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ELEIÇÕES 2022 | A conciliação de Lula com os golpistas é cilada: a luta dos colombianos mostra o caminho

Após reuniões com FHC, Sarney e Maia, Lula declarou que não abrirá mão de sua candidatura para 2022 contra Bolsonaro. Sua política de conciliação com setores que apoiaram o Golpe Institucional não será a saída para a classe trabalhadora que vem sofrendo os ataques e os efeitos da crise que foram descarregada nas costas de nossa classe pelos golpistas.

sexta-feira 21 de maio | Edição do dia

Foto: Ricardo Stuckert

Em meio a pandemia que já matou no Brasil mais de 444 mil vidas, a corrida eleitoral para a presidência em 2022 já está instalada. Nos últimos meses vimos o STF suspendendo todas as condenações que o ex-presidente Lula teve durante a operação Lava Jato e recuperou seus direitos políticos. Essas mesmas condenações foram orquestradas pelo próprio judiciário arbitrário e golpista que manipulou as últimas eleições na qual resultou com a vitória de Bolsonaro. A partir dessa suspensão, Lula iniciou sua campanha eleitoral, fazendo lives e coletivas com um discurso forte contra Bolsonaro, mas sem deixar de mostrar toda sua política conciliadora que ele e o PT fazem desde os seus governos, se aliando com a mesma direita que abriu espaço para o Golpe Institucional. Em sua entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, Lula já colocava que iria até o centrão para buscar apoio a sua candidatura.

Mas a sua conciliação vai muito mais além do que o Centrão como já sabemos e vimos durante sua excursão para se reunir com inúmeras figuras da direita, como o ex-presidente José Sarney, Gilberto Kassab (PSD), com Rodrigo Maia e entre outros. Nesta sexta-feira (21) foi divulgada a reunião que Lula fez com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi responsável por iniciar uma forte ofensiva neoliberal durante os anos 90, privatizando a rodo inúmeras empresas estatais do país. Essa reunião ocorreu na casa do ex-ministro do STF, Nelson Jobim. Com isso, Lula cria grandes holofotes para o seu palanque buscando cada vez mais apoio dessas figuras que apoiaram o Golpe Institucional e inúmeros ataques aos trabalhadores. A pergunta que fica é se toda essa aliança com os golpistas e a direita é a saída para a classe trabalhadora?

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A política de Frente Ampla que Lula está encabeçando, tem a lógica de juntar amplos setores da oposição do governo para derrotar Bolsonaro em 2022. Mas o maior problema dessa frente com burgueses e golpistas, é que ela resultará ainda em mais ataques aos trabalhadores como o golpe veio fazendo nesses últimos 5 anos, e aprofundar ainda mais a sociedade na miséria que já vem assolando milhões de brasileiros. Essa frente muito menos coloca uma perspectiva de acabar com os ataques que já foram aprovados como a reforma da previdência, a terceirização irrestrita, e a PEC emergencial que congela o salário dos professores por mais de 15 anos.

Lula sequer fala sobre as reformas, justamente para mostrar ainda mais seus acenos para a direita e que não será oposição a esse plano de ajustes que seguirá aprofundando mais ataques que os capitalistas querem impor, como a reforma administrativa e mais privatizações como do Correios e da Eletrobras que recentemente foi aprovada no Congresso. O ex-presidente petista não somente quer administrar novamente o estado capitalista, como quer administrá-lo em um regime totalmente degradado, administrando os ataques e ajustes, e já sinalizando que irá abrir espaços para avançar com privatizações como na Caixa por exemplo.

Todo esse cenário mostra que não podemos esperar até 2022 para derrotar Bolsonaro e na esperança que as coisas melhorem, pois não é isso que está colocado. Até lá a pandemia segue matando milhares de pessoas todos os dias no país, e seguiremos vendo novos colapsos nos sistemas de saúde. Devemos lutar desde já contra esse governo genocida de Bolsonaro e Mourão e todo o regime golpista. Nossos vizinhos na Colômbia mostraram um forte exemplo para enfrentar um governo reacionário que quer aplicar ajustes econômicos e descarregar a crise nas costas dos trabalhadores: através da mobilização e da luta nas ruas para impor uma derrota aos planos golpistas.

Neste próximo dia 29, a UNE e demais entidades estudantis estão chamando um dia de luta contra Bolsonaro e os cortes na educação. Enquanto que as centrais sindicais, como a CUT que é dirigida pelo PT, convocaram um ato em Brasília contra Bolsonaro e a redução do auxílio emergencial para o dia 26 de maio. Essas lutas não podem ser separadas. É preciso unificar estudantes e trabalhadores para enfrentar Bolsonaro. As centrais sindicais e estudantis precisam romper com sua estratégia divisionista e unificar esses processos. Os trabalhadores e estudantes precisam se organizar em seus locais de estudos e trabalho, através de assembleias e exigir dos sindicatos que organizem essa mobilização. Levantando a bandeira do Fora Bolsonaro e Mourão e contra todo o regime do Golpe Institucional e seus ataques. Para que os capitalistas paguem pela crise.




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