Gênero e sexualidade

JUSTIÇA MACHISTA PROTEGE EMPRESÁRIO

A sentença de estupro culposo de Mari Ferrer é a cara do judiciário machista, diz Diana Assunção

No caso do estupro de Mariana Ferrer pelo empresário André de Camargo Aranha uma escandalosa sentença de “estupro culposo” (supostamente sem intenção) foi dada pelo juiz, livrando o acusado de qualquer punição, e com cenas de humilhação da vítima durante o julgamento. Convidamos Diana Assunção, da bancada revolucionária do MRT, para comentar o caso.

terça-feira 3 de novembro| Edição do dia

O caso de Mariana Ferrer se tornou conhecido nacionalmente quando, em setembro, o empresário André de Camargo Aranha foi inocentado da acusação. As redes foram tomadas pela hashtag #justicapormaribferrer em protesto contra a decisão.

Mariana era virgem, e foi drogada pelo empresário para que o crime fosse cometido. Agora, o caso vem à tona novamente quando se toma conhecimento público da sentença proferida pelo juiz de “estupro culposo”. Apesar de não estar prevista no código penal brasileiro, a invenção do juiz afirma que o empresário não teria intenção de estuprar a vítima, pois, de acordo com o magistrado e a defesa, não tinha como saber que ela não teria consentido com o ato. Assim, o empresário foi inocentado.

Além disto, o site Intercept Brasil divulgou imagens do julgamento em que o advogado de defesa humilha Mariana Ferrer, e que a vítima se dirige ao juiz dizendo “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”. O juiz não faz nada, apenas oferece um tempo para que ela se “recomponha”.

Diana Assunção, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas e candidata a vereadora em São Paulo pela bancada revolucionária de trabalhadores do MRT, comentou o caso ao Esquerda Diário:

“É revoltante e escandaloso o caso de Mari Ferrer. Ela foi humilhada e revitimizada durante o julgamento, com cenas deploráveis em que o advogado acusa a vítima do crime de tentar dar um ‘golpe’ ao processar seu estuprador, oferecendo como ‘provas’ as fotos da vítima em redes sociais. Mais absurdamente, o juiz inventou a nova tipificação criminal de ‘estupro culposo’ com o intuito de livrar a cara do estuprador, um empresário rico. Ou seja, segundo a versão da justiça, o empresário não ‘teve intenção’ de drogar a vítima e abusar sexualmente dela. Fica explícito nesse revoltante caso o quanto o judiciário está a serviço da classe dominante, e distorce as leis o quanto for necessário para poupar seus membros de serem condenados por crimes monstruosos como o cometido contra Mari Ferrer. O patriarcado tem que cair! Toda solidariedade a Mari Ferrer!”

Com apresentação de Diana Assunção, do Pão e Rosas, conheça o podcast Feminismo e Marxismo sobre a luta das mulheres contra a opressão e a exploração, desde o resgate histórico de grandes eventos e suas protagonistas até as perspectivas da luta feminista junto a classe trabalhadora nos dias de hoje.




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