Sociedade

Agronegócio brasileiro é responsável por 1 a cada 3 conflitos na Amazônia internacional

Dados são do Atlas de Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazônico, divulgado nesta última quarta-feira, 23.

terça-feira 29 de setembro| Edição do dia

Foto: Enterro dos trabalhadores rurais mortos na chacina de Pau D’Arco (PA), em julho de 2017. Antonio Carlos/Repórter Brasil

O estudo que envolveu oito instituições, sendo três delas brasileiras, a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Terra e Território na Amazônia da Unifap (Universidade Federal do Amapá), e o Observatório da Democracia, Direitos Humanos e Políticas Públicas, apontou que o agronegócio brasileiro é responsável por uma em cada três conflitos envolvendo disputa de território na Amazônia internacional.

A região que abarca o Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia, entre 2017 e 2018, registrou 1.308 conflitos ativos, sendo 444 desses conflitos envolvendo povos com o agronegócio. Segundo o estudo, muitos dos confrontos permanecem até os dias de hoje.

O Brasil que possui 60% do território da Amazônia internacional, lidera a lista com maior número de conflitos com 995 enfrentamento ao todo, onde somente 260 desses conflitos não tiveram a causa identificada, atingindo 131,3 mil famílias nos oito estados onde está o bioma amazônico.

Em sua maioria, os conflitos na Amazônia brasileira envolvem indígenas, quilombola e comunidades tradicionais, sendo 528 casos registrados. Sem-terra fora dos seus territórios tradicionais, ou em situação de acampados, ou despejados de seus territórios registram 12% dos alvos dos conflitos.

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O levantamento mostrou que 59% dos territórios em conflito na Amazônia brasileira são em terras sem legalização ou com falta de titulação legal, que incluem comunidades tradicionais e indígenas sem território reconhecido e demarcado, ou áreas de posseiros sem reconhecimento legal.

Nos outros países a principais causas de conflitos se diferenciam, na Colômbia, segundo pais que mais registra conflitos, 90 dos 227 registrados são referentes a disputas de obras de infraestrutura de transporte. No Peru, das 69 conflitos registrados, 22 são relacionados a mineração. Enquanto na Bolívia, dos 17 conflitos apontados a causa se refere às extração de madeira, que registra 43,2% dos casos.

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