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Fechamento de Hospitais

Abraço ao Hospital de Bonsucesso reúne centenas de trabalhadores

A realização do Abraço ao HFB realizado no dia de ontem(3) pelos funcionários e pelo sindicato, teve como ação à denúncia contra o fechamento do hospital, a transferência dos trabalhadores pra outras unidades por conta das reformas necessárias e a demissão dos terceirizados.

quarta-feira 4 de novembro| Edição do dia

Após o incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), zona norte do Rio, a partir do super aquecimento de dois transformadores na terça feira passada, dia 27 de outubro, foi realizado, na manhã do dia 3 de novembro, um Abraço dos trabalhadores no Hospital. Um incêndio fruto da precarização que perpassa toda a área da saúde, tendo o governo Bolsonaro efetuado um corte de 11% na verba destinada a unidade durante estes seus dois primeiros anos de mandato, além do descaso do Ministério da Saúde que havia sido alertado do risco do incêndio por conta do relatório produzido em Abril de 2019 por uma equipe de engenheiros, que mesmo constatando diversos problemas na estrutura de combate a incêndios do HFB, nada foi feito.

Por isso são responsáveis pelas 8 mortes decorrentes do incêndio, que ontem teve confirmados o falecimento de um bebê de apenas um ano de idade, além de um idoso de 93 anos. Bolsonaro, que já conta junto aos governadores com 160 mil mortes decorrentes da pandemia de COVID-19, isso somente em números oficias, tem de ser culpabilizado também por mais essa tragédia, que contam com a contribuição do desmonte da saúde no Rio de Janeiro efetuada por Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Pezão, Witzel e Crivella, enquanto flui o dinheiro público pros banqueiros e empresários, ao mesmo tempo que corta ainda mais o investimento neste direito básico da população, isto na semana das ameaças de levar adiante a absurda privatização do SUS.

A realização do Abraço ao HFB realizado hoje pelos funcionários e pelo sindicato, teve como ação à denúncia contra o fechamento do hospital, a transferência dos trabalhadores pra outras unidades por conta das reformas necessárias e a demissão dos terceirizados.

A professora da rede estadual em Nova Iguaçu, dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), Carolina Cacau, esteve presente no ato e denunciou os cortes no investimento na saúde, a precarização utilizada pra que o governo Bolsonaro justifique as privatizações nas Unidades Básicas de Saúde, além da absurda Lei do Teto dos gastos.

Durante o ato duas funcionárias do HFB também deram seus depoimentos ao Esquerda Diário, lamentando o descaso das autoridades que levaram ao incêndio e as mortes, e denunciando a situação de risco que se encontram hoje os trabalhadores terceirizados da unidade de perder seus empregos.

Funcionária 1: "Demoraram tanto pra resolver uma coisa que já sabiamos desde o ano passado, e precisou morrer pessoas pra que agora começem a querer resolver alguma coisa. Então, isso me entristece muito pela questão humana. Se tinha algo superaquecendo e já era algo notório, porque deixar chegar aonde chegou? Não precisávamos disso. A gente não sabe se tem interesses espúrios em relação a isso, mas o importante são as vidas, e o que se pôde fazer pra tirar aquelas vidas lá de dentro foi feito. O emocional dos funcionários devem estar abalados, essas famílias com as perdas também devem estar sofrendo muito, e tudo por conta do descaso."

Funcionária 2: "Outra coisa que eu queria colocar é a questão dos funcionários temporários, que estão agora com a corda no pescoço, porque estão na incerteza de perder seus empregos, tem funcionários com 16 anos de HFB que era do Certame do NERJ, que queremos que seja suspenso, pois foi feito uma seleção que achamos duvidosa, e muitos funcionários que são do Hospital pelo NERJ ficaram de fora, mesmo tendo vários anos de experiência. Essas pessoas estão sofrendo muito porque muitos tem apenas esse vínculo empregatício, não trabalham em nenhum outro lugar e estão em risco agora de perder seus empregos, por conta do incêndio que atingiu o hospital."

Este cenário desolador não é puro acaso, foi preparado pela ofensiva dos capitalistas e de distintos governos que servem ao interesse dos de cima pra descarregar a crise sanitária e econômica em curso nas costas da classe trabalhadora carioca e dos setores oprimidos. Por isso, temos que lutar contra a privatização do SUS e a falta de investimentos a partir do não pagamento da dívida pública e a estatização e administração de todo o sistema de saúde sob controle dos trabalhadores, para dar um basta em todas estas mortes evitáveis, fruto da ganância e das reformas aprovadas por Bolsonaro, Mourão e todo o congresso fruto do golpe de 2016. Para que nossas vidas valham mais que o lucro deles, e que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Todas imagens deste artigo foram tiradas pela redação do Esquerda Diário.




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