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A serviço de que deve estar a plenária dos três setores da USP?

Em um momento de ataques profundos aos trabalhadores e estudantes, esses setores demonstram cada vez mais sua disposição de luta, como vimos nos atos do dia 29 de maio, e mais recentemente no dia 19 de junho, onde estudantes e trabalhadores foram para as ruas dizendo que se a gente está protestando é porque o governo é mais perigoso que o vírus, fazendo referência a população colombiana que saiu às ruas dando um basta a todos os ataques e miséria colocadas pelos governos.

quarta-feira 23 de junho | Edição do dia

Não só os estudantes demonstraram muita força nessas mobilizações contra os cortes na educação e contra Bolsonaro, mas também vemos processos em que, mesmo em pequeno, muitos trabalhadores mostram disposição de luta, como a paralisação das trabalhadoras Terceirizadas da LG e a mais recente luta do metrô em São Paulo.

A luta é contra o genocida e negacionista Bolsonaro, contra todos os cortes a saúde e educação, e contra todo o descaso com as nossas vidas em meio à pandemia, a "gripezinha" de Bolsonaro que deixa mais de um milhão de mortos em nosso país. Mas também vemos o quantos os setores que se dizem oposição como Doria também não fornecem testes, leitos e vacinas para todos.

Segue a batalha por vacina para todos, algo básico se realmente o intuito fosse salvar vidas, mas no sistema capitalista que vivemos os governos estão mais interessados em salvar os lucros dos grandes empresários.

Os metroviários, que trabalharam durante toda a pandemia sofrendo inúmeros ataques trabalhistas do metrô e do Doria, já colocavam fortemente em suas mobilizações a defesa de vacinação para toda a população, e vemos o quanto é fundamental a defesa dessa pauta quando nos deparamos com o exemplo dos estagiários da área da educação, que atualmente se encontram em um impasse, onde em tese há vacina para os profissionais da educação, mas na prática muito estagiários que já trabalham híbrido ou presencial não estão conseguindo ter acesso.

Os metroviários mostram o caminho que devemos seguir: somente a unidade entre estudantes e trabalhadores, contra nossos inimigos em comum, por vacina para todos e contra todos os cortes e reformas, é o que vai garantir que sejam priorizadas as nossas vidas, e não os lucros.

Na quinta-feira, ocorrerá a plenária dos três setores da Universidade, um espaço que deveria ser construído para unir estudantes, professores e funcionários e para pensarmos juntos como unir forças em torno das nossas demandas, refletindo formas de nos unificarmos com a luta dos metroviários e de todos os trabalhadores, contra Bolsonaro, Mourão e todos os militares, sem nenhuma confiança que a saída virá pelas mãos do Congresso, STF ou Doria, mas com o peso da nossa luta.

Mas não é assim que está sendo construído. Até a presente data deste artigo, nosso DCE composto pelo PT, PCdoB e Levante não fez nenhum chamado aos estudantes para estarem na plenária, não fez nenhuma convocação. Esse não pode ser um espaço formal de discussão no momento em que estamos sendo atacados nacionalmente e que aqui na USP estamos sentindo na pele. Mas infelizmente é um espaço formal o que está se desenhando, a começar pelo próprio horário em que foi chamada: quantos de nós estamos em aula ou no trabalho nas primeiras horas da manhã em um dia de semana?

Essa plenária deveria ser amplamente convocada em toda a USP, para que o máximo de estudantes, professores e funcionários pudessem estar presentes e opinar sobre os próximos passos da luta. Deveríamos debater como nossa luta na universidade se liga com a luta contra os cortes, as reformas e as privatizações a nível nacional e com qual estratégia devemos seguir nossa luta, pois vemos hoje o papel que cumpre as direções dos sindicatos e das entidades estudantis (dirigidas pelo PT e PCdoB, e também o Levante Popular na UNE), que não fomentam nossa luta, mas sim buscam desgastar Bolsonaro e cooptar nossa disposição de luta pra uma linha eleitoral de eleger Lula em 2022.

Nós da Faísca denunciamos fortemente o golpe que aconteceu em nosso país, e o absurdo que foi a prisão arbitrária de Lula e todo o autoritarismo do STF, mas não acreditamos que a saída contra todos os ataques e a luta pela revogação das reformas está em confiar em um eleição de Lula, que quando foi governo fez todos os tipos de aliança com setores da direita e que foram parte, inclusive, de apoiar o golpe institucional em nosso país. Não acreditamos na estratégia de conciliação com patrões que querem garantir seus lucros enquanto temos meio milhão de mortos no país, com milhões de desempregados e outros milhões de pessoas na miséria.

As direções das Centrais Sindicais e das entidades estudantis buscaram frear nossa luta durante toda a pandemia, e agora com as recentes mobilizações buscam cooptar a nossa força para uma estratégia eleitoral, e isso não podemos aceitar, a necessidade da nossa luta se coloca hoje e agora!

Infelizmente, setores da esquerda como PSOL se adaptam cada vez mais a lógica institucional, e por mais que correntes desse partido expressem visões táticas diferentes (como é o caso da Resistência e do MES), vê-se o acordo estratégico em não confiar na força das ruas e dos trabalhadores e estudantes organizados em cada local de trabalho e estudo, e uma profunda confiança e adaptação ao regime pós-golpe e as instituições burguesas, seja defendendo desde já uma linha pró-Lula, mais ou menos abertamente, seja defendendo o impeachment, que colocaria Mourão no poder como uma saída. No fim, todas se subordinam à política eleitoralista do PT, se adaptando às burocracias sindicais e estudantis em nome de uma aliança para 2022, encobrindo a estratégia absurda dessas burocracias, e também não realizando espaços de autoorganização onde são direção.

Entre os setores da esquerda também encontramos PSTU, que até hoje não reviu sua linha de apoiar o golpe institucional e a prisão de Lula, e segue na sua estratégia de não realizar nenhuma exigência às direções, o que na prática leva a uma profunda adaptação ao regime. Também há a UP, corrente de tradição stalinista que não só não realizam exigências as burocracias, como foram contra que os estudantes exigissem, além de utilizarem o mesmo método político que esses setores, construindo assembleias-lives antidemocráticas e sem o direito de expressão a todos, que passavam longe de fomentar uma verdadeira organização dos estudantes.

A UNE, junto com a participação de todos esses partidos, acabou de chamar uma nova manifestação só para daqui a um mês!! Fica cada vez mais claro a estratégia de utilizar as forças de nossa luta nas ruas para simplesmente desgastar Bolsonaro, esfriando aos poucos nossa mobilização para que se torne inofensiva. Outros setores falam que vão propor o dia 10J, como se a discussão fosse somente em torno das datas, e não do conteúdo dessas manifestações. Nossa discussão não deve ser se a manifestação será em um fim de semana daqui a um mês ou 20 dias, e sim que seja chamada pra já, em um dia da semana, que as centrais sindicais chamem um dia de paralisação nacional e que todas as direções construam assembleias de base para eleger delegados para um comando nacional de luta! Devem ser os estudantes, e não suas direções tomando decisões desde o alto, a ser parte de opinar e organizar os rumos da nossa mobilização.

Vale lembrar que a UP, PCB e PSOL estão juntos com os partidos burgueses REDE e PDT, e os partidos de conciliação e PT e PCdoB, na coligação do mandato de Edmilson Rodrigues em Belém, que já tem engatilhada uma Reforma da Previdência no município. Esse é um exemplo do lado oposto que a esquerda deveria seguir, e só demonstra aonde a estratégia de conciliação e aliança com setores de direita leva.

A plenária que vai ocorrer na USP deveria estar a serviço de debater sobre essas ideias, assim como outras inúmeras plenárias que deveriam estar acontecendo no país, porque os estudantes e os trabalhadores tem muito sangue nos olhos e muito ódio de toda precarização que estão fazendo com as nossas vidas, mas para nossa força fazer a diferença e mudar a realidade ela precisa ser organizada.

A batalha por esse conteúdo é o que nós da Faísca, com outros companheiros independentes, estamos dando nas eleições para Centro Acadêmico da Faculdade de Educação da USP (CAPPF) com a nossa chapa Transformar a Dor em Luta, levando esse debate estratégico fundamental a se ter na esquerda, e fazendo um debate com a chapa Esperançar, composta pelo Afronte, UP e estudantes independentes, sobre qual saída para a crise devemos ter, e qual o papel de um Centro Acadêmico no momento em que estamos. Para nós, isso passa por fomentar a nossa organização contra o sucateamento da educação e toda a precarização gerada pelo ensino remoto, em defesa de vacina para todos os educadores estagiários, e em forte unidade com os professores e funcionários, e com todos os trabalhadores de fora dos muros da Universidade.




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