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Tragédia capitalista | A UFRN precisa tomar medidas para uma resposta emergencial às enchentes no RN

Natal e seus bairros, bem como municípios arredores e outras cidades no Estado do Rio Grande do Norte vêm enfrentando um alto volume de chuvas nas últimas semanas, resultando em grandes enchentes, deslizamentos, transbordamentos de rios e lagoas, assim como abertura de crateras e buracos pelas ruas. Alguns como Felipe Camarão chegam até mesmo a engolir as casas dos moradores. É revoltante que a população natalense venha passando por isso, perdendo suas casas e bens materiais sem sequer indenização para conseguir recuperar seus bens e lidar com a tragédia imposta pela prefeitura de Natal de Álvaro Dias (PSDB), prefeitos de outros municípios e pelo Governo de Fátima Bezerra (PT).

Emily VitóriaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

sábado 9 de julho | Edição do dia

O Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UFRN vem tomando medidas de solidariedade para atender as vítimas das enchentes, como campanhas de arrecadação de itens de higiene, toalhas, alimentos não perecíveis e roupas, assim como realizando idas aos bairros mais atingidos, colhendo depoimentos e dando voz aos moradores. No entanto, enquanto estudantes, pesquisadores e futuros cientistas sociais acreditamos que a universidade poderia e deveria estar cumprindo um papel maior diante dessa situação, movendo todo seu corpo técnico e científico para planejar uma resposta emergencial para socorrer as famílias e reconstruir as cidades
Esse aumento catastrófico no volume das chuvas não é natural.

Um estudo do World Weather Distribution (WWA), ligado ao jornal britânico BBC, mostra que o aumento de chuvas no Nordeste do Brasil é decorrente da emissão de gases do efeito estufa, fruto da exploração capitalista do meio ambiente por meio de desmatamentos, queimadas e queima de combustíveis fósseis. Além disso, o engenheiro sanitarista Sérgio Pinheiro revelou que Natal é uma cidade que tem uma rede de drenagem antiga, o saneamento básico é sucateado e que em alguns bairros é inexistente.

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O Plano Diretor de Álvaro Dias que foi aprovado vai levar à destruição de nossas orlas, desequilíbrio de ecossistemas, o avanço sobre áreas de proteção ambiental e minar as moradias da população pobre e ribeirinha da cidade, em prol dos lucros dos empresários do turismo e da especulação imobiliária. Sabemos que nem a prefeitura de Álvaro Dias e nem o Governo Bolsonaro, responsável por cortar 75% do orçamento de ações destinadas à prevenção de desastres naturais irão tomar medidas que levem em consideração as vítimas dessas tragédias. Mas também não vamos dar nenhuma solução às famílias vindo de Fátima Bezerra (PT), que é responsável pelas lagoas de captação estarem transbordando e cuja PM invadiu uma ocupação atingida pela enchente ameaçando crianças e moradores.

Somente os trabalhadores que ergueram essa cidade e são quem fazem tudo funcionar é que podem tomar nas suas mãos a gestão de um plano de emergência junto a população dos bairros mais afetados, as ocupações, através dos seus sindicatos, aliado aos movimentos sociais, mas também ao conjunto dos estudantes das universidades e IFs. Só a partir da auto organização desses setores em unidade que será possível encontrar uma saída que parta da exigência aos governos que garantam todos os recursos necessários para um plano de socorro às famílias e reconstrução da cidade. Por isso, enfatizamos ainda mais a importância da universidade, que poderia ser um centro de acolhimento às famílias, enquanto brigamos pela socialização dos quartos de hotéis e resorts para os desabrigados, e formar brigadas para ir aos bairros junto aos trabalhadores.

Veja também: Organizar a luta para impor um plano emergencial contra as enchentes em Natal e região

E principalmente, a UFRN deveria estar organizando todo o seu corpo técnico e científico, de forma gratuita e unificando as diferentes áreas de conhecimento, para a elaboração desse Plano de Emergência junto com os trabalhadores e a população. Por exemplo, seria essencial que os engenheiros estivessem planejando um plano de obras públicas sobre como reconstruir as tubulações, o sistema de drenagem e as casas dos moradores e como refazer o manejo das águas, que também crie emprego e renda. Mas também, colocar os assistentes sociais e psicólogos a serviço das vítimas que perderam tudo. Os cientistas sociais poderiam mapear os principais bairros, as condições de vida e as demandas das pessoas.

São muitas as possibilidades de como esse conhecimento poderia estar sendo gerido para o combate à crise, ligando isso a necessidade de uma Reforma Urbana Radical que garanta moradia para as famílias desabrigadas. A CUT e CTB, dirigidos pelo PT e PCdoB, assim como a UNE, a UEE e a Ubes, vem impossibilitando essa unidade, e devem romper imediatamente com essa política, que só serve para dar tranquilidade aos acordos do PT com os empresários e a direita como Alckmin e os Alves no RN para gerir a miséria do país destroçado pelo bolsonarismo e o golpismo.

Mas também as entidades estudantis da UFRN deveriam estar debatendo e organizando essas medidas, e é responsabilidade do DCE mobilizar os estudantes desde as bases para que a UFRN seja um centro de socorro e planejamento do combate à crise. Na gestão do DCE estão organizações como a Correnteza (UP) que dirige as ocupações do MLB pela cidade que também foram afetadas, mas mantém a entidade passiva, inclusive frente aos atrasos dos auxílios por parte da reitoria, privilegiando reuniões de gabinete. Na mesma gestão está o Juntos (MES - PSOL), partido que tem parlamentares eleitos na cidade que deveriam estar utilizando da tribuna para denunciar os governos e exigir os recursos necessários para essa resposta emergencial.

É urgente inverter as prioridades da UFRN de produzir lucro e patente para as grandes empresas, colocando-a à serviço da classe trabalhadora e da população. Isso só será possível no enfrentamento à estrutura de poder, como a Reitoria, que atrasa os auxílios e não garante que a universidade seja acessível nem para os estudantes, descontando os cortes orçamentários de Bolsonaro nas nossas costas, precarizando o ensino e a permanência estudantil. Por isso, a organização para responder a crise das enchente deverá motorizar nossa defesa de estrutura de poder democrática através de uma Estatuinte Livre e Soberana, que institua um Conselho Tripartite proporcional de estudantes, trabalhadores, incluindo os terceirizados e a luta pela sua efetivação sem concurso e professores.




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