no final da matéria.

Desde o momento em que chegamos até o da despedida, fomos recepcionados com muito carinho e tivemos a atenção de todas com quem cruzamos. Muitas disseram que aquele era o seu último dia, porque haviam sido demitidas. Outra perguntou se estivemos presentes nos atos do dia 29, pois ela comparecera e achava fundamental a luta em defesa da educação e estava convencendo suas colegas a também fazerem parte das próximas. Uma verdadeira aula de solidariedade mútua e genuína, de força e gana por continuar lutando, mesmo quando a situação aperta e se sabe se terá dinheiro para o leite do filho no final do mês.

Nós da Faísca saímos dessa experiência com mais certeza de que é nessa aliança estratégica que toda a esquerda deveria apostar, e não nos conchavos com partidos de direita, através de frentes amplas por fora da luta de classes, como quer o Lula para 2022. Também não é nas “frentes democráticas" contra Bolsonaro, que englobam desde o PSTU, o PSOL, até setores de extrema direita como o PSL, os quais defendem o Impeachment como saída, mas que na prática levará o racista do Mourão para o poder.

ALIANÇA REVOLUCIONÁRIA É DA JUVENTUDE COM A CLASSE OPERÁRIA!!!

Panfleto preparado para as terceirizadas:

HU reduz o contrato da higienização levando à demissões das trabalhadoras e aumento do risco de contaminação hospitalar

Mais uma vez a Superintendência do Hospital Universitário adota políticas que colocam em risco a vida e a segurança dos trabalhadores. Nesse caso, o risco das trabalhadoras terceirizadas perderem o emprego e o sustento de suas famílias e o risco dos pacientes e da comunidade com a possibilidade de aumento das chances de infecção hospitalar em um ambiente com redução do quadro essencial da limpeza.

O contrato entre a empresa Higienix e o HU se encerraria agora no início do ano, por ter perdido o processo de licitação. Sem explicação, a licitação foi cancelada e a Superintendência prorrogou o contrato emergencialmente com um valor reduzido que implicará na demissão de cerca de 40 trabalhadoras, podendo durar até o mês de outubro. A empresa está há 5 anos no HU lucrando em cima das trabalhadoras que todos os meses têm descontos inexplicáveis, atraso ou irregularidades no pagamento do salário e vale transporte. Agora, pode demitir e deixá-las sem sustento da noite pro dia apoiadas pela precarização e falta de direitos trabalhistas típicas da terceirização.

Até 2014, as trabalhadoras de limpeza e higiene do HU eram efetivas. Tinham estabilidade no emprego, o piso do salário estaria hoje em R$2.245,94, mais VA e VR e tinham todos os direitos dos efetivos. É assim que deve ser, pois são todas trabalhadoras essenciais para o funcionamento de um hospital reduzindo os riscos de contaminação hospitalar. Eram nessas condições mínimas que deveriam ter passado por toda a pandemia, com iguais direitos e salários entre efetivos e terceirizados, pois somos uma só categoria, todos trabalhadores do HU.

Essa lógica perversa da terceirização, que permite a Reitoria e a Superintendência lavarem as mãos sobre o futuro dessas mães de família e a empresa se aproveitar das condições de vulnerabilidade de direito das trabalhadoras, também cria uma divisão entre os trabalhadores efetivos e terceirizados. A Superintendência demite trabalhadores do hospital no momento que a população mais precisa de atendimento de saúde de qualidade. É preciso barrar as demissões das trabalhadoras da higiene do HU, porque são uma de nós. Essas demissões são um ataque a todos nós. E é necessário nos defender unindo estudantes e trabalhadores efetivos e terceirizados. Como as trabalhadoras terceirizadas da empresa Interativa fizeram na Faculdade de Odontologia, barrando a tentativa de demissão que a empresa queria fazer no início do ano.

Efetivação dos trabalhadores terceirizados sem concurso público!

Essa panfletagem é uma iniciativa dos estudantes da USP que fazem parte do Coletivo Faísca, das mulheres trabalhadoras que constroem o grupo feminista Pão e Rosas e também do movimento Nossa Classe. Somos parte de um jornal independente, o Esquerda Diário, que leva à milhões de pessoas a denúncia da situação de trabalho da nossa classe, e por essa via podermos nos organizar coletivamente para combater os ataques e a exploração que os administradores, os patrões e os distintos governos fazem com a gente.

Entre em contato pelo ZAP pra fazer uma denúncia, conhecer mais nossos coletivos e se organizar com a gente: (11) 97750-9596. Garantimos o anonimato.

1ª trabalhadora do HU a morrer era terceirizada da higiene

Fran tinha pego covid, voltou a trabalhar e depois de um turno de 12h sofreu um AVC, como já se sabe pode ser sequela da doença.

Trabalhadora com doença crônica hoje está de cama

Mesmo com prescrição médica recomendando afastamento durante a pandemia por doença do sistema imunológico, foi forçada a trabalhar pela empresa que alegou ser um posto de baixo risco. Ela contraiu covid e sofreu um AVC, perdendo movimentos.

Problemas com atestado

Vários são os relatos das trabalhadoras de como o RH da empresa terceirizada busca justificativas absurdas para não aceitar os atestados médicos, descontando no salário e no VA delas caso adoeçam. Inclusive de COVID, fazendo com que muitas, mesmo com sintomas, tenham que seguir trabalhando para não ter desconto no salário.

Nenhum direito à maternidade

A maioria das trabalhadoras terceirizadas são mulheres negras, e o que deveria ser um direito da mulher, que é o direito à maternidade, é utilizado pelas empresas como represálias. A gravidez leva a que muitas sejam transferidas de posto, numa clara punição por terem se afastado durante a gestação. Isso só escancara como a terceirização se apoia no machismo e no racismo para inviabilizar e precarizar esse setor social fundamental, sem o qual nada acontece.”




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