TERCEIRZAÇÃO

Abaixo às demissões de terceirizadas, maioria de mulheres negras, em meio à pandemia

segunda-feira 22 de março| Edição do dia

Foto: Reprodução

A terceirização já era, antes da pandemia um reflexo da precarização do trabalho e dos ataques às mulheres e negros, aqueles que majoritariamente ocupam estes postos de trabalho, ainda mais desde a aprovação da Lei da Terceirização Irrestrita no Governo Temer.

Na pandemia, esse abismo das condições de vida e dos direitos trabalhistas cresceu ainda mais. Dados do IBGE divulgados no início de março mostraram que mais de 50% das mulheres com 14 anos ou mais, economicamente ativas, estavam sem empregos no Brasil no final de 2020. E frente a este dado, podemos afirmar categoricamente que as mais afetadas pelas demissões são as trabalhadoras negras, e principalmente as terceirizadas.

Mas é este mesmo medo de perder seus empregos que faz com que muitas trabalhadoras terceirizadas tenham sido obrigadas a encarar as situações mais arriscadas e precárias na pandemia.

Foram vários os casos nas universidades públicas ao redor do país de trabalhadoras mortas não apenas pela Covid, mas pelo descaso de suas chefias que não deram nenhum tipo de garantias de sua saúde.

Nos hospitais, não foi diferente, como por exemplo em Pernambuco. Nas vésperas do 8 de Março, trabalhadoras terceirizadas da saúde no estado, estavam há 2 meses sem receber salários->https://www.esquerdadiario.com.br/Terceirizados-da-saude-no-Pernambuco-estao-a-dois-meses-sem-salario], trabalhando na linha de frente do combate à pandemia.

Em 2020, o Esquerda Diário denunciou que as trabalhadoras da limpeza na USP estavam comprando os próprios EPIs, e trabalhando em escalas normais na limpeza das universidades, sem liberação de trabalhadoras do grupo de risco.

Agora, em 2021, o retorno das aulas promovido por Dória custou a vida de alunos, professores e também de uma trabalhadora terceirizada na Zona Leste da cidade. Também neste ano, na Unicamp, duas trabalhadoras terceirizadas do Bandejão morreram após um surto de Covid entre trabalhadores e trabalhadoras.

Foi de Covas e Doria que também surgiram planos de redução dos quadros de limpeza nas escolas, demitindo trabalhadoras terceirizadas e sobrecarregando as que ficaram. Assim como em seus governos, as trabalhadoras terceirizadas da saúde, não tiveram garantidas vacinas nos hospitais.

Na Faculdade de Odontologia da USP, no início de 2021, as trabalhadoras terceirizadas se organizaram para impedir a demissão de dezenas de trabalhadoras pela chefia da empresa INTERATIVA. Foi com base em uma paralisação, que colocaram a chefia contra a parede para impedir este ataque. Em Manaus, as trabalhadoras deram um exemplo similar, paralisaram os serviços contra meses de atraso salarial.

Este exemplo da FOUSP deve servir para apontar o caminho de impedir que governos e chefias em todo o Brasil ataquem as trabalhadoras terceirizadas. Afinal, com base na própria luta, se organizando contra a chefia, as trabalhadoras garantiram seus interesses.

É preciso, com base na organização de trabalhadoras terceirizadas e efetivas, nas escolas, universidades e outros locais de trabalho ao redor do Brasil, batalhar para impedir toda e qualquer demissão, ainda mais neste momento de pandemia. Enquanto o desemprego cresce, os preços de alimentos e os custos de vida crescem, é preciso colocar abaixo todas as tentativas de jogar famílias na rua.

Só com base na luta, e na organização destas trabalhadoras, tão essenciais e ao mesmo tempo tão invisibilizadas por governos e patrões, que poderemos vingar cada uma das mortes de mulheres negras, trabalhadoras, que nos deixaram pela política e pelo assédio de chefias e dos governantes que fazem tudo em nome da garantia dos seus lucros.

É também por sabermos que a precarização do trabalho tem rosto de mulher, e de mulher negra, como bem mostra a terceirização, que a batalha para que todas as trabalhadoras terceirizadas sejam efetivadas é parte das lutas do Esquerda Diário nacionalmente. Nas universidades, nos postos de saúde, nas escolas e no setor privado, é preciso batalhar contra essa divisão que super explora negros e mulheres.

Veja também: Estudantes da Unicamp impulsionam vaquinha para as famílias de Edvânia e Lurdes

As condições que hoje estão sujeitas trabalhadoras terceirizadas no país inteiro se fortaleceram desde a Terceirização Irrestrita no Governo Temer, e mais ainda com Bolsonaro e todos os políticos golpistas. Por isso é uma tarefa tão central para a classe trabalhadora se colocar lado a lado com as trabalhadoras terceirizadas, assim com é fundamental que a juventude seja parte de fortalecer essas fileiras, para lutar contra todas as demissões, contra Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas que querem seguir descarregando as contas da crise em nossas costas.

Pode interessar: Live de lançamento do livro "Mulheres negras e marxismo", no dia 26/03 às 19h

Neste espírito de luta, e de defesa incondicional de cada uma das lutas das trabalhadoras terceirizadas, fazemos o convite para a Live de lançamento do livro Mulheres Negras e Marxismo, organizado por Letícia Parks, Carolina Cacau e Odete Assis, no próximo dia 26/03, sexta-feira, as 19h, no Esquerda DIário no Youtube. Uma verdadeira arma para a luta das mulheres negras contra a precarização do trabalho pela transformação da sociedade, que sirva pela batalha da unidade entre efetivos e terceirizados, mulheres e homeNs, negros e brancos, na luta por todos os direitos para as trabalhadoras terceirizadas




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