Política

SERGIO MORO

Agora no setor privado, Moro favorece bilionário investigado por corrupção

Estreando no setor privado, ex-juiz golpista mentor da operação Lava Jato Sergio Moro dá parecer favorável a bilionário israelense investigado por corrupção e lavagem de dinheiro em ao menos cinco países

quarta-feira 9 de dezembro de 2020| Edição do dia

O israelense Benjamim Steinmetz, empresário que já foi investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, conta com a ajuda do ex-juiz golpista mentor da Operação Lava Jato Sergio Moro para provar que a mineradora Vale sabia dos riscos do contrato de exploração da mina em Simandou, na Guiné, quando fechou o negócio com sua empresa em 2010. O parecer de Moro diz que a Vale teria ocultado do mercado os riscos envolvidos no negócio bilionário, no chamado "Carajás africano".

O bilionário empresário tenta provar que a mineradora mentiu ao tribunal em Londres, onde conseguiu uma sentença favorável de US$ 2 bilhões. No negócio, a Vale comprou de Steinmetz 51% da BSG Resources (BSGR), detentora de concessões e licenças de exploração de minério de ferro de uma das maiores minas inexploradas no mundo em uma transação envolvendo US$ 2,5 bilhões, com pagamento antecipado de US$ 500 milhões ao israelense.

Em 2011, o recém-eleito presidente de Guiné, Alpha Condé iniciou uma política de revisão de todas as concessões dos governos anteriores. A investigação apontou indícios de suborno na concessão das minas a Steinmetz, em 2008. A Vale então foi buscar reparação e a sentença favorável foi obtida no ano passado.

Steinmetz nega que tenha havido corrupção, e afirma que a mineradora tinha conhecimento de eventuais riscos envolvidos na concessão. Em seu parecer Moro afirma que "os executivos da Vale S/A teriam, em tese, prestado afirmações falsas e ocultado fraudulentamente do mercado e de seus acionistas as reais condições do negócio celebrado com a BSGR acerca dos direitos de exploração sobre Simandou e sobre os motivos da rescisão posterior". Benjamin Steinmetz contratou um segundo parecer, o do jurista Pedro Serrano - que advogou para a Odebrecht e tem artigo publicado sobre as "arbitrariedades das sentenças de Sergio Moro".

Sergio Moro, que agora trabalha no setor privado prestando consultoria a empresas atingidas pela Operação Lava Jato, treinado pelo imperialismo americano a fim de degradar o regime e a constituição de 88, substituindo um sistema corrupto por outro, fortalecendo o autoritarismo do judiciário, que impediu que Lula concorresse ao pleito presidencial em 2018, quando este era pré-candidato e estava em primeiro nas pesquisas de intenção de voto, levando-o a cumprir pena na prisão em Curitiba. Moro arquitetou bem o plano da época e tornou-se Ministro da Justiça de Bolsonaro. Uma recompensa pelos serviços prestados. Mas a recompensa durou pouco tempo. Moro foi rifado pela ala ideológica do governo e não tinha tanto apreço por parte importante e significativa dos militares. Agora, busca cumprir no setor privado parte daquilo que já vinha fazendo no setor público: lobby para empresas multinacionais, principalmente americanas, entrarem no mercado brasileiro e lucrarem rios de dinheiro às custas de mais degradação social, política e ambiental.




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