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"A natureza não pode ser destruída pelo lucro" Entrevista com Clara Mari

Clara Mari é estudante secundarista em Munique e há três semanas toma as ruas com milhares de estudantes secundaristas e universitários em defesa do planeta.

segunda-feira 18 de março| Edição do dia

Clara Mari é estudante secundarista em Munique e há três semanas toma as ruas com milhares de estudantes secundaristas e universitários em defesa do planeta. Enquanto a extrema-direita avança na América Latina e ao redor do mundo para fazer com que a classe trabalhadora, a juventude e os setores oprimidos paguem pela crise e os coletes amarelos e a população da Argélia não saem das ruas apesar da forte repressão, acontecem tragédias capitalistas que destroem o planeta. A juventude de toda a Europa e nesta semana, alguns países da América Latina, se coloca em luta contra o aquecimento global e por medidas consequentes frente às alterações do clima que coloca animais em extinção todos os dias e destrói biomas completos. O Esquerda Diário a entrevistou para saber mais da mobilização que aconteceu na última sexta-feira, seu histórico recente e por quê defende uma perspectiva anticapitalista. Clara é militante da Juventude Marxista (Marxistische Jugend), juventude irmã da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária na Alemanha, e do Pão e Rosas Alemanha (Brot und Rosen).

Esquerda Diário: O que é o Global Strike?

Clara Mari: O movimento de greve “fridays for future” (Sextas pelo futuro, em tradução literal), que foi impulsionado pela ativista e estudante Greta Thunberg na Suíça, fez com que estudantes fizessem greves no mundo todo pelo clima. Há algumas semanas, estudantes tomam as ruas toda sexta-feira em vez de ir às escolas e universidades para lutar por uma mudança na política de clima atual e medidas consequentes por parte do governo para lutar contra o aquecimento global. Nós exigimos o fim da exploração da humanidade e da natureza pelos monopólios à serviço da maximização dos lucros. Nós exigimos uma proteção consequente do planeta. Nós exigimos uma política na qual a natureza não seja utilizada para fins capitalistas.
Nós sabemos que algo precisa ser feito. Queremos lutar pelo nosso futuro. Por isso fizemos manifestações em 98 países no mundo tudo pela greve internacional do clima porque juntos somos fortes e podemos surtir mudanças.

Esquerda Diário: Como vocês se organizam nas escolas?

Clara Mari: A direção da nossa escola diz que apoia o conteúdo do movimento de greve o, mas segue contrária à greve dos estudantes. Implementa ações internas e ataca os estudantes que querem participar das greves com medidas disciplinares. A atitude com as greves muda de escola para escola. Ao mesmo tempo sabemos de escolas que apoiam e até mesmo que financiam excursões para as manifestações de greve. No ano passamos mobilizamos milhares de estudantes para uma greve escolar contra a lei de tarefas policiais, aprovada no nosso Estado de Bayern no ano passado. Apesar de não termos conseguido barrar esse ataque à juventude que atinge com mais força os imigrantes, aprendemos muito a politizar simultaneamente muitos estudantes.
Na nossa escola estamos batalhando para convocar os estudantes a se somarem às manifestações. Apesar da sua fama de esquerda, que é importante, qualquer atividade de luta e/ou política não é tolerada, ainda assim estamos construindo as greves semanais e as manifestações. Nós queremos construir um comitê de base na nossa escola, porque na nossa opinião este é um caminho para nos organizarmos, exigirmos nossas demandas da direção da escola, de forma democrática. Além disso, estamos construindo uma revista política de estudantes, para informar e politizar, há um mês produzimos a primeira edição. E achamos que para realmente nos organizarmos, precisamos construir assembleias.

Esquerda Diário: Nas manifestações existem muitas faixas contra o capitalismo e a Juventude Marxista, juventude irmã da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, conecta a luta contra o aquecimento global com a luta contra o capitalismo. Por quais motivos isso acontece?

Clara Mari: O rompimento da barragem em Minas Gerais no começo do ano (pelo qual a empresa TÜV Süd também é responsável) mostra que a sede de lucro do sistema capitalista não tem limites. As reformas neoliberais que tentam fazer o capitalismo um pouquinho mais verdes não tem nenhuma estratégia e estão submetidas a esta sede de lucro, provocando tragédias que aceleram ainda mais a destruição do nosso planeta. Por isso não vemos no capitalismo uma saída para a crise do clima. A luta pelo clima precisa ser uma luta anticapitalista e antiimperialista.




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