Mundo Operário

RELATO TRABALHADORA DA AVIAÇÃO

“A consciência dos trabalhadores pode mudar. Não é rígida como o aço dos aviões.”

sexta-feira 2 de abril| Edição do dia

“Nossa vida não vale nada pra eles. Pegaram metade do nosso salário, nos colocaram em licenças não remuneradas, nos demitiram. Aos que retornam, estão trabalhando sem saber se estão contaminados. Perdemos direitos e agora estamos perdendo a vida”. Relata uma trabalhadora da aviação que nos enviou um relato anônimo.

Esse é o cenário nos locais de trabalho. Mais precisamente nos aeroportos, um dos setores mais afetados, o clima é fúnebre entre os funcionários. Ao conversar rapidamente com um e outro, já se percebe o olhar triste e profundo. Tristeza porque um ente querido está hospitalizado ou morreu por falta de leitos na rede de saúde. No olhar profundo a incerteza se amanhã estará empregado ou não.

“A vacinação não avança. O Estado não criou um auxílio econômico que realmente possibilitasse à classe trabalhadora fazer quarentena. Em nome do lucro patronal a parcela dos trabalhadores que não foi demitida permaneceu trabalhando em dobro, correndo o risco de se contaminar três vezes mais”.

E continua;

“O discurso de que ‘a economia não pode parar senão o trabalhador morre de fome’, é um desvio para que não haja nenhuma explosão de revolta nos trabalhadores, pois é de responsabilidade do Estado um plano de verdade contra a pandemia do Coronavirus”.

Precisamente, é necessário suprir as condições materiais para que quem precise possa realmente ficar em casa, com auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, com vacinação para todos, testes em massa, leitos e centros de recuperação para pessoas que contraem a Covid, afastamento com todos direitos e salário das pessoas grupo de risco, proibição das demissões, investimento e liberdade para a pesquisa científica, investimento no SUS público, gratuito e para todos, e muitas outras medidas fundamentais que questionem a raiz dos problemas pelos quais estamos passando.

Segue a trabalhadora:

“Mas com Bolsonaro e a extrema direita, só há negacionismo e planos para acabar com a vida dos trabalhadores, das mulheres, negras e negros e LGBT’s, não há um plano efetivo de combate à pandemia e diante de um cenário de reabertura sem vacina, surgiram novas variantes brasileiras. Os números de contaminação e mortes aumentaram exponencialmente. Os países aumentaram as restrições para passageiros vindos do Brasil, e os terminais do aeroporto estão vazios novamente.

Nessa situação de crise tão grave, vale a pena dizer, a maioria dos trabalhadores se encontra de cabeça baixa, mas a consciência não é rígida como o aço dos aviões, ela se transforma, é capaz de mudar suas formas e sua direção. Isso é resultado das experiências mais duras, como as que hoje estamos vivendo.

Então, se hoje trabalhadoras e trabalhadores da aviação não estão se mobilizando para lutar, é porque nosso sindicato está preso nas garras de uma burocracia sindical que há anos serve mais aos empresários da Latam e das outras empresas do que aos trabalhadores. Mas, ao mesmo tempo, vemos uma situação já muito diferente do ano passado. As pessoas dizem que não vão mais aceitar licenças não remuneradas que não resolvem o problema. A experiência pela qual as pessoas vêm passando pode mudar a consciência profundamente”.

No Paraguai o povo saiu em luta responsabilizando o governo pelas mortes e pela crise social frente a pandemia do Coronavirus. Em Mianmar enfrentam nas ruas um golpe militar, no Chile, Argentina e Estados Unidos, em todos esses países aconteceram e acontecem grandes lutas em pelos direitos dos trabalhadores, das mulheres, negras e negros, a população LGBT, explorados e oprimidos em meio a pandemia. Não será diferente no Brasil, a resposta não pode ser sentar e esperar as eleições de 2022, nem apenas tirar Bolsonaro para deixar Mourão, como Lula e parte da esquerda defendem.

Agir é uma necessidade para dar resposta às demandas de amplos setores da classe trabalhadora brasileira e os sindicatos e todas organizações de esquerda e de trabalhadores, a começar pela CUT, pela CTB e demais centrais sindicais, tem que preparar um plano que unifique toda a classe trabalhadora, assim como ligar essa luta com centros de pesquisa públicos, organizações de cientistas, estudantis e representantes populares de bairros, sindicatos e de trabalhadores do campo, da população indígena, quilombola e toda população em condição de vulnerabilidade na cidade e no campo, para que assim possa ser organizado um plano racional e realmente democrático de combate à pandemia, por uma saída onde nossas vidas valham mais que o lucro deles!




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