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Alckmin quer privatizar Linha 5-Lilás do Metrô de SP

O governador do PSDB anunciou que pretende conceder a operação da linha 5 do metrô para empresas privadas; metroviários são contrários a privatização e prometem resistir.

terça-feira 21 de julho de 2015| Edição do dia

Nesta terça-feira, 21, o governador Geraldo Alckmin anunciou em entrevista coletiva que seu governo pretende passar a operação da linha 5-Lilás do Metrô para a iniciativa privada. “Estamos abrindo o edital de concessão e a empresa que ganhar vai operar toda a Linha 5, inclusive a parte já concluída e em operação. Toda a Linha 5 será privada" declarou Alckmin a imprensa. Metroviários afirmam que a medida representaria um enorme ataque a qualidade do transporte e as condições de trabalho.

Atualmente, a linha 5 opera na Zona Sul da capital num trecho de 9,6km com sete estações entre Capão Redondo e Adolfo Pinheiro. Estão em andamento obras de expansão que somarão mais 11,5km de trilhos, com mais dez estações e que conectará a linha 5-Lilás com a 2-Verde na altura da estação Chácara Klabin. O custo total da expansão é de aproximadamente R$9,1 bilhões. Assim como todas as demais obras de expansão da malha metroferroviária sob a gestão tucana, a ampliação da linha 5 está atrasada em pelo menos três anos.

Das cinco linhas em operação no Metrô de São Paulo, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 5-Lilas são operadas pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, empresa mista de gestão estatal controlada pela Secretaria de Transportes Metropolitanos. A Linha 4-Amarela é hoje a única que já funciona sob controle privado por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). Caso confirmada, a privatização da Linha 5 abrirá um perigoso precedente por ser a primeira que passaria da gestão estatal para às mãos de empresas privadas.

Nos últimos anos, uma série de denuncias de formação de carteis e pagamentos de propinas envolvendo políticos do PSDB e empresas, como Alstom e Siemens, vieram à tona e jogaram luz nos motivos que prejudicam a qualidade do transporte e sua ampliação. Em 2010, a própria expansão da Linha 5 teve de ficar paralisada por 15 meses por suspeita de corrupção. Na ocasião, o jornal Folha de São Paulo revelou qual empresa venceria a licitação das obras antes mesmo do resultado final do processo.

Além da corrupção, outra marca da gestão tucana nos transportes tem sido a precarização do trabalho, seja pela via da terceirização, seja pela redução expressiva do quadro de funcionários. Medidas que impõe condições desumanas de trabalho e aumenta a sobrecarga, mas também que prejudica a qualidade do serviço prestado e coloca em risco a segurança dos usuários. O acúmulo de funções é justamente uma das principais reclamações dos funcionários da linha 4-Amarela.

Em resposta ao anúncio de Alckmin, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo já adiantou que repudia a privatização da Linha 5, e convocou para às 11h desta quarta-feira um coletiva de imprensa como primeira medida para organizar a resistência da categoria.

Felipe Guarnieri, delegado sindical da estação Santa Cruz e integrante do Metroviários pela Base, declarou a equipe do Esquerda Diário que “não é de hoje que os metroviários sabem que a intenção do PSDB é privatizar o Metrô. Isso só não aconteceu ainda porque nossa categoria sempre demonstrou firmeza para barrar os ataques do governo. É inaceitável que o governo gaste bilhões do dinheiro público para construir toda a estrutura das linhas e agora simplesmente entregue para que os empresários possam lucrar à vontade. Defendemos justamente o oposto.

Acreditamos que a Linha 4 precisa ser estatizada e que a gestão do Metrô passe para às mãos dos metroviários em aliança com os usuários. O principal problema do Metrô hoje são os políticos corruptos e a sede por lucro das empresas as quais são ligados. Não vamos permitir que essa privatização aconteceça”.




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