Educação

DESCASO E AGLOMERAÇÃO

Absurdo: Covas e Padula expõem educadoras à covid com aglomeração em testagem nos CEUs

“Não tem mais senha, não tem mais kit [de teste], aqui no CEU Paulistano já vão mandar fechar os portões para mais ninguém entrar”. Aglomeração, falta de testes, confusão e risco de contaminação. Esse é o cenário que professoras, agentes de apoio, gestores, trabalhadoras terceirizadas da limpeza e merenda e mães do programa POT das escolas do município de São Paulo encontraram essa manhã nos CEUs da cidade. Onde foram chamados para participar de um novo inquérito sorológico promovido pela prefeitura com os profissionais das escolas. Mas não é “só” falta de planejamento. É descaso de Covas e Padula com as nossas vidas mesmo.

segunda-feira 5 de abril| Edição do dia

Filas e aglomeração no CEU Sapopemba - Dora Mancini. Imagem circulando nas redes.

Na semana passada o prefeito Bruno Covas (PSDB), junto com seu secretário de Educação Fernando Padula, anunciou o retorno das aulas presenciais no município assim que a fase emergencial decretada pelo governador João Doria (PSDB) se encerrasse, o que está previsto para o dia 12/04. Um absurdo, pois sabemos que a situação da pandemia no município e no estado está longe de ser controlada e a reabertura das escolas sem condições de segurança sanitária no início de fevereiro levaram a explosão de casos de covid e mortes de trabalhadores da educação e até mesmo de alunos.

Veja mais: Problemas estruturais nunca resolvidos agravam insegurança de reabrir escolas

Pois bem, no final da semana passada Covas e Fernando Padula a anunciaram a realização de uma nova enquete sorológica para a Covid-19 entre os trabalhadores das escolas. O anúncio foi feito de forma completamente bagunçada, sem deixar claro se era ou não obrigatório, e o pior dessa vez os testes não seriam realizadas nas próprias unidades educacionais de cada trabalhador, mas em alguns poucos polos espalhados pela cidade, os CEUs. Isso mesmo, trabalhadores de várias escolas diferentes teriam que realizar os testes em um único lugar em um tempo bastante reduzido. O absurdo é tanto que os testes serão realizados entre hoje (05/04) e quinta-feira (08/04), mas somente no sábado a SME publicou uma lista que indicava os horários em que cada escola deveria ir ao polo. O que não ajudava em nada, pois de acordo com a (des)organização da SME isso implicaria que no período exíguo de duas horas fossem testados trabalhadores de 6 ou mais escolas o que na prática significa reunir centenas de trabalhadores a cada hora, milhares ao longo do dia. E como sabemos as dificuldades de realizar teste no país são grandes e com certeza os educadores das escolas compareceriam aos polos. Ninguém precisa ser especialista em logística para saber o que aconteceria. Caos, aglomeração e risco de contaminação.

E não foi diferente, desde antes das 10h da manhã (os testes estavam previstos para começar às 9h), já começaram a circular incontáveis denúncias e fotos que mostravam as aglomerações formadas e as filas intermináveis. Foram disponibilizados uma quantidade ínfima de testes e, evidentemente, em vários lugares os testes acabaram já no primeiro horário de testagem. Tiveram que parar de distribuir senhas e os portões foram fechados. Mostras do descaso com nossas vidas por parte de Covas e Padula, que colocaram milhares de trabalhadoras terceirizadas, professoras, mães do programa POT, agentes de apoio escolar e gestores em risco de contaminação e ainda fizeram um outro tanto de trabalhadores se descolarem atoa de suas casas.


CEU Butantã


CEU Aricanduva


CEU Casa Blanca

O fato é tão escandaloso que veículos da grande mídia, defensoras da reabertura a qualquer custo das escolas, como Bandeirantes e Globo, tiveram que noticiar. Mas essas cenas absurdas de desorganização e descaso que vemos hoje é parte da mesma política irresponsável de reabertura insegura das escolas que Covas, Padula, mas também o govenador João Doria (PSDB) e seu secretário de educação Rossieli Soares estão a todo custo impondo desde o início de fevereiro na cidade e no estado de São Paulo. E seguem fazendo questão de reabrir mesmo no pior momento da pandemia. Não deram condições mínimas de segurança sanitária nas escolas, diminuíram o quadro de trabalhadores e ainda manipulam os dados sobre contaminações nas escolas.


CEU Jd. Paulistano

Os educadores e educadoras do município de São Paulo seguem em greve por suas vidas e pelas da comunidade escolar desde meados de fevereiro contra essa irresponsável reabertura das escolas nesse momento. E muitos deles acabaram de ter seu direito de greve atacado com corte de ponto realizado por Covas e Padula, arrancando o sustento desses trabalhadores no meio da pandemia e com tudo muito mais caro. A mesma coisa acabou de acontecer, pelas mãos de Doria e Rossieli, com os professores do estado que estiveram em greve pelo mesmo motivo. O absurdo de hoje é mais um exemplo de irresponsabilidade e descaso com que esses governantes como Covas tratam nossas vidas e são sim responsáveis, lado a lado de Bolsonaro e o conjunto desse regime do golpe, pelo descontrole da pandemia.

Nós educadores e educadoras sabemos, junto com a comunidade escolar, da importância da educação, por isso mesmo nos desdobramos em mil durante o ensino remoto ano passado e lutamos agora para que os governos deem condições de acesso ao ensino remoto para todos os alunos e condições para os professores. Mas é por nos preocuparmos com nossas vidas e com as vidas de nossos alunos e familiares que nós do Movimento Nossa Classe Educação defendemos que sejam justamente os trabalhadores das escolas junto com a comunidade escolar e os trabalhadores da saúde, constituindo Comissões de Segurança Sanitária e Higiene, que decidam como e quando as escolas devem ser reabertas. E isso está ligado a uma série de medidas fundamentais como auxílio emergencial de ao menos um salário mínimo, vacinas para todos e testagem massiva da população.

O exemplo do que acontece no dia de hoje só reafirma a legitimidade da greve em defesa da vida e a urgência de que as entidades sindicais como o SINPEEM coloquem toda sua estrutura a serviço da luta das educadoras de São Paulo, que organizem um fundo de greve para que possamos continuar lutando e realizaem assembleias para decidirmos os rumos de nossa luta. Somente a nossa auto-organização entre a base e nossos instrumentos de luta com uma política de independência de classe poderá fazer nossa luta triunfar.

Veja mais: Declaração do Movimento Nossa Classe Educação - Nenhuma mãe sem sustento por lutar! Contra o corte de salário de Covas e Padula




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