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PETROBRAS

A concretização das demissões na FAFEN-PR e as necessárias lições da greve petroleira

No dia 03 de março os petroleiros da FAFEN-PR realizaram assembleia para deliberar se aceitavam as duas propostas de Ives Gandra impondo as demissões. Após 20 dias de uma greve nacional que afetou mais de 120 unidades operacionais e tinha como principal pauta a garantia desses empregos o sabor da aceitação dessas demissões é mais do que amargo.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

domingo 8 de março| Edição do dia

A própria matéria da FUP e do Sindqímica-PR dá conta de quão absurdo e doloroso é esse resultado. Mil famílias deixadas ao relento. 600 terceirizados demitidos pura e simplesmente e os 396 próprios demitidos com alguma compensação financeira, mínima, e agora o país, como maior mercado de fertilizantes nitrogenados do país terá que importar 100% de sua necessidades.

A nota divulgada pela principal direção sindical petroleira, a FUP, colocou nas costas do sindicato local toda a decisão, a eles caberiam decidir a aceitação ou não do desfecho e que a federação e restante dos sindicatos aceitariam. Depois de um movimento nacional movido pela defesa desses empregos, um movimento que dava uma mostra inédita de solidariedade nacional, com efetivos e terceirizados, e já sem nenhuma medida de luta o desfecho não poderia ser outro.

A argumentação da FUP e do sindicato local é de que “não haveria mais margem à negociação”. Essa afirmação em si escancara a estratégia com que conduziram o conflito e como um imenso potencial da greve petroleiro foi contido sem poder se realizar. As negociações não eram uma das armas do conflito, eram seu objetivo, seu ápice. Toda a adesão nacional foi conduzida pela FUP como força auxiliar da negociação, bastava a Gandra ou a Petrobras combinarem um pouco mais sua violenta perseguição ao direito de greve com algum sinal de negociação que essa direção aceitaria terminar a greve (ou suspender como diziam no momento).

Nós do Esquerda Diário alertamos desde o inicio que as negociações, ainda mais sem greve, não ofereciam nenhuma garantia de defesa dos empregos, e que estava em curso uma operação de desmonte da greve e de seu potencial. A vitória da greve petroleira teria sido um ponto de apoio para os trabalhadores em todo o país contra as demissões e contra as privatizações. Justamente porque a greve não foi conduzida para realizar seu potencial, que Bolsonaro pode, se permitir maiores provocações autoritárias.

O isolamento de nossa greve, a maior desde 1995, foi assegurada pela maiores centrais sindicais opositoras, a CUT e CTB, que não moveram forças em apoio a greve petroleira, e construíam um calendário em outras categorias atacadas que impedia a confluência das lutas, deixando somente para 18 de março uma importante mobilização da educação. Esse mesmo isolamento foi garantido por todas as correntes políticas de centro-esquerda como PT e PCdoB e mesmo da esquerda como PSOL que também não moveram esforços para que a greve rompesse o cerco midiático, sequer o uso dos mandatos parlamentares para convocar mobilizações dos petroleiros foi feito, com uma das maiores lideranças do PSOL, Marcelo Freixo pronunciando-se sobre a greve já na véspera de seu encerramento com o desmonte já à todo vapor.

O potencial de nossa greve, permitia muito mais que somente a negociação sobre a tabela de turno e retirada das ameaças de punições, e pemitia garantir os 1mil empregos no Paraná e marcar uma mudança na luta contra as privatizações, que persistem. Para isso era necessário que se rompesse esse isolamento e avançássemos a uma real coordenação da base, com um Comando Nacional de Greve com representantes de cada unidade, que permitiria atingir muito mais fortemente a produção e impor uma derrota aos privatistas todos, permitia a unidade nacional da categoria tão frequentemente dividida em duas federações e sem que sua auto-organização permita libertar todas as forças de tão estratégica parcela da classe trabalhadora nacional.

O desmonte da greve e de seu potencial não aconteceu somente nos dias finais, mas concretizou-se de forma decisiva quando todas as direções sindicais, começando pela FUP, mas envolvendo também todas principais direções sindicais da FNP, no Litoral Paulista e no Rio de Janeiro, envolvendo as principais lideranças da FNP, as correntes do PSOL como a Resistência, e também o PSTU no Rio de Janeiro, quando todos eles orientaram o fim da greve.

Diante desse cenário muitos petroleiros, que queriam a continuidade da greve, viam nela ainda força para garantir os empregos, não se viu com outra alternativa. Mesma situação vivida no dia 03 por muitos companheiros na FAFEN.

Apesar desse desfecho, como muitos petroleiros encaram, trata-se de tirar lições e preparar novos embates. Muitos petroleiros apontam como a categoria se vê mais organizada e unida do que antes do movimento paredista, é preciso partir dessa organização para avançar. Precisamos tirar lições da greve (para se aprofundar em nossa visão a esse respeito sugerimos a leitura de balanço mais aprofundado publicado logo após seu término) para avançar em nossa organização para barrar toda a continuidade de privatizações e para se enfrentar com cada medida parcial ainda em negociação, tais como tabelas de turno e outras questões. As lições da greve são cruciais para os novos embates e para garantir a organização pela base e uma estratégia para vencer em cada novo conflito, necessário , que precisaremos travar.




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