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A todos os aeroviários, apresento a Bancada Revolucionária: um relato urgente

domingo 15 de novembro| Edição do dia

O relato é das 23 horas, mas não poderia deixar o dia acabar sem expressar o porquê cada aeroviário precisa votar na bancada Revolucionária. Sim, é um pouco em cima da hora, mas todo aeroviário sabe bem a diferença que faz um minuto na aviação. Aos “45 do segundo tempo” ainda é tempo do leitor se convencer de como o voto na Bancada Revolucionária pode ter um resultado histórico para fortalecer uma política que não se coopta, não se rende nem se vende. Que colocou todas suas forças militantes para defender os trabalhadores e lutar contra essa sociedade que tanto nos tira, que é o capitalismo.

Nos aeroportos as companhias aéreas nos tiraram os empregos, os direitos, nos tiram o convívio com a família e amigos, nos tiraram o sono e inclusive o por do sol. No meu caso - e de muitos - só tenho o prazer de apreciá-lo a cada 6 dias quando folgo do turno da tarde/noite.

São onze horas da noite, sai de casa para o trabalho eram dez horas da manhã: o dia todo no aeroporto somando dois empregos e horas extras. A jornada de 8h diárias com 2 folgas por semana, uma demanda do século 19, hoje parece um sonho distante para os aeroviários. Atualmente eu e muitos dos meus colegas somamos empregos em jornadas ininterruptas onde as folgas não batem e é normal turnos de mais de 10 horas.

Enquanto lidamos com a pressão do tempo, dos passageiros que gritam e nos humilham, da chefia que quer tirar nosso couro, da correria, das horas em pé, das agressões (vale a denuncia de como vários funcionários estão sendo agredidos por passageiros devido à política das companhias aéreas de fazer sobrevenda, e os funcionários não tem qualquer respaldo das empresas e chefias diretas).

As empresas fazem de tudo para nos roubar, não pagam horas extras, mas pedem que façamos todos os dias com o peso de se recusamos sermos taxados e pressionados, são inúmeros os relatos em todas as empresas (terceirizadas e companhias aéreas) de não pagamento de vale refeição e vale transporte, de atrasos. É comum nas terceirizadas que recentemente contrataram o funcionário começar a trabalhar em um dia e ter seu registro em carteira dias depois.

São milhares os relatos desse roubo diário do nosso tempo, da nossa energia vital, da nossa coluna, do nosso salário, suado, para conseguirmos sobreviver num mundo cada vez mais caro. Por isso temos que falar a verdade, quem nos rouba são os capitalistas, as empresas! Outro dia uma colega de trabalho da terceirizada me disse “terceirização é uma humilhação”, sim, somos humilhados, as mulheres ainda mais. Mas como outro colega me disse um dia “nem coca cola vive de pressão” e tenho convicção que hoje o aeroporto é uma panela que vai estourar.

A cada canto tem um grupo de funcionários “conspirando”. Nesta terça enquanto corria atendendo um passageiro por minuto, resolvendo problemas e despachando mala, minha colega disse que ia sair direto ao hospital, pois havia travado as costas, no mesmo momento outro colega levou um soco no peito de um passageiro e eu percebi que tremia de tão rápido que tentava atender, pois a fila só crescia já que com tantas demissões não há funcionários suficientes. Para qualquer um que ainda tem sangue nas veias esse cenário enfurece, e se enfurece temos que fazer algo, e com certeza não vai ser confiando em políticas que querem dizer de novo em conciliação “onde todos ganham”.

Não! Nessa sociedade de classe só uma pode ganhar, e eu prefiro apostar na classe trabalhadora junto a Bancada Revolucionária, porque as novas gerações precisam ter o direito ao sol e a vida plena.

Mas, como nada é isento a contradições, cada dia que entro no aeroporto e vejo como as empresas, que para seguirem lucrando após a pandemia, estão terceirizando e precarizando tanto, que a divisão entre funcionários “orgânicos” e terceirizados vem sumindo, e se tornando uma grande massa de precários onde a mesma pessoa é terceirizada e efetiva.

Onde todos se conhecem e vivem o dia todo (literalmente) no aeroporto. Essa precarização de uma posição tão estratégica como o aeroporto, essa mescla dos setores, e esse convívio, fortalecem uma categoria já de per si fortíssima. Quase todos os dias me emociono com a força de cada colega, e com cada expressão de solidariedade, que nenhum burguês individualista é capaz de entender. Quando o motorista de ônibus dá carona para os colegas que não receberam, quando levamos água e comida um para o outro, quando nos incentivamos, ou vemos alguém casado e dizemos “deixa comigo”.

Esse vínculo, e essa força social é uma massa potencialmente explosiva. É dela que Bolsonaro, Mourão morrem de medo. Todos trabalhadores precisam conhecer as idéias da Bancada Revolucionária, por isso nesse domingo vou votar na Bancada e chamo todos a votarem, para não nos tirarem mais nada e não termos nunca mais que abaixar a cabeça.

“Maldição ao Rei, rei dos ricaços,
Da miséria faz tão pouco caso;
Nos roubou até o último centavo
Para nos lançar nos braços do carrasco –
Nós tecemos e tramamos!

Maldição à Pátria desamada,
Onde o escárnio e a humilhação se alastram;
Onde a flor que flore é logo estraçalhada;
Onde a podridão seus vermes amealha –
Nós tecemos e tramamos!

Voa a lançadeira no tear,
Noite e dia, trabalhamos sem parar –
Alemanha, nós tecemos tua mortalha,
E tramamos nossa tripla maldição,
Nós tecemos e tramamos!”
Heinrich Heine – “Os tecelões da Silésia”




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