Internacional

REDE INTERNACIONAL DE DIÁRIOS

A realidade vista de baixo e as novidades que chegam no La Izquierda Diario

Neste 24 de março, na rede internacional La Izquierda Diario, renovamos esse projeto coletivo inédito na esquerda internacional, que nasceu há 6 anos. Novo design web, mais investigações especiais, cronistas, colunistas, videastas, e formatos multimídia. Mas o mais importante: ampliamos nossa rede de correspondentes em mais de 200 cidades e 24 províncias da Argentina, 14 países - entre eles o Brasil - 7 idiomas, com presença em 80 cidades da América e 40 da Europa. Para que você acompanhe a realidade vista de baixo, que nenhum outro meio pode mostrar. Lançamos na Argentina a Comunidade La Izquierda Diario, conectando apoiadores como parte da maior rede de notícias do país.

Jesica Calcagno

@Jesi_mc

segunda-feira 22 de março| Edição do dia

O que tem de novidade?

A realidade pode ser contada do ponto de vista dos interesses dos salões do poder político ou das luxuosas sedes do poder econômico. Da Casa Rosada, de seus ministérios e das cúpulas sindicais, ou da gerência de multinacionais, corporações e da Sociedade Rural. É o que mais tem no “ecossistema” dos meios de comunicação. Nós decidimos contá-la de baixo. Desde as vozes e olhares dos que estão na linha de frente da pandemia nos hospitais e locais de trabalho. Dos que não chegam ao fim do mês, dos que lutam por terra e moradia. Das e dos protagonistas das lutas e denúncias que percorrem o país.

Enquanto escrevíamos essa nota, chegavam “quentes” as últimas informações do que acontecia em Pérez Millán, onde funciona o frigorífico Arrebeef. Nossos cronistas enviavam fotos, vídeos e dados que em poucos minutos se transformavam em uma nota, que saía disparada para buscar romper o cerco midiático. Não havia tempo a perder. Os trabalhadores cercavam o sindicato: “vão embora, vendidos”. “Sabe o que está acontecendo? São quarenta anos”, gritava um ao esquadrão policial. Para afogar esses gritos, os uniformizados atiraram. Em menos de uma hora a nota havia circulado pelos grupos de WhatsApp dos trabalhadores e suas famílias, que fizeram uma mobilização inédita. Mas também chegava até ativistas de outros sindicatos, outras cidades. E até gerentes, burocratas e funcionários, que aprenderam a entrar no La Izquierda Diario para saber quando a chapa estava quente. Desde o momento em que chegamos a esse povo comovido, todas e todos se deram conta de que era para dar voz aos que trabalham 12 horas, mas que não podem comprar sapatos para seus filhos. Cada uma das reclamações acumuladas por anos, que ninguém tinha interesse de escutar, foram prioridade no La Izquierda Diario. Por isso, nossos jornalistas revelavam diante dos olhos de todos os lucros reais do “empresário chorão” e que governos o beneficiaram. Mas também mostramos a força dessa rebelião enorme. Os corpos em cima das grades, as assembleias debatidas, a ocupação, os atos, a solidariedade dos que se aproximavam. Por isso nos chamam de “o diário da luta”. Para amplificá-la, dar força, mas também para ir tirando conclusões a cada passo e que se conheçam as propostas da esquerda para ganhar essa batalha.

Feitos como os que acontecem com essa população portenha de 4500 habitantes mostram a profundidade de algo novo, e que nenhum outro meio tem interesse de sair divulgando sobre. A partir do dia 24 de março, no La Izquierda Diario, vamos te contar a realidade vista de baixo como nunca ninguém te contou: ampliamos a rede de correspondentes e volantes para que você possa saber “de fonte boa” o que acontece em centenas de empresas, escolas, hospitais, universidades, e nas ruas. Em centenas de cidades de toda a Argentina.

Em 2020, começamos uma transformação multimídia, com mais de 2000 notas mensais e centenas de vídeos. Tivemos 30 milhões de visitas no site e 9 milhões de visualizações no Youtube. Com novos formatos, programas ao vivo e on demand, entrevistas com quase 300 personalidades e especialistas.

Nossos repórteres aproximaram o país da luta por terra e moradia em Guernica. Quando chegamos a essas terras recuperadas, os volantes e cronistas do La Izquierda Diario se encontraram de início com um olhar desconfiado. É lógico. Nesses primeiros dias, tiveram que suportar as mentiras dos grandes meios de comunicação, governistas e opositores, que os acusavam de “delinquentes”. Durou pouco. Para as famílias sem teto, foi fácil perceber de que lado estamos. Desde o primeiro dia nos convertemos, para muitas, na “mídia da luta”. Em que confiavam. A que os ajudava a se organizarem. Até perder a conta de quantos e quantas vizinhas e vizinhos que falaram na frente de nossas câmeras para explicar porque estavam ali. Ou quantas notas converteram em áudio para que ninguém perdesse as últimas novidades. Em castelhano e em guaraní. É que ficou evidente que de um lado estava o “exército” dos grandes meios de comunicação que pediam pronunciamentos do governo provincial, do outro o La Izquierda Diario, que botava em campo sua equipe de repórteres, câmeras, cronistas, investigadores e fotógrafos. Por isso, no dia em que as autoridades de Buenos Aires pediram para que não se filmasse uma negociação tensa, um morador cortou na hora: “são dos nossos e ficam aqui”. Eles sabiam, por isso em uma entrevista qente o ministro deixou escapar que nos lia todos os dias. É que mostramos o que os outros não. Os colchões arruinados pelo temporal, os helicópteros provocando de noite, as artimanhas que escondiam as atas do ministério, os resultados das reuniões com as autoridades, o contraste com a vida luxuosa dos countries, os detalhes da repressão feroz que transmitimos ao vivo, ombro a ombro com a resistência das e dos moradores. Mas também as marchas e bloqueios massivos, as arrecadações solidárias, os debates das organizações que eram parte da luta e, principalmente, o profundo processo de auto-organização que a comissão de mulheres encabeçou e que transformou suas vidas.

O La Izquierda Diario expressa, como em Guernica, a fusão entre esses processos de luta e resistência com o jornalismo e uma organização política com a vontade de incidir neles. Para transformar a realidade. Por isso, podemos atuar como nenhum outro meio. Nos renovamos para multiplicar essas coberturas. Com investigações e debates políticos que atravessam a classe trabalhadora, as mulheres e a juventude. Como as manifestações que exigiram Justiça por Ursula ou o 8 de março, quando as mulheres inundaram as ruas de todo o país e do mundo. Como os protestos em Chubut contra a mega-mineração. As lutas da juventude que trabalha precarizada nos aplicativos, nas redes de fast food e nos call centers, que está farta. Queremos ser um canal para que se expressem e se organizem.

A partir de 24 de março, você vai encontrar uma nova seção: “Red de Noticias Desde Abajo”. Atualizada todos os dias com as denúncias, vídeos, fotos ou áudios que nossos colaboradores e leitores enviam. Com os Observatórios, onde estudamos e refletimos a situação da classe trabalhadora, vamos incorporar mapas interativos, para que você possa seguir em tempo real as demandas que se espalham pelo país e que nenhum outro meio cobre.

São tempos agitados na Argentina e no mundo. Com a pandemia, a pobreza e a desigualdade cresceram como nunca, mostrando a irracionalidade de um sistema que não dá mais. Do outro lado, uns poucos ricos se fazem ainda mais ricos. A guerra pelas vacinas e os privilégios dos amigos do poder na Argentina contrastam com as longas filas que deixam os mais velhos expostos.

Enquanto os grandes meios de comunicação falam de uma agenda distante da realidade de milhões, algo está mudando desde baixo. Muitos começam a viver uma nova experiência com o peronismo no governo. Disse que vinham terminar com “a herança macrista”, recuperar o que se perdeu, mas essa narrativa se choca com a dura realidade. A oposição de direita, ainda assim, pede mais ajuste e repressão. Processos como o de Arrebeef, das ocupações de fábricas, reuniões autoconvocadas e assembleias inter-hospitalares do pessoal da saúde, percorrem o país, e também reflexões de como conquistar um futuro. Só o La Izquierda Diario mostra isso. Conectamos as lutas, mas também abrimos debates políticos e ideológicos, porque precisamos de outra saída para acabar com esse sistema que joga milhões na miséria.

O que propomos?

Para fortalecer esse projeto coletivo, na Argentina estamos convidando nossos leitores e leitoras, militantes, simpatizantes e seguidores a construirmos juntos a Comunidade La Izquierda Diario a partir do dia 24 de março. Nosso primeiro objetivo é chegar nos próximos meses a 10.000 colaboradores e colaboradores organizados em todo o país. Hoje contamos com mais de 1 milhão de usuários por mês, e com a Comunidade propomos nos conectarmos com as e os mais comprometidos e ativos que nos leem e seguem.

As mídias dos poderosos investem quantias milionárias para influenciar a opinião pública a favor dos poderosos. Com a Comunidade, queremos chegar mais longe do que nunca com ideias, propostas, campanhas e denúncias. Um espaço de troca, de ida e volta, conectados por WhatsApp, Telegram, email. Onde é você quem decide como ajudar. Se se soma à difusão da notícia do dia e dos conteúdos que mais te interessam; se soma com sua denúncia ou uma crônica sobre seu local; se quer enviar fotos ou vídeos, sendo correspondente, escrevendo ou como redator, se colabora economicamente para que possamos seguir se auto-financiando, já que o La Izquierda Diario não depende da pauta oficial nem da publicidade de empresas. Um espaço onde você possa enviar opiniões, sugestões, críticas, ideias, comentários, e ser parte dos debates, dificuldades e desafios que atravessam nosso meio de comunicação e organização. Onde também se reúnam jornalistas e profissionais de mídias, porque muitos de nós nos comprometemos com as causas populares, e podemos escolher fazer nossas contribuições aqui, para atuar onde terão lugar e não serão ignoradas ou desviadas.

“Aqui tem muitas pessoas que estão escondendo muitas coisas” disse Cristina Castro, segurando a raiva e as lágrimas. Era 6 de julho de 2020, e seu filho Facundo estava desaparecido há 68 dias, após ser visto pela última vez em uma abordagem policial. Nosso programa Se tenía que decir era o primeiro meio de Buenos Aires que a chamava para revelar essas coisas. Sem perder tempo, no dia seguinte propomos aos nossos leitores uma hashtag: com milhares de jovens, atacamos nas redes sociais com um só punho. Aparição com vida de Facundo Castro foi uma frase que sacudiu o mundo político e jornalístico. Com Cristina, havíamos fechado o cerco. Desse dia em diante nos convertemos em um dos meios que ela e seus advogados escolheram para difundir cada uma das novidades de sua luta, primeiro pela aparição com vida, e então por justiça. Sabiam que não iríamos falhar com eles. A próxima luta foi ir rebatendo, com crônicas e investigações, cada uma das manobras da polícia, do Poder judicial e do ministro Berni. Muitas vezes foram as primeiras notas compartilhadas por milhares que seguiam o caso. E de novo o mesmo: de um lado, os grandes meios colaborando com o encobrimento de um crime de Estado, do outro, quem queria denunciá-lo. “Somos gente trabalhadora, e gente trabalhadora não tem dinheiro nem medo. Não vou baixar os braços até fazer justiça”, foram as palavras de Cristina em muitas das entrevistas que fizemos. E as fizemos nossas com nossos leitores e espectadores.

É um exemplo do que podemos conseguir com a Comunidade do La Izquierda Diario. Decidir desde baixo qual a agenda do debate público, difundir o que acontece em nossas vidas, sua vida, instaurar causas, difundir propostas, rebater as mentiras dos poderosos As possibilidades da força da Comunidade podem ser infinitas. Uma rede que se amplie a cada passo e dê força às necessidades e vivências das demandas populares e da classe trabalhadora. Precisamos de nosso público para fazer isso virar realidade. A partir de 24 de março, vamos lhe mostrar como somar-se.

Um diário, uma força militante

Desde 2014 o La Izquierda Diario iniciou no mundo do jornalismo e ganhou o reconhecimento de amigos, adversários e inimigos. Somos um meio de comunicação com uma identidade política clara, que expressa na Argentina as ideias do Partido de Trabalhadores Socialistas (PTS), e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) aqui no Brasil, buscando o intercâmbio e o debate com outras expressões políticas, ideológicas e culturais. Uma força que funde a intelectualidade marxista e o debate de ideias, jornalistas e referentes políticos da Frente de Esquerda Unidade - como Nicolás del Caño e Myriam Bregman - com uma enorme rede de correspondentes, militantes, colaboradores e simpatizantes que são protagonistas de múltiplos processos de luta e organização por baixo.

Nos últimos anos, buscamos revolucionar o jornalismo de esquerda, mas seguindo uma das melhores tradições do marxismo: que nosso veículo, como dizia o revolucionário russo Lênin, seja um “organizador coletivo”. Um veículo de imprensa capa de organizar a força de dezenas de milhares para chegar a milhões; para difundir em massa as ideias socialistas; para impactar na realidade com o poder de milhares de vozes somadas, que disseminem a mesma ideia, proposta ou denúncia de maneira unificada; para quebrar o silêncio que os grandes meios impõem sobre a realidade e os interesses da maioria trabalhadora; para que as conclusões de cada luta não se percam, e sim se transformem em ensinamentos para as novas gerações que se lançam na batalha.

Somos um meio para a ação e transformação revolucionária da realidade. A partir de 24 de março, quando estaremos nas mobilizações por todas as praças do país, começa uma nova etapa no La Izquierda Diario. Porque algo novo está surgindo, desde baixo. E alguém tem que falar sobre. Isso só será possível se nos tornarmos parte de sua construção.

Mais novidades a partir de 24 de março na Argentina

- Muito mais notícias e análises no instante. Com um novo design virtual, ampliamos nossa equipe de jornalistas na redação central na Cidade Autônoma de Buenos Aires, mas também em Córdoba, Santa Fé, Mendoza, Neuquén, Jujuy, Tucumán, Salta, Rio Negro, Chubut, Santa Cruz, La Pampa, San Luis, nas zonas sul, oeste e norte da Grande Buenos Aires; em La Plata, Mar del Plata, Bahía Blanca, San Nicolás e dezenas de cidades do interior da Província. Para que você possa seguir com a gente, minuto a minuto, a agenda política, econômica e social, mas com o ponto de vista que te interessa.

- Mais conteúdos multimídia. Reportagens móveis todos os dias, vídeo-notícias, informes especiais, novas seções multimídia, colunistas, transmissões ao vivo e muito mais conteúdos audiovisuais em todas as plataformas e redes sociais. Manteremos o programa El Círculo Rojo na Radio con Vos; atualizando todas as manhãs ao vivo através do Alerta Spoiler, que volta com um programa de notícias ao vivo; Um novo formato do programa Claves Internacionales e programas de cultura, mundo operário, economia, entrevistas, debates e documentários.

- Mais investigação e qualidade jornalística. Seguiremos com os newsletters de Fernando Rosso, Celeste Murillo e Pablo Anino; com O Pé Esquerdo todas as manhãs. Ampliamos nossa equipe de investigação e colunistas para descobrir o que os outros ocultam. Já somos conhecidos pelas investigações como de Daniel Satur sobre os crimes de Estado de Santiago Maldonado e Facundo Castro. A discriminação às trabalhadoras domésticas no Nordelta. As crônicas “de fonte boa” do Lucho Aguilar. Análise e informação internacional com Claudia Cinatti.

Renovamos e ampliamos nossas seções. Os debates mais recentes em ciência, ecologia e ambiente. O mundo do cinema e uma ampla seção de cultura, com resenhas e debates sobre livros, teatro, artes plásticas, música e toda a arte; também com esportes. Mundo Operário estará conduzida por figuras reconhecidas do classismo, que se enfrentam dia a dia com a burocracia sindical, como como Claudio Dellecarbonara (Metrô), Raúl Godoy (Zanon), Lorena Gentile e Javier Hermosilla (Mondelez), Katy Balaguer e Camilo Mones (demitidos da PepsiCo), Guillermo Schmall (Telefonia), Juan Constrisciani (Estaleiros), Nathalia González Seligra (Professores) e dezenas de delegados e ativistas, que não só vão te contar o que acontece: também queremos lhe aproximar dos novos fenômenos, dos debates sindicais e políticos, e das propostas de nossas agrupações. Com uma seção internacional com análise e informação de primeira mão, através de nossa rede de diários em 350 cidades de 14 países, que também renova seu site. Seções que se somam às que já são seguidas diariamente, como Gênero e Sexualidade com Andrea D’Atri, Economia com Guadalupe Bravo e Mônica Arancibia, Política com Eduardo Castilla, Fernando Scolnik e Patricio del Corro, Historia com Claudia Ferri, Liliana Caló, Titín Moreira, José Montes, e Matías Gali no audiovisual.

Mais do que nunca, no marco da crise do capitalismo, o La Izquierda Diario é um site de combate pelas ideias da esquerda socialista. Seguiremos assim através de nosso reconhecido semanário Ideas de Izquierda, com Juan Dal Maso, Ariane Díaz, Christian Castillo, Esteban Mercatante, Matías Maiello, Paula Bach, Guillermo Iturbide, Iván Baigún. Com nosso Campus Virtual; o dossier Ideias da Universidade; através do Editorial do Instituto do Pensamento Socialista Karl Marx e do Centro de Estudos, Investigações e Publicações Leon Trotsky. Trata-se de tornar conhecidas e de reatualizar nossas ideias, bem como de batalhar contra os que defendem esse sistema de exploração e opressão, ou vendem a utopia de que sua reforma é possível.

24 de março será um dia importante. Porque não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos com os crimes da ditadura na Argentina. Teremos que ser milhares nas ruas. O La Izquierda Diario, com todas essas novidades e propostas que revelamos aqui, estará lá para mostrar.




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