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CRISE HÍDRICA EM SP | Alckmin e o prêmio por secar a Cantareira

sexta-feira 25 de setembro de 2015 | 01:15

Com quase 2 anos do aprofundamento da crise hídrica em São Paulo fomos surpreendidos essa semana com a notícia de que o governador Geraldo Alckmin irá receber no próximo dia 13 de outubro um prêmio de gestão de recursos hídricos, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A piada pronta de mau gosto foi uma indicação do deputado federal João Paulo Papa, também do PSDB, recebida por Alckmin com cinismo característico, dizendo que modéstia à parte, ele merecia o prêmio pelas medidas que tomou para que não deixasse a crise ser pior.

Se os critérios para receber o prêmio de gestão hídrico forem falta de água nas torneiras dos trabalhadores, água contaminada para os pobres beberem, demissão dos funcionários da companhia de saneamento básico para manter os lucros dos acionistas, então Geraldo Alckmin deve receber com louvor, já que é esta a situação em São Paulo.

A crise do racionamento de água vem causando problemas na vida dos trabalhadores há cerca de 2 anos, mas oficialmente o governo do estado só reconheceu que a crise é critica no dia 19 de agosto deste ano, quando publicou uma portaria em Diário Oficial.

O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), Ricardo Borsari, declarou que “ações de caráter especial deverão ser adotadas visando a assegurar a disponibilidade hídrica de modo seguro e eficiente”.

Até o momento o peso de todas as medidas adotadas pelo governo para tentar conter a crise recaem nas costas do povo. Falta água nos bairros pobres e de classe média e quando a água chega é cheia de produtos químicos ou contaminada. Além do aumento da conta de água e de luz, que também sofre influência da falta de água. Escolas públicas também são afetadas com a crise, muitos alunos ficam sem água para beber ou para usarem o banheiro, enquanto em bairros nobres e estabelecimentos de luxo a água continua chegando com tranquilidade.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontou que a falta de água não é um problema causado apenas pela seca, mas também pela falta de planejamento do governo do estado, que havia sido alertado da possibilidade de escassez de água diversas vezes.

As tubulações antigas ou de má qualidade e a falta de manutenção e reparo de vazamentos para diminuir os custos e gastos e aumentar a margem de lucro dos acionistas são os principais fatores que levaram a situação extrema que passamos no estado de São Paulo.

Ainda assim o governo segue intocável e recebendo prêmios pela péssima gestão e cuidados com os recursos hídricos. A população segue pagando o preço de uma crise que não foi causada por ela, apesar de toda a propaganda que diz o contrário.

É preciso reestatizar a Sabesp e todas as companhias de saneamento básico para que a sede por lucros dos empresários e acionistas não continuem esvaziando nossas torneiras e colocar a disposição dos trabalhadores e da população todos os recursos hídricos que hoje são direcionados para parques e piscinas de luxo dos ricos.




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