Política

DELAÇÕES CHEGAM NO ABC

A lista de Fachin bate às portas do ABC paulista

O delator Guilherme Pamplona Paschoal, ex-executivo da Odebrecht, citou “pagamentos de vantagens” nas campanhas eleitorais de 2012, em Santo André, para Grana, pelo PT, e Bonome, pelo PMDB.

Junior Inácio

Operário de Santo André

quinta-feira 13 de abril de 2017| Edição do dia

As delações na lista de Fachin chegam no ABC. A corruptora Odebrecht, que tem forte presença no ABC através do polo petroquímico na Braskem e na Odebrecht Ambiental, parceria público-privada com a Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) teria favorecido políticos da região: Carlos Grana, Luiz Marinho, Donisete Braga, Vicentinho, todos do PT, Vanessa Damo e André Nilson Bonome, do PMDB.

O delator Guilherme Pamplona Paschoal, ex-executivo da Odebrecht, citou “pagamentos de vantagens” nas campanhas eleitorais de 2012, em Santo André, para Grana, pelo PT, e Bonome, pelo PMDB.

Grana, como de se esperar, nega irregularidades, segue o blábláblá de que todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral e ainda tira o corpo fora: “A única doação que recebi da Odebrecht foi no valor de R$ 20 mil, por meio de um jantar que fizemos, onde dezenas de pessoas estavam. Se houve outros valores oriundos da empreiteira foi via diretório nacional (do PT), porque um terço da arrecadação da minha campanha para prefeito em 2012 veio de recursos da (direção) nacional”.

Bonome, se fazendo de morto, ainda não deu nenhuma resposta pública

Os delatores Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Pedro Augusto Ribeiro Novis denunciam que a Odebrecht fez pagamentos em torno de 600 mil (somente 50 mil oficial, sendo o restante de caixa dois) para a campanha de Marinho, pelo PT, em 2008 para a prefeitura de São Bernardo do Campo.

Na delação de Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa da Silva Júnior, houve pagamento não contabilizado de R$ 30 mil para a campanha de 2010 do deputado federal Vicentinho, pelo PT.

Vicentinho se defendeu: "É uma surpresa. Meus projetos são, inclusive, contra a própria Odebrecht. Eu defendendo o direito dos trabalhadores. Nunca fiz acordo com eles e não sou corrupto".

Em nota, Marinho rechaçou ilegalidades, mais blábláblá: “todos os valores recebidos constam nas prestações de contas e foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Ainda nas delações de Guilherme Pamplona e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, consta a indicação de pagamento de R$ 1 milhão, por meio de caixa dois, para as campanhas eleitorais de Mauá em 2012, para Donisete, pelo PT, e Vanessa Damo, pelo PMDB. Em troca das doações, a Odebrecht Ambiental seria favorecida pela parceria público-privada com a Sama.

Tanto Donisete quanto Damo não deram respostas públicas sobre o assunto.
Toda promiscuidade entre capitalistas e Estados vai muito além do que aparece na lista de Fachin sobre a corruptora Odebretch, basta vermos todos os ataques aos direitos dos trabalhadores, via a regulamentação da terceirização e reformas trabalhista e previdenciária que só favorecem as patronais. Mais do que uma Lava Jato que prende políticos em suas mansões, é necessário um plano de luta dos trabalhadores que faça com que os capitalistas (patronais e políticos) paguem pela crise!




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