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Direita neoliberal | Alckmin "socialista" do PSB e acusado de caixa 2 escancara o delírio da conciliação petista

Algumas aberrações em uma só semana na política nacional. Das mais assustadoras, certamente está esta imagem de um Alckmin “socialista”, agora oficialmente filiado ao PSB, com o caminho pavimentado para ser vice de Lula nas próximas eleições presidenciais que já pautam o cenário político.

sábado 19 de março | Edição do dia

Ontem, sexta (18), depois de propostas e negociações com PV e Solidariedade, está confirmada a filiação do experiente tucano Geraldo Alckmin ao PSB de Tábata Amaral, Alessandro Molon e Marcelo Freixo. O partido burguês de Eduardo Campos, que veio se tornando um guarda chuva de parlamentares que antes tentavam se fazer de esquerda (Tábata, Freixo), agora também abre seus braços à clássica direita neoliberal tucana, muito bem representada por Alckmin.

Também nesta semana, Alckmin foi citado em delação de Marcelino Rafart de Seras, ex-presidente da Ecovias, concessionária responsável pelo sistema Anchieta-Imigrantes, que liga São Paulo ao litoral sul do Estado. Na delação, o executivo declara esquema de propina e financiamento irregular de campanha de tucanos desde a década de 90 até 2014. Nada surpreendente. Alckmin teria recebido R$3 milhões do esquema em campanhas, R$1 milhão em 2010 e R$2 milhões em 2014.

Diante dos fatos, surgem as contradições aberrantes. A mídia golpista acusa o PT e seus satélites de usar “dois pesos e duas medidas”, já que o partido saiu em defesa de Alckmin frente à delação, que não coincidentemente teria sido circulada próximo da data de definição em relação à sua filiação no PSB, da qual depende a candidatura como vice de Lula. É verdade, o PT já foi muito mais acusatório dos tucanos, quando era conveniente, mas agora querem um de vice.

Mas e a mídia golpista? Neutralidade é o que menos existe, é claro. Mesmo nos raros momentos da lava-jato em que apareciam tucanos em meio a acusações de corrupção, não ganhavam destaque. Naquele momento a norma era demolir o PT. Este momento mudou, e hoje, Lula, reabilitado pelo regime para administrar um país detonado por reformas, crise econômica e pandemia, é quase sempre poupado, quando não impulsionado, até pelos meios mais golpistas.

É assim que as aparentes contradições vão ganhando uma trágica coerência. Geraldo Alckmin, o ladrão de merenda que foi encurralado pela luta da juventude paulista que ocupou tudo contra o fechamento das escolas, o governo que mais bateu em professores que lutaram nos últimos anos, citado e, de fato, muito provavelmente culpado por vários esquemas de corrupção em SP, agora é o desejado vice de Lula e, portanto, um protegido do PT. Ilustração de um verdadeiro delírio coletivo da "esquerda" que chega ao extremo de propagandas como esta de um Alckmin “socialista”.

Se por um lado é preciso denunciar os métodos arbitrários da lava-jato, suas delações milionárias que enriqueceram juízes e mantiveram impunes todo tipo de político e empresário ao longo dos últimos anos, também é urgente superar a conciliação petista que ao perdoar os golpistas, não só se abstiveram de combater com luta, desde o impeachment de Dilma, a prisão de Lula até a aprovação de cada reforma contra os trabalhadores, como hoje estão na linha de frente de colocar a direita novamente no centro do próximo governo.

Não é possível derrotar Bolsonaro e a extrema direita com Alckmin porque em política conteúdo e forma nunca podem ser separados. Para Alckmin, que nunca foi ou será “socialista”, governar com Lula, o custo de ataques e privatizações será alto e quem vai continuar pagando, assim como paga hoje no governo Bolsonaro, serão os trabalhadores.

Por tudo isso é preciso construir uma alternativa com independência de classe, que parte em primeiro lugar de se apoiar nas lutas em curso, como a forte greve de professores de Minas Gerais. Diante do processo de aceleração da precarização do trabalho, inflação, fome e desemprego, nós do Esquerda Diário e do MRT, que construímos o Polo Socialista e Revolucionário junto com o PSTU e ativistas, colocamos a necessidade do conjunto das organizações de esquerda levantarem uma forte campanha unificada pela revogação integral da reforma trabalhista, articulando com a demanda pela revogação de todas as reformas e privatizações. Esse seria um primeiro passo na batalha por reagrupar os setores críticos à conciliação petista e construir uma alternativa independente, com programa de fato socialista, para uma saída revolucionária, a unica realista para enfrentar a destruição de direitos desse regime do golpe institucional.




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