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Abaixo a repressão de Duque na Colômbia! Todo apoio à luta da juventude trabalhadora!

terça-feira 4 de maio| Edição do dia

Nesta segunda-feira, o assassinato do jovem colombiano Nicolás Guerrero chocou o país. Policiais em Cali, em Valle del Cauca, chegaram para reprimir um protesto pacífico no bairro Siete de Agosto, no domingo à noite.

O jovem de 22 anos foi baleado na cabeça por agentes da Brigada Móvel Anti-Distúrbio (ESMAD) e morreu na manhã de segunda-feira cedo.

Como Nicolás Guerrero, as organizações de direitos humanos afirmam que pelo menos 26 pessoas foram mortas pela polícia durante os protestos que começaram em 28 de abril. Centenas de pessoas foram feridas, desapareceram e foram abusadas pelas forças repressivas.

A Ouvidoria colombiana informou oficialmente o número de 19 pessoas que morreram durante os protestos contra a reforma tributária do governo, além de cerca de 800 feridos.

"De acordo com os registros que a Defensoria do Povo tem, até agora há 19 mortos em Valle del Cauca, Bogotá, Neiva, Cali, Soacha, Yumbo, Ibague, Madri (Cundinamarca), Medellín e Pereira", disse a entidade em uma declaração.

A repressão brutal capturada em vídeos que viajam através de redes sociais e canais de televisão, é amparada pelo topo do Executivo colombiano. O objetivo é acabar com a rebelião contra o Governo de Iván Duque com base em uma repressão criminosa.

Com total impunidade, o Ministro da Defesa, Diego Molano, disse que "a Colômbia enfrenta a ameaça terrorista de organizações criminosas, disfarçadas de vândalos, assediando cidades como Cali, Bogotá, Medellín, Pereira, Manizales e Pasto para desestabilizar". Diz isso para justificar a repressão, os assassinatos e a ordem de intervenção do exército contra os protestos.

Usando a linguagem de uma suposta "guerra ao terrorismo" com a qual durante anos o assassinato de líderes sindicais, sociais e camponeses ficou impune, o Ministro Molano justifica a violação do direito de protesto. Assim, o governo declarou uma guerra contra milhões de trabalhadores, jovens e o povo pobre que se rebelaram para defender seus direitos.

O empoderamento da polícia na Colômbia não é novidade. Durante anos foi um braço do exército na guerra contra a insurgência que impôs seu terror nas cidades, e continuou a ser assim, algo que se reflete no fato de responder ao Ministério da Defesa.

Um exemplo desta militarização são os Comandos da Selva, unidades de polícia militar que supostamente combatem o tráfico de drogas e estão intimamente ligados a agências norte-americanas como a DEA e foram formados por agentes do Serviço Aéreo Especial do Exército Britânico (SAS).

Hoje, nas ruas, vemos estes policiais preparados para a "guerra interna" contra o descontentamento social. Algo que foi visto nos dias da Greve Nacional, em novembro de 2019. Na ocasião, Dylan Cruz foi morto pela Brigada Móvel Anti-Distúrbio (ESMAD).

Homicídios e abusos pela polícia colombiana não são novidade: entre 2017 e 2019, houve 639 homicídios por membros das Forças Armadas, Polícia e serviços de inteligência, de acordo com a ONG Temblores.

Isto em um contexto de repressão em muitos casos dirigido contra referências sociais, entre 2016 e 2020, há 971 indígenas, camponeses, sindicalistas, mulheres e ambientalistas, mortos por forças estatais ou para-estatais ligadas à direita.

Em setembro de 2020, manifestações atravessaram o país, sendo o principal estopim o assassinato de Javier Ordoñez, um advogado de 43 anos, preso por suposta violação da quarentena. O vídeo da prisão viralizou e causou indignação porque a polícia lhe deu vários choques elétricos com uma pistola taser. Ele foi então levado a um Comando de Atención Inmediata (centros que servem como delegacias de polícia), onde morreu. Nessa ocasião o Presidente Iván Duque defendeu enfaticamente a polícia "sob nenhuma circunstância podemos aceitar como país que os policiais sejam estigmatizados, que sejam chamados de ’assassinos’".

A declaração do Ministro da Defesa, apoiando a violência das forças repressivas, não é acidental. Apesar da retirada da reforma tributária anunciada pelo Presidente Iván Duque neste domingo, protestos e manifestações continuaram em diferentes cidades. O Comitê Nacional de Greve pediu mobilizações contínuas e uma manifestação nacional em 5 de maio.

A continuidade dos protestos e os apelos dos comitês departamentais, assim como de diferentes organizações para continuar a luta, tornam urgente a preparação de uma verdadeira greve geral, paralisando toda a produção e serviços como o transporte, até que o plano da Duque seja derrotado.

A rebelião na Colômbia é expressão de exigências econômicas e sociais muito profundas. A juventude trabalhadora, precária e desempregada, e a população que cada vez mais se vê na linha da pobreza, está questionando nas ruas um governo de direita apoiado por Bolsonaro, e peça chave na interferência dos Estados Unidos na América Latina. É sumamente importante para a América Latina que um país como a Colômbia esteja atravessando protestos que em muitos aspectos lembram a rebelião que sacudiu o Chile em 2019.

Não se trata apenas de uma reforma tributária; o modelo neoliberal, que durante anos foi sustentado pelo terror da suposta "guerra contra as drogas" e que hoje está sendo implantado com violência contra milhões de pessoas que saem para as ruas, está sendo questionado.

Esta luta deve incluir as exigências de punição de todos os responsáveis pela repressão, tanto os membros das forças repressivas quanto os politicamente responsáveis. Além disso, a exigência do fim dos acordos com os Estados Unidos que militarizaram o país e a dissolução da polícia, pode ser um motor para continuar a luta contra o governo.

Viva a luta do povo colombiano! Basta de repressão do governo Duque: punição a todos os responsáveis civis, policiais e militares!




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