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A invasão do capitólio mostra como o trumpismo não pode ser derrotado nas urnas, mas sim nas ruas

A invasão de manifestantes trumpistas ao Congresso dos EUA tentando impedir a certificação de Joe Biden escancara o nível de crise política da democracia estadunidense. Ao contrário do discurso Democrata de que Trump e a extrema direita teriam sido derrotados nas ruas, as eleições do ano passado mostraram como o trumpismo não foi derrotado, mas se consolida como uma força social e política com peso de massas.

Odete Cristina

Belo Horizonte |@OdtCristina

quarta-feira 6 de janeiro| Edição do dia

A ação de hoje deixou duas pessoas baleadas e produziu cenas grotescas, como os policias tirando fotos com os direitosos reacionários, os mesmos policiais que ajoelham no pescoço dos negros e reprimem os manifestantes que gritam que as vidas negras importam (Black Lives Matter). A prefeita de Nova York declarou toque de recolher a partir das 18 horas, mas a situação segue tensa, com a escória trumpista alegando que as eleições foram roubadas e dizendo que seguirão sua manifestação, fato que instalou uma incerteza sobre os rumos da posse de Joe Biden. Enquanto o presidente eleito pede "respeito à lei", Trump pede aos manifestantes para irem para casa, mas segue defendendo que as eleições foram roubadas. 

Os acontecimentos de hoje adicionam novos elementos à crise da democracia do principal país imperialista do mundo, que já havia ficado bastante questionada depois das eleições com a demora na apuração dos resultados e com o atual presidente Trump defendendo que houve fraude. Agora, a ação de parte da escória trumpista invadindo o Capitólio repercutiu em todo mundo como uma crise de enormes proporções. Enquanto a mídia burguesa tenta vender como um ataque à democracia, a realidade é que o trumpismo é um produto do sistema capitalista, uma expressão da sua face mais reacionária que se fortaleceu juntamente com o aprofundamento da crise econômica, política e social dos últimos anos. 

Por esse motivo, a derrota dessa corrente política só pode se dar por meio da luta para defender os direitos dos trabalhadores, do povo explorado e oprimido, conforme colocou Diana Assunção:

"A invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump é mais uma demonstração de como a extrema direita é uma força social que não pode ser derrotada nas urnas. Mais do que nunca é fundamental organizar a classe trabalhadora e o potente movimento antirracista, que pautou a luta nos EUA em 2020 para derrotar Trump e seus apoiadores reacionários com a força das ruas de maneira independente do imperialista e racista Partido Democrata."




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