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Eleições na Argentina | A entusiasmante campanha operária da esquerda argentina

As eleições argentinas se aproximam e a Frente de Esquerda (FIT-U) vêm se consolidando como a terceira força nacional, com um crescimento significativo entre a vanguarda dos estudantes e trabalhadores. Veja 5 vídeos de campanha (na Argentina chamados de Spot) que provam que a FIT-U é a única alternativa na Argentina, levando uma campanha à serviço dos trabalhadores com independência de classe.

terça-feira 9 de novembro | Edição do dia

1.Round 6 e a Argentina

Muitos devem ter visto a série sensação do Netflix “Round Six”. Na série, um grupo da burguesia coloca centenas de pessoas endividadas para competir entre si, em um jogo onde só uma pessoa pode sair vencedora e conseguir quitar suas dívidas.

Numa bela metáfora feita pela FIT, o FMI representa a Burguesia e a Argentina os endividados. Enquanto a Argentina está perdendo o jogo, o FMI cobra as dívidas em detrimento da piora do sistema de saúde, de educação e da aposentadoria.

A FIT é a única frente que vem defendendo o não-acordo e o rompimento com o FMI, o não pagamento da dívida pública, a nacionalização dos bancos e do comércio exterior. A dívida externa e as cobranças do FMI são mecanismos imperialistas que drenam as riquezas de países da periferia do sistema capitalista, como o caso da Argentina, que apesar de ter metade da população abaixo da linha da pobreza, têm que dar grande parte das riquezas ao FMI com aval de Alberto Fernández.

Pode te interessar: Eleições na Argentina: uma política de independência de classes para além das fronteiras e o debate com a esquerda brasileira.

2. Okupas

Em outra referência a uma série, a Frente de Esquerda “parodiou” a série argentina Okupas. Na série é retratada a amizade de 4 jovens em meio a decadência econômica e social causada pela grave crise econômica argentina que se estendeu do fim dos anos 90 aos inicio dos anos 2000.

No comercial da FIT, os jovens se dão conta que estão vestidos igual aos personagens de Okupas, e mais que isso, que as condições de vida são as mesmas que há 20 anos atrás: O governo não liga para os aposentados, não há empregos disponíveis, seguem os despejos como em Guernica, tudo isso em meio a uma pandemia sem auxílio emergencial. Desiludidos com a Frente de Todos de Alberto Fernández que fez promessas que tudo seria diferente, os amigos chegam à conclusão que nas eleições precisam votar na Esquerda, afinal é ela que está sempre lutando lado a lado com os trabalhadores.

A FIT vê o parlamento não como um fim, diferente de setores da Esquerda Brasileira que se contentam com um assento no congresso, e sim como um meio de impulsionar as lutas que são dadas pelos trabalhadores e pelos setores oprimidos. Por isso, os parlamentares do PTS, partido irmão do MRT na Argentina, que são eleitos pela FIT recebem o salário igual ao de um trabalhador e doam o resto para um fundo que serve para impulsionar as lutas.

Veja mais: A campanha eleitoral da FIT-U, o programa e a estratégia

3. Quatro razões para que os trabalhadores votem na Frente de Esquerda

1. A FIT não vai aceitar nenhuma reforma trabalhista, como a feita no Brasil nos últimos anos. A direita e os empresários querem fazer uma reforma que precariza ainda mais a vida da classe trabalhadora, flexibilizando os vínculos trabalhistas.

2. A FIT tem propostas para criar empregos para todes. Em primeiro lugar, um plano de obras públicas que resolva os problemas da falta de moradia, hospitais e escolas, gerando assim milhares de postos de trabalho. Em segundo lugar, reduzir a jornada de trabalho de 8 para 6 horas em 5 dias da semana, mantendo o mesmo salário, dividindo as horas de trabalho entre empregados e desempregados, o que geraria 900.000 postos de trabalho. E ainda mais, que o salário mínimo fosse o suficiente para cobrir os gastos mensais, visto que com os baixos salários e a inflação em alta, o salário mínimo não é suficiente sequer para chegar ao fim do mês.

3. A FIT luta por um salário mínimo que cubra os gastos familiares e seja reajustado de acordo com a inflação. Ainda que o Governo da Frente de Todos tenha prometido aumentar os salários, quem segue com os bolsos cheios de dinheiro são os empresários que lucram com a exploração dos trabalhadores. Por isso a proposta de aumento imediato de 20% dos salários e da aposentadoria, que se atualizem de acordo com a inflação, além de um seguro para desempregados.

4. A última das 4 razões expressa o porquê da Frente de Esquerda ser a única alternativa com independência de classe na Argentina: seus candidatos são trabalhadores e trabalhadoras como os do Povo Argentino, ou seja, sentem na pele a exploração dos empresários e da direita e lutam por um governo dos trabalhadores em ruptura com o capitalismo.

Confira: O exemplo de independência de classe da esquerda revolucionária nas eleições da Argentina

4. A terceira força na Argentina

A FIT é hoje uma alternativa concreta para os trabalhadores, sendo presente em cada luta em curso e se alçando como terceira força política na Argentina. O resultado da FIT nas Paso, uma espécie de prévia das eleições, foi notado até por jornais burgueses, que tiveram que noticiar o crescimento do Trotskismo em províncias chaves como Buenos Aires e Jujuy.

O Governo da Frente de Todos prometeu acabar com os ajustes, no entanto, a situação só se agravou. Enquanto isso, a FIT esteve ao lado dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, lutando contra o ajuste e o FMI.

Pode te interessar: 10 pontos que explicam o crescimento da Frente de Esquerda argentina na vanguarda dos trabalhadores e da juventude

5. Os adversários políticos da Frente de Esquerda

Neste bem-humorado spot, são desmascaradas as outras forças que concorrem às eleições na Província de Buenos Aires. Em primeiro lugar, Victoria Tolosa Paz da Frente de Todos de Alberto Fernández, que apesar de se dizer de classe média, vive em uma mansão de 854 metros quadrados em um condomínio de luxo. Já a candidata do Governo Popular durante a segunda onda da pandemia foi contra o IFE, uma medida econômica semelhante ao auxílio emergencial.

Frente a esses adversários, a FIT apresenta candidaturas de trabalhadores que nunca viram a política como uma forma de enriquecer, e sim de impulsionar a luta que os trabalhadores travam diariamente. Nesse sentido, enquanto os outros partidos apresentam candidatos endinheirados, que protegem o lucro dos empresários, a Frente de Esquerda cobra o salário de um trabalhador enquanto luta, como dito acima, contra a Reforma Trabalhista, contra os acordos e o FMI, pela repartição das horas de trabalho sem afetar o salário, pelo reajuste salarial de acordo com a inflação.

Veja também: Cresce campanha de Alejandro Vilca, operário indígena que disputa uma vaga no Congresso argentino




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