Sociedade

Devastação ambiental e cinismo imperialista

“Adote um Parque”: Coca-Cola e Ricardo Salles firmam acordo para esconder devastação ambiental

Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente criou o programa de parceria público privada “Adote um Parque” como resposta às pressões internacionais que o governo Bolsonaro vem sofrendo diante da devastação ambiental no Brasil. Ricardo Salles é acusado de “greenwashing” por ambientalistas, termo utilizado para ações que não possuem nenhum efeito prático, pelo contrário, são recorridas apenas para melhorar a imagem internacional do governo.

sexta-feira 30 de abril| Edição do dia

A Coca-Cola é a oitava empresa a aderir o programa “para inglês ver” de Ricardo Salles. A multinacional imperialista, famosa por se envolver em campanhas ambientais para preservar sua imagem, doará R$ 658.850 durante um ano. A área Javari-Buriti patrocinada pela Coca-Cola é considerada de Relevante Interesse Ecológico e cobre mais de 600 mil hectares do ecossistema amazônico.

Em abril, a Heineken prometeu patrocinar uma outra reserva amazônica de 93 quilômetros quadrados que também abriga uma comunidade de quilombolas, no Maranhão. O interesse de companhias imperialistas, em especial do ramo de alimentos que utilizam de grãos, açúcar e outros recursos que são controlados pelo agronegócio, que mundialmente devasta incontáveis ambientes para gerar lucro, é um exemplo da hipocrisia da sustentabilidade capitalista.

O parque que a Coca-Cola vai patrocinar ocupa 132 quilômetros quadrados no estado do Amazonas, no território está uma das maiores formações de florestas de palmeiras buriti de todo o mundo. No ano de 2019, Ricardo Salles e Bolsonaro protagonizaram um escândalo internacional por sua relação direta com a explosão de queimadas criminosas na Floresta Amazônica, no Cerrado e em especial no Pantanal.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), contando 12 meses até julho de 2020, quando o governo já se aproveitava da pandemia para “passar a boiada”, como afirmou Salles, 11.000 quilômetros quadrados foram desmatados na Amazônia brasileira, uma área que chega a 14 vezes o tamanho da cidade de Nova York.

Ricardo Salles, Jair Bolsonaro e os militares são firmes representantes do agronegócio, uma das bases mais sólidas do governo federal. O apoio dos grandes latifundiários se justifica pelo trabalho sujo que Salles e o Exército vêm realizando, com o desmantelamento de todos os mecanismos de fiscalização, assim como a indicação de militares e aliados do agronegócio para cargos chave do Ibama e Funai, ou como foi o caso de Mourão ao assumir programas que suposta combatiam os crimes ambientais na Amazônia.

Não por acaso, este setor econômico é o que mais saiu ganhando durante a pandemia, com lucros que aumentaram. Em 2020, os grandes proprietários de terra lucraram com a exportação US$ 85,8 bilhões, uma alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

A grilagem, a invasão de territórios indígenas, o assassinato de ativistas ambientais, e líderes do movimento sem terra e idígenas, sempre foram regra no Brasil. Contudo, durante o governo Bolsonaro a expansão criminosa dos latifúndios encontra um aparato legal ainda mais forte, foi o que Ricardo Salles deixou claro durante reunião ministerial, ao mostrar seu senso de oportunidade diante das milhares de mortes com a pandemia, para flexibilizar as já insuficientes medidas de proteção ambiental.

O programa cínico “Adote um Parque” se encaixa neste mesmo projeto de devastação ambiental e concentração de terra. Com as diversas críticas que recebe e com a pressão americana com Biden, o governo Bolsonaro busca se apoiar nas empresas imperialistas para melhorar sua imagem. Uma medida que tem um nome usado por ambientalistas: “greenwashing”.

O efeito é o inverso de qualquer proteção, já que coloca grandes proprietários imperialistas como patrocinadores de territórios chaves. Não só descarta a soberania nacional, como qualquer perspectiva de combate ao desmatamento e seu impacto nas mudanças climáticas que ameaçam o futuro do planeta.

A necessidade infinita de acumulação e expansão, em nome do aumento constante dos lucros, torna saídas sustentáveis por dentro do capitalismo uma utopia. É necessário que as grandes corporações, como a Coca-Cola, assim como os bilionários do agronegócio, tenham suas riquezas progressivamente taxadas e direcionadas para um programa ambiental e agrário, que inclua a expansão da proteção ambiental e uma reforma agrária por todo o Brasil.




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