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REABERTURA INSEGURA DAS ESCOLAS | A bandeira vermelha do Leite é manchada de sangue dos professores e da comunidade escolar

Diante da manobra de Leite e do decreto de bandeira vermelha, qual a saída para educadores e famílias?

quarta-feira 28 de abril | Edição do dia

O Rio Grande do Sul vivenciou nos últimos 30 dias os piores cenários possíveis no enfrentamento da pandemia. Falta de leitos de UTIs e medicamentos para entubação, aumento crescente de óbitos e casos diários. Nesta última semana de abril, há falta de vacinas e de previsão de recebimento das mesmas. É imprescindível que haja reuniões auto-organizadas em cada escola, em diálogo com a comunidade escolar, para resistir aos ataques do governo Leite, organizar a nossa luta para que a comunidade escolar decida quando e como voltar as aulas e refletir os passos da nossa organização contra todos os ataques.

Como se não bastasse a quantidade de demissões, as paradas de ônibus lotadas, trabalhadores de serviços não essenciais sendo obrigados a ir trabalhar sem direito a quarentena remunerada, aumento da pobreza e da fome, agora querem as escolas abertas custe quantas vidas custar. As restrições anárquicas de Leite vêm levando muitos à miséria.

Diante disso qual a saída para os educadores? Qual papel nós educadores podemos cumprir em defesa de toda a classe trabalhadora?

Eduardo Leite junto com a RBS tentam jogar a opinião pública contra os trabalhadores da educação. Como se as professoras e professores não quisessem trabalhar, quando na verdade, as trabalhadoras e trabalhadores da educação seguem incansáveis em suas tarefas diárias para estarem próximos de suas comunidades escolares e alunos.

A realidade é que muitas escolas não tem funcionários suficientes para a limpeza, não tem estrutura nem espaço suficiente para reduzir o número de alunos por turma, nem professores suficientes. Não basta máscara e álcool em gel para garantir segurança sanitária, nem mesmo apenas a vacina para os profissionais da educação, como é exigência da direção central do CPERS. É preciso vacinar toda a população e ainda assim é preciso um plano de testagens massivas e mapeamento dos infectados já que as vacinas não dão conta de novas cepas que estão surgindo.

Em que condições as escolas podem voltar às aulas presenciais? E quem deve tomar essa decisão?

Toda a comunidade escolar, sejam professoras e professores, funcionárias, sejam alunos e famílias sentem muita falta da escola aberta, ainda mais quando o governo não oferece as condições adequadas para o ensino remoto. Mas para além do ensino todos sentem muita falta da socialização que o ambiente escolar oferece e qu faz parte da formação das crianças e dos jovens, porém, a abertura das escolas em meio a altos índices de ocupação de UTIs é uma promoção da contaminação e da morte.

Para tornar o retorno presencial viável e seguro, é preciso que haja um planejamento estruturado e pensado pelos educadores considerando a condição física de cada escola, reduzir o número de alunos por turma é só uma das medidas, pois essa estruturação demanda mais educadores e mais espaço.

Para isso, um plano de obras públicas que gerasse emprego nas comunidades é uma saída, bem como o recrutamento de muito mais professores e funcionários. Garantia de EPIs de qualidade para todos os que entram na escola, como máscaras N95, face shields etc.

Eduardo Leite pinta por decreto o estado de vermelho para forçar o retorno presencial das aulas. O único parâmetro para avaliar a gravidade da pandemia é a quantidade de leitos de UTIs. Não se sabe por onde o vírus circula porque não se testa em massa a população, desta forma, não há como mapear e isolar os infectados com segurança, ou seja, estamos num laboratório a céu aberto de novas cepas de covid sendo empurrados para a morte!

Não podemos perder de vista a realidade do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, grande parte pais e mães dos alunos, estão desesperados e sem o direito a isolamento remunerado e estão com medo de demissão. É preciso unir forças porque Leite quer nos dividir e jogar as comunidades contra os professores.

Nós precisamos nos unir com as comunidades para lutar em defesa da vida! Lutar pela quebra das patentes de todas as vacinas, estatização dos laboratórios sob controle dos trabalhadores, testagem massiva e mapeamento dos infectados, bem como garantia de isolamento adequado com alimentação de qualidade aos infectados em hotéis e pousadas se preciso. Mas Eduardo Leite não fará isso, sabem por quê? Porque para garantir um combate racional da pandemia é preciso se enfrentar com os ricos, com os sonegadores, com os capitalistas que descarregam a crise sobre nossas costas. Nesse momento há um jogo político das bases dos deputados que, para votarem o fim do plebiscito para privatizar CEE e Corsan, hoje exigiam a abertura das escolas. Um toma lá da cá ao interesse dos ricos. Utilizando nossas vidas como moeda de troca para vender a água e a luz pública e consequentemente o aumento dos preços, sendo que no estado tem gente passando fome e cozinhando com fogão a lenha por conta do absurdo valor do gás.

A saída para essa grave crise deve ser pelas nossas próprias mãos, com a força da nossa classe organizada e unificada. Na educação é preciso desde já que professoras, funcionárias, uma categoria majoritariamente feminina, se reúna e debata medidas em cada escola em diálogo com as comunidades soltando declarações sobre quando e como cada comunidade escolar condiciona o retorno presencial das aulas. Essas reuniões auto organizadas devem servir para fortalecer a organização da própria categoria de educadoras e educadores pela via do CPERS-sindicato qu realizará assembleia no dia 3/5. A direção dos núcleos do CPERS bem como a direção central tem o dever de organizar a resistência a partir de cada escola e comunidade.

Somente organizados podemos enfrentar essa crise sanitária e econômica fazendo com que sejam os capitalistas que paguem pela crise!




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