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Argentina | A esquerda argentina fortalece a batalha contra os ataques de Milei

Governo argentino vota às pressas o pacote de leis e ataques aos trabalhadores, com apoio das centrais sindicais CGT e CTA, assim como do peronismo. Porém há ainda tempo de impedir os ataques, o PTS e a Frente de Esquerda (FIT) denunciam os projetos do governo e dos grandes capitalista e apontam que o caminho é construir uma forte paralisação nacional e mobilização a partir de cada local de trabalho, estudo e bairro

quarta-feira 1º de maio | Edição do dia

Alguns meios de comunicação, aqueles que são bem amigos do poder, festejaram: depois de 142 dias de governo, Javier Milei teria algo a celebrar no Congresso Nacional.

Efetivamente, a Câmara dos Deputados deu meia-sanção à Lei de Bases e ao pacote fiscal. O que se votou - ainda que tiveram que cortar partes do projeto original - foi imensamente amplo. Benefícios para os poderosos, reforma trabalhista, ataques à previdência, cargos delegados. E poderíamos continuar.

Mas queriam passar assim, rápido. Era a ideia. Sua ideia. Desde muito cedo a esquerda denunciou que “se apressam porque sabem que o humor social está acabando”. E depois da numerosa mobilização universitária da terça passada começaram a correr ainda mais. A este se somou a volta do imposto aos salários começaram a se somar com medidas e exigências de azeiteiros, trabalhadores marítimos e outros trabalhadores de transporte que farão fortes ações no dia 6 de maio, antes da paralisação nacional dia 9. Desde o poder queriam votar tudo com pouca discussão e, sobretudo, com pouca gente nas ruas. Quase com secretismo. Um método bem de casta. Quando saem às ruas, a casta tem medo.

Tem que se dizer: em partes conseguiram. Muita gente nos falou: só no último minuto que entenderam o que iria ser votado. A revolta começava a surgir quando o Congresso Nacional já estava reunido. Sem tempo de debater e se organizar desde os lugares de trabalho, estudo e bairros.

Mas a comemoração do poder é prematura. Em poucos, mas intensos, dias de politização, milhões começaram a ver o que acontecia e a entender que ainda há tempo de pará-lo. Porque o que se votou em deputados tem que ser ratificado pelo Senado para ser Lei.

São milhões que se informaram pela esquerda da profundidade dos projetos de lei, com um enorme reconhecimento para Myriam Bregman, Nicolás Del Caño, Christian Castillo, Alejandro Vilca e Romina del Plá. Que se não fosse por eles, não poderiam ter entendido de que querem demissões baratas, eliminar a moratória previdencial, estabelecer períodos de teste maiores, privatizar e tantas outras coisas. As publicações nas redes sociais dos deputados da Frente de Esquerda, do La Izquierda Diario [rede internacional do Esquerda Diário] e milhares de militantes, assim como as aparições na televisão e rádio, foram vistas por milhões de pessoas, inclusive por muitos ex-votantes do Unión por la Patria que se sentiram mais representados pela esquerda do que por seus deputados e deputadas.

Para além disso: a esquerda é a que esteve nas ruas estes dias, junto às assembleias de bairro, aposentados, estudantes e setores sindicais combativos. Não pode ser mais contrastante o que fizeram as direções da CGT e CTA, que negociaram a reforma trabalhista para cuidar de seus interesses de burocratas e, mais uma vez, desaparecer das ruas durante a discussão da lei. Agora convocam um primeiro de maio quando a lei já foi votada. Enquanto isso, os deputados da Unión por la Patria fizeram alguns discursos dentro do congresso, mas sem chamar para a mobilização, nem nada. Alguns até deram alguns votos à lei em alguns pontos em particular e inclusive Juan Grabois justificou a paralisia da CGT. O peronismo não quer derrotar os planos do Milei, senão se preparar as próximas eleições. Enquanto isso, o povo trabalhador se empobrece cada dia mais.

Os dirigentes do peronismo, apesar do que falam, são fundamentais para a “governabilidade” de Milei. Além disso, como advertiram os deputados e deputadas do PTS-Frente de Esquerda, partido irmão do MRT na Argentina, a marcha universitária é o sinal de que a Argentina se soma às mobilizações internacionais da juventude, que em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e outros lugares do mundo entra em cena contra o massacre na Palestina e dando conta também de um mal-estar contra um mundo em crises, guerras e desastres ambientais.

A voz da esquerda nessas jornadas foi escutada por milhões. Não foi suficiente para frear o ataque em Deputados, mas é uma contribuição muito importante para o que vem, que será o apoio a cada luta contra o ajuste, a recessão e os tarifaços, a participação na paralisação nacional do dia 9 de maio e a luta para impor desde baixo - impulsionando assembleias em todos os lados - a CGT e a CTA a paralisação nacional e mobilização quando for a discussão das leis no Senado. Agora milhões já sabem o que está em jogo. Se trata de, em cada luta, construir o caminho para uma greve geral para derrotar todo o plano de Milei e dos grandes capitalistas,enquanto levanta a bandeira por outra saída, diante da inevitável crise do La Libertad Avanza, a decadência dos colaboracionistas e um peronismo que vem de fracassos e não quer nem pode oferecer alguma alternativa favorável às massas.

Com algumas destas bandeiras, levantaremos esta quarta uma plataforma, no Dia Internacional dos Trabalhadores. Te convidamos a somar-se, porque para que esta perspectiva triunfe, necessitamos construir um grande partido socialista dos trabalhadores de dezenas de milhares de militares inseridos em todos os lugares de trabalho, de estudo e em cada bairro, que aposte na organização e mobilização da força social de milhões, sob um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas.

É possível conferir algumas das principais intervenções em espanhol dos deputados e deputadas da Frente de Esquerda aqui:




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