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Garis do Rio de Janeiro | A greve dos garis contra Paes e a direção da Comlurb deixou lições valiosas para todos trabalhadores

Os garis tiveram uma duríssima batalha e mais uma vez mostraram como são essenciais para o funcionamento da cidade. Mas a batalha não termina com o encerramento da greve. Em cada combate, aprendemos lições valiosas sobre o inimigo, sobre o terreno, sobre nós mesmos e sobre os nossos aliados.

terça-feira 19 de abril | Edição do dia

A greve dos trabalhadores da Comlurb deste ano deixou lições valiosas, que nós, do Esquerda Diário queremos debater com você, gari. Trazemos algumas ideias depois de colocar todos os nossos esforços possíveis para auxiliar em sua greve, estando nos piquetes, atos, e noticiando cada evento da greve.

foto: assembleia em Guadalupe, 23/04, que votou pela greve

1. O sindicato fez de tudo para impedir a unidade da categoria, é preciso tirar lições para que lutemos pela unidade agora e impedir que ocorram punições aos grevistas e a todos trabalhadores da COMLURB

Em cada um dos 11 dias da greve os garis sofreram ataques de Eduardo Paes. Os ataques começaram antes da greve com a contratação de empresa para colocar trabalhadores precários para fazer o trabalho dos garis. Durante a greve ocorreram muitas ameaças que afastaram diversos companheiros de luta que temeram por seus salários, pelo emprego, ou por retaliações como troca de gerências, de função e perseguição de seus encarregados.

Durante a greve e agora depois dela também, é necessário distinguir quem fura a greve por medo e quem fura porque está do lado dos chefes. A união de toda classe foi combatida duramente por Eduardo Paes, pela chefia da Comlurb, e boicotada pelo Sindicato do Asseio. Essa união que eles combateram é a mesma que precisamos hoje para impedir que os grevistas sejam punidos ou perseguidos. O sindicato faz isso todo dia, na greve e fora dela. Na greve passou em gerências dizendo que não era para ter greve, não auxiliou materialmente com combustível e comida os piquetes, não organizou fundo de greve.

E agora depois da greve, depois de prometer em assembleia que ia protestar contra o corte de ponto, emitiu um comunicado para a justiça que não menciona isso, ele quer é que o grevista se desgaste, dividindo-o de todo o resto da categoria. É preciso unidade da categoria. Defender que não haja punições é necessário frente a qualquer injustiça cometida contra qualquer trabalhador, seja ele grevista ou não. Unidos somos mais fortes para reivindicar nossos direitos, quebrando o medo que a prefeitura e os gerentes tentam nos impor.

2) Sem democracia, sem a categoria decidir cada passo fica mais fácil pra Paes, para Comlurb, para o Sindicato nos enfraquecerem

foto: manifestação de greve fecha as ruas exigindo negociação

O sindicato veio passando por cima das decisões da categoria durante toda a greve, suspendendo a greve 2 vezes por fora de assembleias e não organizando a greve em cada gerência. Essa greve mostrou que a categoria tem que impor na marra assembleias democráticas e todo tipo de organização democrática de debate em cada gerência. Não são só dirigentes sindicais (que não pegam na vassoura nem muito menos sobem numa BA há décadas) quem pode falar, a categoria tem que poder se expressar, nas assembleias, nos atos. Quanto mais a base fala, decide, melhores ideias surgem e maior a união da categoria. Uma das coisas mais fortes de 2014 era esse clima de constante debate e essa boa tradição precisa não só ser retomada como fortalecida, essa é mais uma lição que queremos colocar para reflexão dos garis.

A categoria tem que poder falar e poder votar suas reivindicações, seja em assembleias gerais seja em reuniões locais, em assembleias onde só estejam os trabalhadores, sem gerentes e encarregados ou “enviados” do sindicato que não sabem nada da realidade do dia a dia da gerência.

3) Ter um comando de greve democrático eleito pelos trabalhadores é crucial para superar os limites do sindicato e conseguir derrotar Paes

foto: manifestação de greve passa pela Tijuca

Decidir democraticamente cada novo rumo da greve, como se manifestar, como fortalecer as coisas que podem ser feitas em uma greve é uma tarefa que se for tomada por centenas de ativistas vinculados a suas gerências fortalece a greve e impede que o sindicato manobre e derrote os garis.

As manobras do sindicato são muitas. Algumas delas começaram até mesmo antes da greve. A pauta do plano de saúde não entrou em negociação porque o sindicato nem quis colocar ela em pauta. A greve foi suspensa duas vezes sem assembleia pelo mesmo motivo. Se dessem o microfone para qualquer trabalhador, este iria dizer que é preciso mudar do plano Klini para outro melhor. Isso não ocorreria se a categoria mandasse na greve. Para tirar do Sindicato, que boicotou a greve, o comando da luta, os trabalhadores podem construir representações próprias que têm legitimidade do voto direto em suas assembleias. Se cada gerência elegesse um representante votado em uma assembleia só com trabalhadores, sem encarregados, chefia, seria possível eleger uma representação exclusiva para o período da luta, para negociar diretamente as demandas da categoria impondo ao Sindicato que quem manda são os trabalhadores. O sindicato tem que ser uma ferramenta dos trabalhadores e não de gente que vive na mamata, para ele ser uma ferramenta dos trabalhadores ele deve ser controlado pelos trabalhadores - este é eleito e sustentado pelos trabalhadores, e não o contrário.

4) O apoio da população de e de outras categorias de trabalhadores é essencial para a vitória

foto: manifestação no TRT em uma das audiências de conciliação

Nós do Esquerda Diário colocamos nosso site (www.esquerdadiario.com.br) e todas as nossas redes sociais à serviço de ecoar o grito da greve dos trabalhadores da Comlurb. Junto a outras organizações, fizemos uma campanha de fotos em diversos estados do país, na qual trabalhadores e estudantes se manifestaram à favor do atendimento das reivindicações da greve, e contra a perseguição de Eduardo Paes.

Saiba mais: Quem é Alejandro Vilca, o socialista, gari e indígena que recebeu 24% dos votos em Jujuy?

Organizamos também, junto a outras organizações, um Twittaço que colocou a greve dos garis em um dos 10 temas mais comentados do país no twitter no dia 05/04. Com isso, também diversos parlamentares de esquerda manifestaram apoio nas redes à greve. As manifestações e atos de rua da greve mostraram que a população valoriza os trabalhadores da Comlurb, e exemplos desse tipo buscando potencializar ainda mais o apoio da população são essenciais para derrotar os inimigos da greve, é preciso tirar lições para buscar como aprofundar essa busca de apoio.

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Nós do Esquerda Diário estamos juntos da luta dos trabalhadores e trabalhadoras da Comlurb, e fizemos parte da batalha de ampliar ao máximo o apoio dos trabalhadores e toda população aos garis em sua greve. Mas além disso, somos uma mídia dos trabalhadores que atua com independência dos patrões, diferente do Sindicato dos trabalhadores da Comlurb. Achamos que, na situação atual em que os trabalhadores têm os salários arrochados por Bolsonaro, que o preço de tudo sobe no mesmo ritmo em que sobem a quantidade de escândalos de corrupção envolvendo os governos de Bolsonaro, Castro e Paes, era uma piada de mal gosto a proposta de 2,35% de aumento oferecida pela Comlurb. Os garis foram mais que certos em não aceitar essa proposta. Nos somamos em apoio à essa greve a todos ativistas e aos setores de oposição do Sindicato, e oferecemos essas sugestões e ideias de uma estratégia para arrancar todas as reivindicações da categoria, achamos que cada gari, ativista e os membros da oposição, aprofundando as sugestões que escrevemos neste texto, poderiam estar melhor preparados para os desafios de hoje e preparar futuras batalhas.




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