Internacional

CHAMADO À ESQUERDA

A esquerda brasileira precisa apoiar ativamente a luta de classes no Chile

A luta de classes reacende a América Latina e tem o Chile como seu ponto alto neste momento. É preciso que toda a esquerda brasileira se coloque em apoio ativo aos estudantes, trabalhadores e à população chilena que luta contra as medidas do direitista Piñera, fazer ecoar também no Brasil os gritos exigindo o fim do estado de exceção e a abolição da Lei de Segurança Interior do Estado.

domingo 20 de outubro| Edição do dia

Pouco após as massivas mobilizações trabalhadores e indígenas do Equador, os estudantes e trabalhadores chilenos saem às ruas após o aumento das tarifas do transporte e contra a precariedade das condições de trabalho, implementadas pelo governo direitista de Sebastián Piñera. Após as fortes manifestações, o presidente anunciou “estado de emergência” nos estados de Santiago e Chacabuco, e nas bairros de Puente Alto e San Bernardo, restringindo direitos democráticos básicos como a liberdade de reunião e de trânsito, algo nunca visto antes na democracia, apenas em casos de “catástrofes naturais”.

A medida desatou uma verdadeira rebelião da juventude, se expandiu para amplos setores da sociedade chilena que, durante toda a madrugada, ocupou as ruas com os “panelaços”, mais manifestações e incontáveis piquetes, desafiando a militarização e o toque de recolher.

É com esse ódio dos ataques aos direitos democráticos e com esse ódio às medidas contra os trabalhadores que a esquerda brasileira deve se munir, se espelhar na luta da juventude e dos trabalhadores chilenos para frear imediatamente a reforma da previdência, também os ataques à educação e o conjunto de medidas do projeto ultraliberal e entreguista de Jair Bolsonaro que, assim como Piñera, quer descarregar os custos da crise econômica sobre os ombros dos trabalhadores e da população pobre.

As grandes direções dos sindicatos e dos movimentos de trabalhadores no Chile não são parte de impulsionar e de organizar a revolta nas ruas, menos ainda de organizar uma greve geral que seja capaz de barrar o projeto do direitista Piñera. Muito parecidas com isso, as direções brasileiras também não se dão este papel e, ao contrário, também trabalham para manter o estado de apatia diante de tantos ataques. Impulsionar medidas de apoio é o mínimo que poderiam fazer as organizações dirigidas pelo PT e pelo PCdoB no Brasil, como a CUT, a CTB e a UNE. Nestes casos, o silêncio desses partidos mostra que compartilham de um ponto em comum com a direita, que é o medo da luta de classes.

Nesse sentido é que a esquerda no Brasil e todos aqueles que levantam as bandeiras de defesa dos trabalhadores devem também sair às ruas, em frente ao Consulado chileno, para expressar ativamente o nosso apoio, assim como nos solidarizar pela morte dos três manifestantes - que ocorreu essa madrugada - e impulsionar a necessidade de trazer essas influências ao Brasil.

Nós do Esquerda Diário e do MRT fazemos este chamado especialmente ao PSOL, às correntes de oposição de esquerda da UNE como PCB e UP, e às entidades representativas de estudantes e de trabalhadores, ao PSTU e todas as correntes de oposição de esquerda ao governo Bolsonaro.

Abaixo o estado de emergência no Chile! Pelo chamado de uma greve geral no Chile até a conquista de suas demandas! É possível erguer um movimento, ao lado também dos trabalhadores e indígenas do Equador, que se levante contra a direita e a extrema direita na América Latina e as medidas de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores internacionalmente.
É com esse espírito que as organizações da FT (Fração Trotskista) atua neste momento.




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