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Atos de 02/10 | A esquerda socialista pode ser uma força independente da direita para combater Bolsonaro

É preciso combater o governo mantendo independência da direita que vem junto com Bolsonaro em uma bateria de ataques contra os trabalhadores e o povo pobre. Construindo blocos classistas no 2 de outubro, a esquerda socialista pode dar um passo em construir uma unidade capaz de enfrentar o projeto econômico de miséria, reformas, privatizações e ataques em nome do lucro capitalista.

quarta-feira 29 de setembro | Edição do dia

Mortes por Covid, ataques neoliberais, precarização do trabalho, desemprego, inflação, destruição ambiental, ataques aos povos indígenas, à juventude, às mulheres e ao povo negro são as marcas do governo de Bolsonaro e Mourão. Porém, a verdade é que este governo veio para dar seguimento aos ataques que se aprofundaram após o golpe institucional de 2016, que reuniu toda a direita e atores políticos reacionários do regime. Muitos desses hoje se colocam como oposição ao governo - como alas do STF, do Congresso e a direita liberal do PSDB e do MBL - mas a verdade é que onde a política cotidiana acontece, apesar do teatro da CPI e dos palanques eleitorais, estão ao lado de Bolsonaro em cada projeto para descarregar a crise em nossas costas.

Atos 2 de Outubro | Unir esquerda e ativistas nos atos do dia 2 em blocos classistas independentes da direita

A unidade com partidos da direita não fortalece a luta contra Bolsonaro. Lava a cara de quem nos ataca junto dele e abre espaço para uma terceira via eleitoral de direita rumo a 2022, alinhada com os interesses imperialistas para o país. A unidade que precisamos é a da classe trabalhadora com os movimentos sociais e todos os setores mais explorados e oprimidos do país, que são os principais atingidos pela crise social, econômica e ecológica promovida pelos capitalistas e o conjunto de seus representantes políticos.

2 de Outubro | Unidade de ação é dos trabalhadores e movimentos sociais contra o desemprego, a inflação e a destruição ambiental

Por isso, nós do Esquerda Diário e do MRT chamamos a esquerda socialista - PSTU, setores do PSOL, PCB, UP e PCO, mas também ativistas independentes - a conformarmos blocos classistas nos atos do próximo dia 2 de outubro, levantando o Fora Bolsonaro e Mourão, a defesa dos direitos dos trabalhadores, dos aposentados, da juventude e dos povos indígenas, por empregos dignos, saúde e educação para todos, e contra a destruição ambiental promovida pelo reacionário agronegócio. Às organizações que vêm reivindicando as “alianças amplas”, ou seja, com a direita que é parte de convocar esses atos, chamamos a romperem com essa linha de subordinação, começando pela conformação destes blocos com independência de classe. Com as correntes que já são críticas à presença da direita nos próximos atos, consideramos que não há nenhum motivo para não marcharmos juntos levantando a bandeira da unidade da classe trabalhadora, mesmo que tenhamos diferenças políticas.

2 de outubro | Chamado a construir Blocos Classistas nas manifestações de 2 de outubro

Entre essas diferenças, sabemos que hegemonicamente a esquerda vem dando peso na política de aliança com a direita pelo impeachment, da qual discordamos, pois vai no sentido contrário da aposta na unidade de ação da classe trabalhadora na luta de classes como caminho para apresentar uma saída política para o conjunto de crises no país. O programa do impeachment semeia confiança em nossos inimigos de classe, que nunca pararam de nos atacar ao lado de Bolsonaro, e na prática colocaria Mourão na presidência e preservaria o regime e o conjunto dos ataques.

Que os capitalistas paguem pela crise | Combater o desemprego com redução das jornadas de trabalho sem redução salarial

Considerando que é preciso manter a independência de classe não só nas ruas, mas no conjunto da política, nós do MRT defendemos a necessidade de batalhar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, combatendo todos os atores do regime (não só Bolsonaro), conferindo aos trabalhadores maior protagonismo político e, caso um processo assim avance, permitindo com que as massas possam debater saídas profundas para os problemas do país e tenham uma experiência com os limites da democracia burguesa.

Editorial MRT | 2/10: derrotar Bolsonaro com um programa operário para que os capitalistas paguem pela crise

Acreditamos que a conformação de blocos classistas nos próximos atos pode ser um importante primeiro passo para apresentar uma política de independência de classe e avançar no debate sobre a necessidade de um programa operário para enfrentar a crise - um programa que inclua medidas como o reajuste automático dos salários de acordo com a inflação e a repartição das horas de trabalho entre empregados e desempregados, sem redução salarial, para enfrentar o desemprego. Nesse caminho, sem restrição de debates, é possível avançar na conformação de um pólo classista e antiburocrático que reúna a esquerda, seus sindicatos, parlamentares em uma forte campanha nacional por um programa assim e por um plano de lutas real, unificando os processos de luta já em curso e contra a paralisia imposta pelas centrais sindicais como a CUT e CTB - que visam somente a eleição de Lula em aliança com a direita em 2022.

Leia também: O futuro de Lula no espelho de Alberto




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