Internacional

OPINIÃO

A polícia é inimiga dos trabalhadores em qualquer lugar do mundo

A classe trabalhadora mostra nos últimos tempos que não está derrotada, com exemplos como Colômbia, Myanmar, Neuquén, Chile. Entretanto, a burguesia se recusa a entregar as demandas da classe trabalhadora pacificamente, e utiliza de suas forças repressivas, principalmente a polícia, para reprimir os trabalhadores. Veja alguns exemplos que evidenciam que a polícia não é aliada da classe trabalhadora em nenhum canto do mundo

terça-feira 11 de maio| Edição do dia

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Colômbia

A brutal repressão na Colômbia é talvez o exemplo recente mais evidente de que a polícia está totalmente a serviço da classe dominante. A onda de protestos desencadeada pela reforma tributária neoliberal de Iván Duque tomou conta do país desde a semana passada. Milhares tomaram as ruas contra a medida, mas a isso somaram-se ainda outras mazelas que atingem o povo colombiano: 17% das pessoas estão desempregadas e 42,5% da população se encontra em situação de pobreza.

A reforma de Duque visava aumentar a tributação a fim de arrecadar no total 6,3 bilhões de dólares para agradar às agências internacionais de classificação de risco para continuar a atrair capital privado. No entanto, 73% desse montante teria sua origem em um imposto que incide principalmente em pessoas que recebem até 3 salários mínimos, o que afeta principalmente a classe trabalhadora e uma classe média baixa.

A resposta a esse ataque, potencializada pelos fatores acima mencionados, foi uma grande jornada de mobilizações e greves que fez com que o governo recuasse de sua tentativa de repassar a crise à classe trabalhadora. No entanto, os questionamentos ao regime não cessaram, e a classe trabalhadora colombiana mostrou que é possível ir por mais.

Isso é sem dúvidas extremamente desagradável para a burguesia nacional e para os interesses imperialistas, portanto o governo fez questão de rapidamente acionar sua principal arma para proteger os lucros dos capitalistas: a polícia.

Já são dezenas de manifestantes assassinados pelas mãos da polícia, centenas de prisões e mais de 1000 casos de violência policial. Não há nenhuma justificativa para tamanha repressão sobre manifestações que reivindicam pautas da classe trabalhadora que não passe por uma defesa dos lucros da burguesia.

EUA

2020 foi um ano marcado por inúmeros acontecimentos históricos, e um deles sem dúvida é o maior levante antirracista da história dos Estados Unidos. O levante ocorreu em resposta ao assassinato brutal de George Floyd pelo policial Derek Chauvin. Chauvin já havia sido acusado de cometer outros assassinatos anteriormente, mas continuava atuando normalmente dentro da instituição policial. Isso não deveria ser nenhuma surpresa, já que isso significa que ele cumpria seu papel perfeitamente: reprimia a classe trabalhadora e o povo pobre, principalmente as populações negras e latinas, alvo de muito preconceito e racismo estrutural nos EUA.

O resultado disso foi a fúria antirracista se expressando nas ruas com enorme apoio popular e adesão de setores não-negros, unificados sob a reivindicação do fim da polícia. A isso seguiram-se duas reações por parte da classe dominante: repressão policial e cooptação política.

A repressão, endossada principalmente por trumpistas, também foi apoiada por governadores democratas. O partido democrata, aliás, com sua demagogia, cooptou a fúria e a insatisfação popular para que votassem na figura do imperialista Joe Biden, sob o pretexto de combate ao fascismo de Trump.

Esse caso tem uma particularidade: o que motivou os protestos foi uma grande revolta em relação à violência policial, e a violência policial foi aplicada para conter a explosão. Em ambos os casos a polícia deixa evidente seu papel de cão de guarda da burguesia e dos lucros, e de extermínio da população negra.

Brasil

Tomou conta das redes o caso recente da chacina do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro. A chacina tem início com uma operação policial e termina com um saldo de pelo menos 29 mortos pelas mãos da polícia.

Este massacre vem no marco da pandemia que já deixou mais de 400.000 mortos no país, em sua maioria trabalhadores, devido ao governo reacionário e negacionista de Jair Bolsonaro que não é capaz de garantir nem mesmo o mínimo à população. Somado a isso há também a utilização da Lei de Segurança Nacional, utilizada para prender opositores ao governo, como é o caso do militante do PT Rodrigo Pilha, que foi preso por levantar faixas com o conteúdo “Bolsonaro Genocida”.

Todos esses fatores ajudam a legitimar as atrocidades cometidas pela polícia, que considera legítimo o maior massacre do Rio de Janeiro, onde pelo menos metade dos mortos tinham antecedentes criminais, e dois não tinham nenhum antecedente criminal.

Esse caso deixa evidente que a polícia não faz parte da classe trabalhadora de forma alguma, já que sua função é a de ativamente exterminá-la, principalmente a população negra, em nome do lucro e da propriedade, sob a desculpa de guerra às drogas.

Ao contrário do que dizem setores da esquerda brasileira, como o MES, que compõe o PSOL, ou o PCB com a figura de Jones Manoel, de que é possível reformar a polícia e trazê-los para a razão, estes exemplos mostram que esta instituição é racista em sua essência, e tem como função reprimir a classe trabalhadora e o povo pobre.

Caso a polícia tivesse apenas algumas exceções, casos isolados de abuso de violência, esses casos não seriam diferentes ao redor do mundo, de acordo com as especificidades locais? Se isso fosse verdade, haveria alguma explicação para que o papel que a polícia cumpre fosse sistematicamente o mesmo em todo o mundo? Claro que não! A polícia só cumpre o mesmo papel seja lá onde for pois o capitalismo é global! A lógica do lucro e da propriedade privada está presente em todo o mundo, e a burguesia de qualquer lugar precisa da polícia para garantir isso. É preciso lutar pelo fim da polícia no mundo todo, assim como pelo fim do capitalismo.




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