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Atos 7 de setembro | A luta dos indígenas mostra o caminho para enfrentar a extrema direita e os ataques

A mobilização histórica dos povos originários em Brasília nesta semana tem demonstrado toda sua força para fazer tremer todos os nossos inimigos, Bolsonaro, Mourão, o STF, agronegócio e diversos outros atores do regime político. Contra todos os ataques que estão em curso, façamos como os indígenas!

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 27 de agosto | Edição do dia

Imagem: @zumpanoandressa

Apesar da mídia estar tentando silenciar e não noticiar o acampamento dos povos originários em Brasília contra o Marco Temporal, com um verdadeiro bloqueio midiático, o grito e canto de mais de 10 mil indígenas, de mais de 150 povos de diversos cantos do Brasil, que estão acampados desde o último domingo em frente aos prédios das principais instituições políticas do país, ecoou e mostrou toda sua força diante deste ataque de Bolsonaro, Mourão, do STF e de todo o regime político.

Ontem, 26, o STF decidiu adiar para a semana que vem o julgamento deste ataque que legaliza latifundiários do agronegócio roubarem as terras indígenas, escancarando a continuidade da opressão, invasão colonial e extermínio dos povos originários ao longos dos mais de 500 anos no país.

Esse recuo, ainda que não signifique uma vitória, demonstra a força imensa dos povos originários unidos, se organizando em Brasília firmemente durante toda a semana. O STF busca remarcar o julgamento na tentativa de desmobilizar o acampamento, mas a história dos indígenas é marcada não só por extermínio e exploração, mas muita luta e resistência contra os colonizadores europeus, os bandeirantes, os latifundiários, a classe dominante.

Leia mais: A luta continua! Apesar do adiamento indígenas mantêm mobilização com grande marcha em Brasília

Não só devemos prestar toda nossa solidariedade para manter firme a luta histórica contra o Marco Temporal e o PL490, mas também nos inspirar no exemplo desta mobilização. Façamos como os indígenas, nos organizando e lutando contra a extrema direita de Bolsonaro, Mourão e os militares, que com seu discurso golpista querem avançar em mais autoritarismo. A luta dos indígenas também é um exemplo de que devemos confiar somente nas nossas próprias forças para responder aos ataques que o Congresso, STF e governadores se unem ao governo federal para aprovar. Em meio aos embates entre eles, estão todos de acordo para fazer com que sejamos nós a pagar por essa crise, precarizando nossos trabalhos e nossas vidas, nos afundando na fome, no desemprego e no trabalho precário.

Somente com a força da nossa mobilização e pela via da luta de classes conseguiremos barrar a extrema direita e os ataques em curso. Devemos não só seguir apoiando e lutando com os indígenas em Brasília, mas no país todo nos organizar contra todos os ataques, privatizações e reformas. Enquanto cada um desses ataques é aprovado, mais brasileiros morrem de fome ou de Covid, e mais empresários e capitalistas enchem seus bolsos e aumentam seus lucros.

É por isso que no próximo dia 7 de setembro, precisamos estar nas ruas com a mais ampla unidade das forças de esquerda, da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Não vamos deixar este dia para os bolsonaristas, assim como não podemos acatar a decisão autoritária e ditatorial do governador de SP, João Doria, que proibiu as manifestações de oposição a Bolsonaro neste dia, dando o protagonismo das ruas contra a extrema direita para o MBL e a direita tradicional, que estão convocando atos para o dia 12 de setembro. Frente a essa medida ditatorial de Doria, que favorece a direita liberal e também o golpismo bolsonarista, é preciso que as centrais sindicais, como a CUT, dirigida pelo PT, e a CTB, dirigida pelo PCdoB, assim como sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais redobrem a mobilização rumo ao dia 7. Assim será possível erguer nossa força organizada e unificada, nas ruas e a partir dos locais de trabalho e estudo, fortalecendo também cada luta que se expressa pelo país, como é o caso dos indígenas e também foi a greve da MRV em Campinas, a paralisação dos rodoviários da Carris em Porto Alegre, os terceirizados da construção civil no RJ e outros processos.

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