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Morreu aos 73 anos | A trajetória do filhote da ditadura Joaquim Francisco

No dia de ontem morreu o ex-governador do estado e também ex-prefeito do Recife Joaquim Francisco. Paulo Câmara (PSB) exaltou-o - assim como ministros do governo Bolsonaro - e João Campos (PSB) decretou luto pelo fato. A grande mídia local tenta criar um clima de comoção. Até mesmo Marília Arraes elogiou a suposta capacidade de diálogo do político. Mas a verdade mesmo é que Joaquim Francisco constituía a pior laia de políticos pernambucanos filhotes da ditadura.

quarta-feira 4 de agosto | Edição do dia

Joaquim Francisco é um típico filhote da ditadura. Sua entrada na política se deu ainda na década de 60, durante a gestão estadual de Nilo Coelho, governador biônico da ditadura e tio do atual líder do governo Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Antes disso, já tinha se filiado na ARENA, o partido dos militares, visando ascender na máquina pública no regime que matou, perseguiu e torturou trabalhadores, camponeses, ativistas, militantes, artistas e intelectuais. Sua família não era muito melhor: seu tio foi governador biônico do estado entre 1975 e 1979. Isso por si só já seria suficiente para mostrar o caráter dessa figura desprezível, mas não para por aí.

Na primeira eleição pós ditadura apoia Roberto Magalhães do PDS, partido que tinha surgido a partir do Arena e do qual Joaquim também fazia parte. Como "recompensa" por seu apoio, é indicado como prefeito do Recife.

Logo após, vai ser deputado constituinte, tendo um papel chave na aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, um dos pilares do neoliberalismo brasileiro nos anos 80 e 90, responsável por inúmeros ataques aos trabalhadores. Para complementar, ainda apoia Fernando Collor para presidência em 89 outro oligarca filhote da ditadura do estado vizinho de Alagoas.

Ganha o governo do estado na eleição seguinte. Honrando sua atuação como deputado, aprova fortes ataques neoliberais, como a privatização do Bandepe, deixando uma série de trabalhadores desempregados e entregando o patrimônio público de bandeja.

Depois de entregar o patrimônio público pernambucano ao imperialismo, vai diretamente trabalhar com o mesmo no Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), instituição ligada ao Banco Mundial. Cabe lembrar que o Banco Mundial, junto com o FMI foi responsável por elaborar o consenso de Washington, que indicava medidas neoliberais para América Latina, que resultou num aumento exponencial da pobreza e da desigualdade no continente. No Brasil não foi diferente, e o Nordeste foi uma das regiões mais atingidas do país.

Sua passagem ainda incluiu 6 anos no PSB, entre 2009 e 2015. Como todo bom parasita da máquina pública, aproveitou o fortalecimento do partido no estado para fazer sua carreira. Depois disso, foi para o PSDB. Para encerrar sua participação na política, cogitou ainda ser o candidato de Bolsonaro para prefeito no Recife ano passado, mas desistiu. Após isso, chamou apoio ao reacionário Mendonça Filho.

Apesar de todo o clima que tanto o PSB como a mídia querem criar, o verdadeiro legado de Joaquim Francisco para os pernambucanos e recifenses é o citado acima, ou seja, ataques aos direitos dos trabalhadores, aumento da pobreza e piora das condições de vida. É a isso que Marília Arraes acha que "Pernambuco e o Recife têm uma enorme gratidão". Também seria interessante questionar qual é capacidade diálogo exaltada pela petista. Seria o diálogo da ditadura militar, na base da "porrada" ou a imensa capacidade político do ex-governador de se adaptar as condições políticas para manter-se usurpando os recursos do estado? Fica o questionamento à Marília e a certeza que os trabalhadores e setores oprimidos não tem de nutrir nenhuma simpatia por esse filhote da ditadura.




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