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Denúncia | A superexploração dos jovens trabalhadores na multinacional Atento

A Atento é uma empresa multinacional de Contact Center pertencente ao fundo de capital de risco Bain Capital. A empresa de matriz espanhola tem seus lucros ancorados na crescente precarização do trabalho. Sobram denúncias de trabalhadores doentes psicologicamente por que são submetidos a pressões, coações e metas inatingíveis.

segunda-feira 3 de janeiro | Edição do dia

Um dos maiores clientes de serviço prestado pela Atento Brasil é o Banco Itaú, que em plena pandemia teve seus lucros já astronômicos elevados ainda mais, provando mais uma vez que é nas costas do trabalhador que a crise está lançada. Muitos trabalhadores que prestam serviços pra esse banco são forçados a endividar outros trabalhadores pobres pra ter algum dinheiro a mais no fim do mês convencendo-os a fazer empréstimos, parcelamentos, seguros, uma vez que a Atento paga o mínimo possível tornando a comissão essencial para complementar o salário.

A empresa usa de manobras montando regras em que os funcionários tenham uma grande probabilidade de perder tudo o que produziram durante o mês possibilitando que a empresa não os pague nenhum centavo. Nos corredores e nos banheiros é constante notar rostos tristes, estressados e pressionados. Choros, surtos, atritos e os chamados feedbaks são parte da rotina dessa categoria de trabalhadores. A empresa, que diz vestir a camisa de causas de minorias, tem um quadro de funcionários com um perfil bem parecido: são negros, jovens, maioria mulheres, lgbtqia+, pobres e que enfrentam problemas em casa por sua sexualidade ou que precisam pagar aluguel /e/ou faculdade tornando ainda mais difícil sair da empresa.

É nefasta essa dinâmica do capitalismo onde uma empresa que terceiriza trabalho para um banco tenha seus lucros garantidos pela exploração da juventude já atacada por governos anteriores, aprofundado após o golpe institucional de 2016 resultando no massacre protagonizado hoje pelo governo Bolsonaro e Mourão. Recebemos relatos de trabalhadores do atendimento que produzem e batem metas porém não recebem os valores, relatos de que, com a pandemia, o quadro de funcionários da limpeza diminuiu com os afastamentos do grupo de risco mas não houve reposição de contingente, forçando os que ficaram desempenhar jornadas exaustivas e sofrerem (alguns) remanejamento de horário para cobrir o espaço deixado pelos demitidos e/ou afastados.

O banco Itaú, registrou lucro líquido contábil de R$ 5,780 bilhões no terceiro trimestre de 2021, um crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando reportou ganhos de R$ 4,492 bilhões. A Atento por sua vez também teve um aumento de lucro. Apresentou crescimento de 17,6% na receita do seu segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período de 2020. Foram US$ 382,7 milhões no período, quando apenas as novas vendas já atingiram um Valor Total Anual de US$ 226 milhões, aumento de 148% ano a ano e enquanto isso os trabalhadores seguem recebendo balas e doces como bonificações em atingimento de metas sem ter participação no repartimento dos lucros. Um absurdo!

Não por coincidência a Atento (empresa Europeia espanhola) mostra essa podridão do capitalismo imperialista que estrategicamente beneficiando de super-exploração em países com leis trabalhistas mais vantajosas para os patrões possibilitando que ela lucre ainda mais nas costas dos trabalhadores com a precarização. Dos 12 países onde está presente ao menos 9 estão situados na América Latina e isso está ligado diretamente a estrutura de um capitalismo imperialista que é o que vivemos hoje. O suor no rosto na América Latina paga lucros e dividendos em Madri.

Assim como acontece ao redor do mundo a crise capitalista está sendo descarregada nas costas dos trabalhadores. Essa empresa que teve as atividades interrompidas durante um suposto ataque Hacker, tentou tirar parte do seu prejuízo atacando os direitos dos operadores com ameaça de descontar do banco de horas dos mesmos o tempo em que não atenderam ligações mesmo sem terem nenhuma parcela de culpa pelo problema. A exigência de atender 1.000 ligações ao mês tem total relação com inibir o trabalhador caso precise faltar (mesmo por motivo de saúde e com atestado médico) forçando-o a repor as ligações não atendidas caso falte ou até mesmo trabalhar doente por medo de perder a comissão.

A fila de desempregados, a fila do osso e a carestia de vida são fatores usados a favor das empresas capitalistas pois é sempre vomitado aos trabalhadores que é melhor estarem ali naquelas condições, ao invés de lançados a sorte lá fora. Também nunca os deixam esquecer que, caso saiam, a realidade capitalista sempre fará com que haja mais pessoas querendo entrar na empresa por não terem outra opção.

Toda essa realidade que a juventude trabalhadora brasileira está submetida não tem como ser mudada de maneira individual. A oposição a esse sistema precisa ser não só coletiva como também internacionalista por que como sabemos a exploração da nossa classe pelos ricos não se limita ao território nacional, muito pelo contrário. Os EUA foi palco nos últimos meses da maior onda de greves de trabalhadores desde os anos 80 contra a opressão patronal numa luta por sindicalização e direitos trabalhistas. Precisamos tomar como exemplo as lições das lutas dos trabalhadores ao redor do mundo e garantir a melhoria do nosso futuro.

Com a crise lançada encima dos mais pobres o horizonte da juventude pobre se torna cada vez mais nebuloso com a baixa perspectiva de entrar na Universidade, ter um emprego ou sonhar com uma vida que não seja resumida em trabalhar longamente para pagar contas e comprar comida. É uma miséria do possível mesmo. Podemos nos inspirar nos grandes exemplos da luta de classes internacional e na história da luta revolucionária dos trabalhadores, nossa força está nisso e não nos projetos de conciliação de classes com a burguesia e representantes de tantos ataques aos trabalhadores e a juventude como Alckmin agora cotado para vice de Lula. É com esse espírito que o Esquerda Diário, o MRT, junto à juventude Faísca Revolucionária, debateu no mês de dezembro (dias 10, 11,12) a refundação da Juventude frente ao cenário atual do país e as perspectivas para juventude em meio a essa crise do país e ilusões na conciliação de classes com relação às eleições de 2022.

Chamamos os leitores trabalhadores de telemarketing a acompanhar o Esquerda Diário e enviar suas denúncias para mostrar a verdadeira face da burguesia que para manter seus privilégios exploram a nossa classe.




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