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RIO GRANDE DO NORTE

Agências do Banco do Brasil paralisadas no RN contra 5000 demissões

Hoje, quarta (10), os bancários das agências do Banco do Brasil no RN encontram-se paralisados, participando da paralisação nacional contra as medidas de reestruturação e desmonte impostos pelo governo Bolsonaro e Paulo Guedes.

quarta-feira 10 de fevereiro| Edição do dia

Bolsonaro e Guedes anunciaram no início de janeiro que vão desempregar 5.000 trabalhadores, além de fechar centenas de agências em todo o país. Além disso, 4.200 pessoas ficarão sem a gratificação salarial com a extinção da função de caixa. No Rio Grande do Norte, serão pelo menos 3 agências fechadas: em Natal, em Parnamirim e em Mossoró. E outras três serão transformadas em postos de atendimento: Guamaré, Alto do Rodrigues e Jardim do Seridó.

Os trabalhadores bancários paralisados denunciaram diretamente ao Esquerda Diário. Um delegado sindical do RN relata sobre a paralisação: "O motivo principal é a reestruturação que o Banco tá fazendo. Vão fechar mais de 300 agências no país inteiro e mais de 5000 funcionários serão demitidos. Isso vai acarretar uma série de problemas pra se somar aos problemas que já existem no sistema bancário brasileiro, que é a superlotação de agências e falta de funcionários pra concretizar os serviços internos do banco, o que acaba adoecendo a categoria".

Sobre a pandemia, o trabalhador diz que: "No início da pandemia, os bancos eles foram mais, digamos, ’humanos’, eles se preocuparam com a saúde dos funcionários, uma boa parte ficou em casa em home office. Mas com o passar do tempo, acho que a pressão em relação aos lucros, acabou mudando a forma como o banco tratava a questão da pandemia. E então a gente acabou voltando pras agências, no Banco do Brasil a maioria está trabalhando nas agências, na Caixa Econômica uma parte está em home office, mas a gente percebe um descaso do banco em relação à pandemia. Principalmente do Banco do Brasil. Existem algumas medidas de biossegurança que são tomadas, como aferição de temperatura dos clientes, de funcionários, mas é difícil controlar a questão do distanciamento social e a gente não vê um empenho do banco em nos proteger. Ele poderia, inclusive, ter acionado o home office, como de início, mas ele decidiu por não fazer isso".

"Pra população, piora a situação do atendimento bancário", diz. "Ninguém gosta de ir ao banco, e aí mais de 300 agências fechadas, isso vai piorar muito. Porque aquele cliente daquela agência que for fechada, ele vai migrar pra uma agência provavelmente mais próxima, mas que já tem o problema de superlotação. Os bancários já trabalham de forma sobrecarregada, já é uma reivindicação da categoria em toda campanha salarial e que haja contratação, não se trata só de salário. Mas os bancos simplesmente ignoram isso e a política é de demissão porque eles querem primeiro terceirizar a atividade da gente e agora recentemente trocar funcionários por máquinas, inteligência artificial. E isso adoece a categoria cada vez mais, inclusive com casos de suicídios que são muito pouco comentados".

Ontem e hoje, corre a votação na Câmara da autonomia do Banco Central, prometida por Guedes, para avalizar ainda mais o domínio do mercado financeiro e tirar as decisões do Executivo e do Legislativo. Nesse sentido, o trabalhador também opina sobre a luta dos bancários e o papel das centrais sindicais: "Eu acho que cada central sindical tem seus próprios interesses. Eu não vejo uma união nem a médio ou a longo prazo das pra poder ajudar ou a nossa categoria, a categoria dos bancários, ou outra categoria. E o pior, tem centrais sindicais que são completamente corrompidas e não estão ao lado do trabalhador como pregam, num teatro, estão do lado do empregador".

Bolsonaro, Guedes, e todo o regime herdeiro do golpe institucional, como vemos com Arthur Lira (PP), são agentes de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, com privatização e demissões, com o STF facilitando a venda de estatais sem necessidade de passar pelo Congresso. Isso pode ser visto com exemplo na privatização dos Correios e na brutal retirada de direitos dos trabalhadores, pelo governo e pelo Judiciário. É necessário que as centrais sindicais como a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e o PCdoB, rompam com sua paralisia diante do desmonte do fechamento de agências, e também contra a autonomia do Banco Central, se unifiquem com outras categorias de trabalhadores no país, como vemos com os professores em greve no estado de SP, que se colocam contra a retomada irracional das aulas do governo Doria (PSDB).




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