Política

A coligação de Sebastião Melo é um amontoado de partidos corruptos

A coligação de Sebastião Melo, que disputa a prefeitura de Porto Alegre, conta com alguns dos partidos mais corruptos do país, a começar pelo próprio MDB, campeão de desvio de dinheiro público e de relações espúrias com o empresariado.

quarta-feira 18 de novembro| Edição do dia

Apesar do discuro anticorrupção, sua coligação é um amontoado de partidos corruptos. MDB de José Sarney e Michel Temer, o DEM de Onyx Lorenzoni (caixa 2 asumido) e do mensalão de Brasília, o Solidariedade do bandido Paulinho da Força, o PTC que tinha como Collor seu principal quadro e outras siglas menores, que também já se envolveram em escândalos de corrupção, formam esse grupo de “notáveis”. Agora o PTB de Roberto Jefferson e o líder de denúncias na Lava-Jato, PP, saíram em apoio ao Melo no segundo turno contra Manuela D’Ávila. A lista de partidos corruptos de mãos dadas com Melo só cresce.

O discurso anticorrupção de Sebastião Melo é da boca pra fora. A sopa de letrinhas do estelionato e desvio de dinheiro público escancara ao que vieram: Governar Porto Alegre de acordo com seus interesses e dos grandes empresários, fazendo o que for necessário para garantir os lucros dos ricos, enquanto a maioria da população amarga o desemprego e a carestia de vida. Vejam alguns exemplos do que os partidos já fizeram:

MDB – arroz de festa na farra do dinheiro público

O MDB, de Melo, por exemplo, apoiou todos os governos desde a democratização em 1988. De Collor a Bolsonaro, passando por FHC, Itamar Franco, Lula, Dilma e, obviamente, Michel Temer. “Si hay gobierno”, o MDB de Melo está dentro. Assim como estiveram em praticamente todos os escândalos de corrupção dos últimos anos. Mensalão? MDB foi um dos líderes. Mensalão de Brasília? MDB estava lá. Petrolão? MDB não deixou de ir. O MDB é um dos partidos mais citados em toda a operação Lava-Jato. O MDB está em todas, um verdadeiro arroz de festa na farra do dinheiro público. Toda a cúpula do partido é envolvida com corrupção, e o Rio Grande do Sul não fica de fora. Um dos líderes gaúchos, Eliseu Padilha, hoje esconde a cabeça debaixo da terra como um avestruz, mas há pouco tempo foi denunciado pela PGR pela distribuição de R$ 4 milhões repassados pela Odebrecht à campanha de Temer. Após incontáveis denúncias de corrupção, oligarcas como Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney, Helder Barbalho e outros, seguem comandando o partido de Melo. A lista de casos de corrupção do MDB é tão grande que faltaria espaço em nossa matéria e Sebastião Melo tem tudo para honrar a tradição de corruptos e ladrões de seu partido.

Em Porto Alegre, quando Melo esteve na prefeitura junto de Fortunati, não foram poucos os escândalos de corrupção também, como na Procempa, no DEP (com direito a indicado do MDB denunciado), os R$ 6 milhões desviados do Demhab e na Carris.

DEM - Partido que comanda o Congresso Nacional já comandou outros esquemas de corrupção

O “Mensalão do DEM” foi talvez o caso mais emblemático de desvio exorbitante de dinheiro público por parte do partido de ACM. Após Operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009, comprovou-se que o partido do vice de Melo operava um esquema de desvio milionário de dinheiro público. Houve busca e apreensão na casa do então governador do DF, que era do DEM, e de mais 23 pessoas, encontrando um total de R$ 700 mil em espécie, U$ 30 mil, 5 mil euros e eletrônicos. Apesar de ficar conhecido como o Mensalão do DEM, outros partidos também participaram do esquema de desvio de dinheiro, como o próprio MDB de Melo.

Um dos principais nomes do DEM no Rio Grande do Sul é Onyx Lorenzoni, corrupto confesso e amigo de Bolsonaro. Um dos nomes da lista da Odebrecht, Lorenzoni admitiu ter feito Caixa 2 e fez um acordo com a PGR para pagar R$ 189 mil e se safar de qualquer condenação. O recebimento de dinheiro da J&F sem declarar à justiça, considerado crime por seu ex-ídolo Sergio Moro, ocorreu entre 2012 e 2014, mas só agora o ministro de Bolsonaro conseguiu fechar acordo. Aguardamos o STF para decidir se é válido o acordo ou se ele passará um tempo na Papuda. De qualquer forma, o vice de Melo faz parte do partido que operou esquemas de mensalão no DF, de líderes corruptos como Lorenzoni, de homens que comandam as casas mais corruptas desse país, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Solidariedade - o partido de Paulinho da Força, sinônimo da ladroagem nacional

Paulinho da Força é praticamente um sinônimo de sujeira. É difícil não associar seu rosto com corrupção, desvio de dinheiro, acordos espúrios, ladroagem ou coisas do tipo. O líder da Força Sindical, central sindical também conhecida por incontáveis negócios escusos, fundou seu partido sob suspeita: há denúncias de que houve fraude nas assinaturas para legalizar o Solidariedade, sem contar as denúncias de vendas de registros sindicais que o partido fez com o PDT. Mas o líder do partido, em si, acumula denúncias: lavagem de dinheiro e corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral (caixa 2), improbidade administrativa e desvio de recursos do BNDES. Essa última o levou à condenação de 10 anos e 2 meses de prisão pelo STF, perdeu seu mandato de deputado federal, mas não foi preso ainda. O líder do partido que apoia Melo é um dos mais célebres corruptos do país.

Cidadania - parlamentares cassados, propinoduto em São Paulo, o ex-PCB hoje é liberal e corrupto

O partido de Roberto Freire, um dos primeiros a pular de mala e cuia no governo corrupto de Michel Temer, ocupou 8º lugar entre os partidos que na década passada mais teve parlamentares cassados (perdendo para DEM, MDB, PSDB, PP, PTB, PDT e PR). Em São Paulo, sob os sucessivos governos tucanos, o Cidadania (ex-PPS) participou ativamente do propinoduto do tucanato. De 2004 a 2014, empreiteiras como Odrebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa pagavam propinas generosas a partidos como o PSDB, PPS (Cidadania), DEM e PTB (quase a coligação de Melo inteira!). As empresas que lucram com os contratos do metrô com o governo de São Paulo faturam na casa dos bilhões, mas o desvio de dinheiro público suspeita-se que tenha chego a mais de R$ 50 milhões. O partido Cidadania, que apoia Melo, foi ativo no esquema de corrupção.

Essas são apenas algumas informações sobre os escândalos de corrupção em que se envolveram os partidos da coligação de Melo. É evidente que o discurso anticorrupção de Melo é da boca pra fora. Seu partido é um poço fisiológico sem fundo, enlameado em corrupção e mostras de que fazem de tudo para governar para os grandes empresários.




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