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Crise Climática | A cura para a ansiedade climática é a destruição do capitalismo

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC em inglês) apresenta um quadro de aumento nas temperaturas na superfície do planeta e elevação dos níveis do mar, além de uma tendência a outros eventos climáticos. Para combater a mudança climática antes que ela se torne uma catástrofe, precisamos lutar pela derrubada revolucionária do capitalismo.

sexta-feira 13 de agosto | Edição do dia

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Desde 1970, de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), a temperatura da superfície do globo aumentou mais rápido do que em qualquer outro período de 50 anos desde os últimos 2000 anos. O relatório do IPCC, apesar de ser uma das mais relevantes pesquisas climáticas desde 2013, apenas confirma fatos já bem conhecidos. Muitas pessoas já têm experienciado os efeitos da rápida mudança climática que tem o capitalismo no volante.

Os pontos chaves do relatório incluem o seguinte: A temperatura da superfície terrestre foi 1.09 graus Celsius mais alta na década de 2011-2020 do que no período de 1850-1900. Os últimos cinco anos têm sido os mais quentes desde 1850, e é certo que altas de temperatura, como ondas de calor, se tornaram mais intensas e frequentes desde 1950. Enquanto isso, eventos climáticos frios têm tido a frequência e intensidade diminuídas. Outros pontos importantes revelam que a taxa de subida do nível do mar praticamente triplicou se comparada à mesma taxa de 1901-1971. Também a diminuição da quantidade de gelo ártico e o aumento do degelo que contribui para o aumento do nível do mar é 90% causado pela “influência humana”.

O relatório do IPCC também coloca uma verdade que muitos já sabem: nós já estamos além do ponto onde não há retorno. Muitas das consequências da industrialização pesada feita apenas pelo lucro já são irreversíveis, e terão seus efeitos estendidos pelos próximos séculos ou milênios. As grandes ondas de calor como a que há agora no noroeste do Pacífico, secas que levam a queimadas mais fortes como na Grécia e tempestades que causam enchentes como as de Bangladesh, tudo isso não é mais anomalia; isso é o futuro.

O IPCC também propõe cinco possíveis futuros:
- Um cenário com muitas e muito altas emissões de gases de efeito estufa (GHG em inglês) e de CO2, que fazem com que os níveis atuais sejam dobrado em 2050 e depois de novo em 2100;
- Um cenário com emissões de GHG e CO2 intermediárias, com os níveis mais ou menos estáveis até a metade do século;
- Alguns cenários com baixíssimas emissões de GHG e CO2, caindo para algo próximo de zero em 2050, e depois com emissões “negativas”.

Mesmo sob emissões super baixas de CO2 a temperatura da superfície terrestre no período de 2081-2100 tem altíssimas chances de estar entre 1 a 1,8 ºC mais alta do que entre 1850 e 1900. Mesmo neste incrivelmente ambicioso cenário estaríamos excedendo o limiar de 1,5ºC estabelecido no Acordo de Paris. A temperatura da superfície da Terra tem uma projeção de estar 2,1ºC a 3,5ºC mais alta no cenário intermediário e algo entre 3,3 a 5,7ºC mais alta no cenário com altas emissões de GHG e CO2. É possível que no cenário de altíssimas e altas emissões a marca de 2ºC seja atingida entre 2041 e 2060, e que isso não aconteça já no cenário intermediário.

A marca de 2ºC é importante pois se a Terra atingir esses 2ºC de temperatura acima do período pré-industrial, eventos climáticos que ocorriam a cada 50 anos passem a ocorrer a cada 3 ou 4 anos. Em adição a essa maior frequência, é possível que hajam eventos combinados: ou seja, dois grandes eventos climáticos ocorrendo simultaneamente ou muito próximos temporalmente, como ondas de calor e secas acontecendo ao mesmo tempo ou em rápida sucessão. Esse tipo de eventos climáticos já são impactantes para a infraestrutura física da sociedade, mas se eles ocorrerem de forma conjunta é possível que a infraestrutura entre em colapso, levando a ainda mais mortes e destruição.

Nós já vimos exemplos de como a infraestrutura controlada pelo capitalismo é incapaz de lidar com a catástrofe climática, como o vórtex polar que gerou extremo frio no Texas, que foi empurrado para o sul como resultado da mudança climática. Uma usina energética foi incapaz de fornecer a energia necessária para os residentes da região se aquecerem.

Se as corporações continuarem em seus níveis de emissão, podemos esperar ver um aquecimento de pelo menos 3ºC antes do fim do século. Mesmo que as emissões de carbono sejam reduzidas rapidamente, a temperatura global deve aumentar 1,5ºC por volta de 2040, um pouco menos de 20 anos contando de agora. O IPCC estima que já há gases de efeito estufa na atmosfera suficientes para que esse fenômeno ocorra, e que o único motivo pelo qual não experienciamos esses acontecimentos é porque a fumaça e outras formas convencionais de poluição estão mantendo as temperaturas baixas.

Mesmo o melhor cenário não inspira confiança: ele ainda resulta em uma grande mudança climática, aumento do nível do mar irreversível, e o limite que podemos lançar de carbono na atmosfera sendo superado em 11,5 anos se as emissões forem tais quais as de 2020 - e menos que isso se as emissões globais continuarem a crescer.

Muitas pessoas expressam a sua ansiedade e indignação nas redes sociais sobre a mudança climática “de responsabilidade humana”. Essa mudança, porém, não é de “responsabilidade humana” e nem causada por cada pessoa individualmente.

Estranhamente ausente do relatório do IPCC está o fato de que toda essa mudança climática é resultado do capitalismo. Séculos de priorização do lucro do que vidas nos levaram até aqui, e não indivíduos tomando banhos “muito longos” ou usando canudos de plástico em restaurantes. É claro que há maneiras de que indivíduos podem diminuir o próprio consumo de recursos e sua pegada ecológica, mas comportamentos individuais são mínimos perto da absoluta destruição que as empresas têm trazido ao planeta. O 1% e as grandes corporações têm continuado a ser os maiores responsáveis pela mudança climática e nossa eventual catástrofe.

Os Estados Unidos são parte do IPCC, mas o governo Biden não tomou nenhuma ação concreta para diminuir as emissões. Passos importantes seriam aceitar metas ou acabar com todos os projetos de extração de energia fóssil. Na segunda, 9 de Agosto, o governo Biden anunciou a alocação de 5 bilhões de dólares de fundos através da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências para ajudar os estados a se preparar contra “desastres relacionados a climas extremos”. Isso não indica nenhuma causa raiz da mudança climática; isso simplesmente joga uma quantia insuficiente de dinheiro no problema e não indica nenhuma solução para toda a morte e destruição que as queimadas e tempestades irão inevitavelmente causar.

Os governos se apoiam nas grandes corporações que alimentam a mudança climática e são incapazes de realizar as mudanças necessárias para reduzir os impactos climáticos durante o próximo século. Se faz necessário uma sociedade socialista global que priorize as vidas e o bem estar da classe trabalhadora mundial e dos oprimidos acima dos lucros e da competição. Criar tal sociedade requer um esforço revolucionário.

Não podemos deixar a “ansiedade climática” abrir caminho ao niiilismo. Precisamos canalizar nossa frustração sobre as corporações que destroem o meio-ambiente e impedem que futuras gerações sejam capazes de habitar o planeta, e precisamos fazer isso através de uma luta para a derrubada do capitalismo. Não podemos esperar que nenhum governo reformista tome os passos mínimos em direção aos cortes de emissões de carbono e gases de efeito estufa para que seja “apenas o suficiente”, impedindo uma revolta. Precisamos lutar para uma nacionalização imediata de todo o transporte, manufatura, extração de combustíveis fósseis e produção energética sob controle das e dos trabalhadores; lutar por um compromisso de parar todas os usos de combustíveis fósseis dentro da próxima década, e por grandes investimentos em infraestrutura energética, transportes públicos e conservação ambiental.

Não sucumbiremos à ansiedade climática. Ao invés disso, vamos nos comprometer a lutar pelo socialismo para que possamos realizar mudanças relevantes que mantenham a Terra habitável - antes que seja tarde demais.




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