Política

COVID-19; SABER MÉDICO; BUROCRACIA MÉDICA; GOVERNOS REACIONÁRIOS;

A necessidade de um pensamento dialético na esquerda: A covid-19 e as armadilhas do saber médico institucionalizado

A ausência de um pensamento que busque entender a pandemia como a soma de múltiplas determinações e a tutela dos conteúdos ideológicos produzidos pela burguesia coloca a esquerda numa posição acrítica diante da burocracia médica.

Kleiton Nogueira

Doutorando em Ciências Sociais (PPGCS-UFCG)

quarta-feira 30 de setembro| Edição do dia

Fonte da imagem: Agência Brasil

Desde o início da pandemia de Covid-19 que as mídias convencionais enchem nossas casas com notícias e notas diárias sobre a quantidade de pessoas infectadas e mortas. Imagens de corpos sendo "guardados" em carros frigoríficos, o colapso de sistemas de saúde, ou até mesmo a crise do sistema funerário em países como Equador ativam o sentimento de pânico e terror, um verdadeiro cenário apocalíptico.

É comum que em momentos de pânico ficarmos sujeitos à conjuntura, paralisados e imóveis diante do medo. Contudo, é preciso refletir de forma mais concreta e dialética sobre o momento que vivenciamos. Como marxistas revolucionários temos que retomar a perspectiva da análise concreta da situação concreta e acima de tudo, não nos deixarmos enganar pelos aparelhos ideológicos da burguesia como os diversos.

Esse debate certamente não desconsidera que exista uma pandemia e que o vírus do Sars-Cov-2 tenha potencial que causar mortes. Embora seja um fato, é preciso visualizar e analisar a situação com critérios mais claros e científicos conforme o sociólogo e médico Gilson Dantas nos mostra na atividade que realizou nessa última Quarta-feira (24 de Agosto de 2020) através da 20ª semana Universitária da UnB. O vídeo completo pode ser acessado nesse link

Gilson Dantas que acaba de lançar o livro “Coronavírus: a doença e opções de tratamento” e que pode ser solicitado de forma gratuita através do endereço [email protected] conforme imagem a seguir, traz pontos efusivos sobre o manejo da pandemia pelo capitalismo.

Ao partir de três hipóteses centrais: Necessidade de pensarmos numa chave revolucionária a centralidade da classe trabalhadora que durante a pandemia é que de fato move a geração de valor no capitalismo; a grande farmácia apresentando interesses em barrar determinados medicamentos para o tratamento da Covid-19 e gestão do terror promovida pelos distintos governos como uma forma de contenção da classe trabalhadora nos é alertado de início o quanto a esquerda por vezes cai no engodo do saber médico institucionalizado e patenteado pelo grande capital.

Esse é um problema que é central e precisa ser debatido de forma mais profunda, quando se fala em saúde todo o debate é centralizado na figura do médico e da medicina, pouco se questiona a respeito dos interesses da burocracia médica e da vinculação material desta com a grande farmácia que a cada ano vem produzindo iatrogenia, ou seja, o adoecimento pelo uso de medicamentos que intoxicam o corpo e a mente humana, tema que Gilson Dantas também explora no livro a medicina dos sintomas: a medicina moderna e a questão do método.

Diante desse quadro, o pensamento dialético praticamente é inexistente, tudo se reduz a uma questão de escolha entre poucas dentre elas esperar por uma vacina, nada se coloca sobre tratamento da enferminada. Dessa forma, a esquerda praticamente reproduz de forma cega o que a mídia burguesa vem produzindo, sem um debate sério a respeito das consequências dessa atitude. É importante salientar que ao questionarmos isso, não o analisamos numa chavenegacionista, pelo contrário, e aqui retomamos Marx a partir de seu método, trata-se de desnudar através do processo de abstração o essencial do fenômeno de modo a não ficarmos presos nas aparências.

Pensar de forma dialética, tentado contrapor ideias e buscar de fatos os elementos científicos é mais que necessário, é uma exercício que a esquerda que pretende superar o capitalismo precisa pautar de modo enfático e com amplo debate. O questionamento sobre a gestão da pandemia pelos diferentes governos, a inércia das centrais sindicais e das burocracias estudantis, as políticas reacionárias que não protegem os mais vulneráveis e todo o conjunto de intermediações que configuram a determinação social do processo saúde-doença precisam ser colocados em evidência para o debate de modo a não reproduzamos o que a burguesia e o grande capital promovem enquanto discurso ideológico.

De forma sintética, a fala de Gilson Dantas apresenta para nós, enquanto marxistas revolucionários, a necessidade de pensarmos a pandemia numa chave dialética, sem o reducionismo capitalista. Essa proposição passa certamente pela centralidade da classe trabalhadora enquanto gestora de seu próprio trabalho, elemento que na pandemia ficou mais nítido com todo o peso que estes tiveram que carregar ao continuarem trabalhando, pegando metrôs lotados, e enfrentando as precárias condições de trabalho que os distintos governos do regime e a covardia das burocracias sindicais as remeteram em se apresentarem de forma inerte diante desse quadro.




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