A policial que matou Daunte Wright é presa por homicídio culposo

O assassinato de Daunte Wright, mais um jovem negro morto pela polícia, resultou na prisão de Kim Potter, a policial que cometeu os disparos. Em meio a manifestações, toques de recolher e repressão brutal, a violência policial retorna ao noticiário estadunidense.

quarta-feira 14 de abril| Edição do dia

FOTO: HENNEPIN COUNTY SHERIFF

Kim Potter, a policial que assassinou Daunte Wright, um jovem negro de apenas 20 anos, foi presa por homícidio culposo. O caso aconteceu na cidade de Brooklyn Center no subúrbio de Minneapolis, a cidade onde George Floyd foi assassinado, com a violência policial voltando aos noticiários e mostrando que não é esporádica como alguns tentam pintar, é uma prática comum e recorrente da polícia.

As declarações do Chefe de polícia da cidade, Tim Gannon, de que a partir das análises da câmera corporal em Kim, viu que o tiro de teria sido acidental e que a policial agiu de acordo com o procedimento padrão só mostram como o “procedimento padrão” não leva em conta as vidas negras, chamando de “deslize, acidente” uma abordagem que tirou uma vida. Ele justifica que ela teria tentado atirar com o Teaser mas que se confundiu. Mesmo com a defesa de Tim, Kim Potter renunciou ao seu cargo, deixando a polícia. Quem não aceitou bem a renúncia a Kim Potter foi o prefeito que disse que não havia sido ele que tinha solicitado e que, mais longe ainda, não teria aceitado e estaria vendo com seu gabinete para reverter e ter a policial novamente.

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O que explica que, mesmo com o apoio do Chefe de polícia da cidade e do Prefeito, a renúncia tenha ocorrido? O medo que se repita a conjuntura do que foi o Black Lives Matter, tomando a rua dos Estados Unidos e de todo o mundo de 2020 ajudam a explicar. O que podemos ver na renúncia de Kim Potter da polícia é a intenção de dar uma resposta individual a um problema que é coletivo, numa tentativa de preservar a instituição da polícia. A saída de uma policial em nada muda as estruturas dentro da polícia que levam a violência policial, abordagens racistas.

Milhares de pessoas saíram às ruas em Brooklyn City e em Minneapolis para mostrar sua indignação. As autoridades temendo que o ódio expresso em 2020 durante o BLM retorne declaram toques de recolher, que ainda assim, não foram suficientes para conter as manifestações que ocorreram mesmo assim, levando a prisão de 60 pessoas. O presidente Joe Biden deu uma declaração demagógica dizendo que entende a dor da Comunidade negra mas que “não existe nenhuma justificativa para a violência”. Biden mais uma vez mostra-se mais preocupado de proteger a propriedade privada de danos do que com as vidas negras que durante toda a história dos Estados Unidos vêm sendo ceifadas pela polícia. Não é de se estranhar, Biden sempre buscou preservar a instituição policial, apelando, por exemplo, para o discurso das “maçãs podres” no caso do George Floyd

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